Archive for the 'Mugabe e o Zimbabwe' Category

Velhos Paradigmas

O G8 lamentou ontem a situação instável vivida no Zimbabwe, onde não se verificaram “condições apropriadas para um votação livre e justa”. O gabinete de Mugabe respondeu de pronto atirando com um velho paradigma: o racismo. Num país às portas da ruptura económica, social e política, o discurso de racismo não encontra legimitidade. O discurso de Harare chega com cinquenta anos de atraso.

União Africana num Impasse

A cimeira da União Africana aprovou, esta tarde, uma resolução em que apela à constituição de um Governo de unidade nacional no Zimbabwe, como forma de ultrapassar a crise política no país. Vários líderes defenderam uma condenação do regime de Robert Mugabe, reeleito em eleições considerais ilegítimas, mas a declaração final é mais prudente. A União Africana encontra-se num impasse entre uma ruptura firme com o Zimbabwe forçando Mugabe a dar o lugar a Tsvangirai, através do isolamento geográfico e político, e a aceitação de Mugabe como presidente, apenas aconselhando uma coligação com a oposição. A escolha é entre a verdade democrática e a manutenção das irregularidades.

Não Foram? Quem disse?

Observadores da União Africana afirmam que as eleições no Zimbabwé, que ditaram a vitória de Robert Mugabe contra o rival Robert Mugabe, não foram “democráticas”. Afirmam tal com base em quê? Na ausência de pluralidade de candidatos, no exercício de voto à força ou no clima de ameaça? Então democracia não é quando Mugabe vence? Ai não? Então peço desculpa.

Só para não serem 110%

Robert Mugabe foi eleito pela sexta vez Presidente do Zimbabwé. Correndo contra ele mesmo a vitória foi-lhe favorável, e não obteve 110 por cento dos votos para que a farsa democrática não fosse muito explícita. Sem Tsangirai, logo sem oposição concreta, Mugabe pôde enfim descansar. Tudo correu como seria de esperar. Aguardemos a intervenção da comunidade internacional. Ou o Zimbabwé não tem nada para oferecer em troca da defesa dos direitos humanos?

Campanha entre quatro paredes

Depois de ter aceite participar numa segunda volta das eleições no Zimbabwe, Morgan Tsvangirai tem sido alvo de intenso controlo policial, por forma a impedir o candidato do povo de fazer campanha. Hoje de manhã Tsvangirai foi detido. Mugabe deixa Tsvangirai concorrer desde que o faço dentro de quatro paredes. Aí sim, a oposição é aceitável.

Mugabe a brincar com o fogo

::Mugabe nos tempos de revolucionário::
 
Robert Mugabe, carrasco do Zimbabwe, ameaçou hoje expulsar o Embaixador norte-americano, James McGee, do seu país. Declarou Mugabe: Diz que combateu no Vietname, mas combater no Vietname não lhe dá o direito de interferir nos nossos assuntos. Estou apenas à espera que dê mais um passo errado. Se o fizer, vou expulsá-lo do país. Estas declarações revelam um total desconhecimento da lógica do sistema político internacional. Jogar poker com os Estados Unidos poderá significar a última cartada de Mugabe. Finalmente.
 
[image by Trishan]

Eleições no Zimbabwe (11)

Garantida a vitória nas eleições legislativas, Morgan Tsvangirai, líder do MDC, aponta o dedo a Mugabe, relembrando a incongruência do ditador africano: “Mugabe deve compreender que não pode ser Presidente sem controlar o Parlamento“. Os resultados das eleições presidenciais serão (supostamente) libertados hoje. A confirmar-se a derrota total de Mugabe, estaremos perante um rude golpe nas aspirações de quem defende que há ditaduras legitimadas pelo povo. Mais tarde ou mais cedo o desejo de liberdade e mudança triunfará.

Eleições no Zimbabwe (10)

Sem “embandeirar em arco”, anunciam-se mudanças democráticas para o Zimbabwe. A recontagem final dos votos está em curso e as assembleias que faltam contabilizar não são suficientes para alterar aquilo que há um mês já se sabia: Morgan Tsvangirai, candidato do MDC, venceu as eleições. O embargo ao armamento exportado pelos chineses e os inúmeros apelos à ONU, às quais se juntam as recentes declarações de Jendayi Frazer, tudo junto parece ter impulsionado o governo do Zimbabwe a actuar correctamente. Tenhamos calma, mas aguardemos com redobrada esperança.

Eleições no Zimbabwe (9)

Jendayi Frazer, secretária de Estado adjunta norte-americana para os Assuntos Africanos, afirma dispor de dados fiáveis que indicam uma vitória clara do candidato da oposição Morgan Tsvangirai . A escalada de instabilidade política e social começa a preocupar os Estados Unidos, que entretanto apoia o apelo de Gordon Brown, primeiro-ministro inglês, de embargar a venda de armas ao país de Robert Mugabe. A mudança continua a assustar os governos opressores africanos. A não divulgação dos resultados eleitorais pode atirar o país para uma crise política sem precedentes. É plausível temer que Mugabe se transforme em Idi Amin, o ditador que governou o Uganda entre 1971 e 1979.

Eleições no Zimbabwe (8)

A situação política no Zimbabwe apresenta uma tendência para a concretização do caos. A não publicação dos votos persiste. A dúvida razoável esgota-se. Os líderes religiosos, das diversas confissões, apelaram à ONU pela intervenção no país. Fala-se já em genocídio. A terminologia é perigosa e pode não ajudar a apaziguar o clima de instabilidade política e social. As hostilidades governo/oposição persistem e tenderão a reforçar-se ainda mais. O massacre de civis pode — apesar de ser precoce falar nisso — é um cenário que pode não estar afastado. Aí as responsabilidades dividem entre o governo ditatorial de Mugabe, a ONU pela não intervenção atempada e a China pelo financiamento da ditatura no Zimbabwe. Skys are gray outhere.