
TIREI O FIM-DE-SEMANA e entreguei-me aos filmes. «O Sexo e a Cidade», «P.S. I Love You» e «Acordado». O primeiro é um agradável prolongamento da série, cenário que encontra as estrelas de quase uma década de vida sexual nova-iorquina um pouco mais velhas, cuja trama deixa Carrie casada, Samantha de regresso à poligamia, Miranda reencontrada com Steve e Charlotte grávida. «P.S. I Love You», faz parte de um leque de filmes americanos com cenário britânico. Trata-se de uma estória de amor prolongada para além da morte, através de um punhado de cartas post-mortem. «Acordado» relata-nos a experiência operatória de permanecer acordado depois da anestesia geral. Recomendam-se os três.
{photo by tuergeist}

SARAH PALIN É FRUTO de um vazio feminino na política, não só americana como internacional. O lapso criado pelo status quo social promotor do machismo enquanto leitura aceitável do real permitiu que se substituissem as competências por quotas. Na ânsia de corrigir traumas sociais abriu-se a porta a politiqueiras ao invés de se optar por políticas de carreira. O vazio criou espaço para políticas assim-assim. Sarah Palin é um exemplo claro dessa oportunidade transformada em oportunismo de campanha. Palin está ali não porque seja de facto indispensável a McCain ou aos republicanos e republicanas, mas antes porque cumpre bem o papel cuidadosamente pensado para satisfazer as feministas americanas, órfãs de Hillary Clinton. Palin é produto de uma construção política, ela representa simbolicamente a mulher conservadora e de média/alta sociedade, cuidadosamente vestida, penteada, perfumada e pintada. A própria escolha dos óculos, de modelo convencional, representa o cumprir desse ideal, contruído e projectado para o sensacionalismo do espaço mediático. Palin é muito pouco mais do que isto.
{image by Solitaire Miles}
A PROPÓSITO DAS ESQUERDAS PERDIDAS, dos revolucionários e dos idealistas perdidos, emergidos numa política de interesses e oligarquias, arredados para um canto por um grupo de jovens ávidos de poder e de carreira de vaidades, recordei-me dos poetas silenciados. Das vozes caladas por uma revolução ideológica vencida, por uma literatura vendida aos romances de faca e alguidar, da leitura trocada por porno-novelas da treta. Que é feito dos Ary dos Santos?
(…) Da fome já não se fala
é tão vulgar que nos cansa
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
a morte é branda e letal
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
Resposta a um inquérito a 850.000 habitantes em Portugal:
Você pensa que existem demasiados imigrantes em Portugal?
20% - Sim
13% - Não
67% - Oi?
Published on 26 de Setembro de 2008 .
PARA ALÉM DO ESPAÇO MEDIÁTICO, globalizado na imensidão da internet e no sensacionalismo televisivo, há outro rosto partidário que convém salientar, mas parece esquecido nos bastidores do poder político. Esse rosto, que habita nos espaços urbanos, mais ou menos camuflado, dá pelo nome de sedes ou delegações partidárias. Aqui, nas ruas de Benavente, onde o poder local é comunista há mais de três décadas, o PSD parece ter o rosto por lavar. A relação directa entre uma falta de capacidade de fazer oposição e o desleixo público parece aplicável para além do razoável. A sua sede tem as portas fechadas, seguramente perto de 365 dias por ano. Quem por lá passa - e é obrigatório passar rumo a Salvaterra de Magos - dá de caras com uma sede fechada, suja, desarrumada e gritando abandono. Será tal sede alegoria de um certo desinteresse pelo regionalismo político?
Published on 13 de Setembro de 2008 .
O PARADIGMA do Estado Normal irrompeu na América Latina carregada de enorme simbolismo e consciência regional durante a década de 1990, marcado pela miragem de uma globalização benigna, orientada pelas recomendações do centro capitalista.Regra, todos os países sul-americanos enfrentavam graves problemas de estabilidade económica perturbada pela inflação. Os estruturalistas, entendiam que tais problemas superar-se-iam com medidas a longo prazo, ao passo que os monetaristas acreditavam numa solução através de tratamentos de choque. Entre 1989 e 1990, são eleitos presidentes neoliberais nos grandes países sul-americanos, albergando os monetaristas (de formação norte-americana) nos cargos decisórios. Nesse sentido, foram adoptadas medidas de choque pelos governos de então, como aconteceu no Brasil de Fernando Collor de Melo.
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O Conselho de Ministros do Emprego e Assuntos Sociais aprovou, na semana passada, a proposta, de uma directiva que eleva de 48 para 60 horas o limite da semana laboral, mediante acordo da entidade empregadora com o trabalhador. Naturalmente os europeus andam apreensivos. Como se já não bastassem as preocupações face ao aumento do custo de vida (que mais se sente nos países menos sólidos como Portugal) e das flutuações do desemprego.
Alvin Toffler, em «A Terceira Vaga», fala de uma sociedade onde o progresso tecnológico deixará mais espaço para o lazer (cujo documentário se apresenta um tanto ou quanto chato, por sinal). Todavia, a tendência parecer ser de retrocesso e não de progresso. Os direitos laborais conquistados durante o século XIX pelos employers ingleses estão agora postos em causa, tudo graças à nova lógica económica dos países emergentes, onde os trabalhadores não gozam de quaisquer direitos, como é o caso chinês. Na necessidade de acompanhar as tendências do mercado - desregulado - a Europa vê-se a braços com a recessão social. Esperam-nos temos difíceis e uma Nova Ordem Sócio-económica Global.
Ligação: sobre o assunto vale a pena ler este artigo no «Jornal de Notícias»
Para esta semana a Rádio Kontrastes traz o intemporal sucesso Hotel California dos Eagles. Os The Eagles foram uma das mais famosas bandas de Country Rock tendo estando nos tops americanos entre 1972 e 76 e vendido 120 milhões de álbuns em todo o mundo. A música Hotel California faz parte do álbum com o mesmo nome, álbum esse que levou oito meses a ser gravado.
::nota:: a música anterior, Kiss From a Rose de Seal foi tocada 522 vezes. Fantástico.
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