A parte pior das férias é sem dúvida o regresso. Voltar a beber da realidade, do quotidiano, da maquinação, da rotina. Voltar ao habitual que as férias deixaram dormente.
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Percorrem-se os caminhos ontem secos de um calor estival. Mudam-se as lentes de uma mesma realidade. Hoje chove. A paisagem dos dias quentes embriagou-se. A chuva em dias de Verão traz um aconchego sonolento ao compasso do tempo solitário. As lágrimas de umas nuvens perdidas enchem os campos de um aroma simultaneamente quente e húmido de uma natureza frágil e ulterior. A terra molhada torna-se num mapa de registos arbitrários. É Verão e chove. Há dias assim.
[image by clrrchrd]

Onde estás, musa das musas, arte das artes? Onde de escondeste na madrugada? Onde te encobres na luz do luar? Quem te arrancou a ferros do peito ilustre lusitano? Quem te despreza e te atormenta? Quem te inveja e te persegue? Que inquisição te acorrentou no fundo do ser? Para onde fugiste como ladra e vadia? Em que morada te guardas, tu…poesia?
[image by poeira da estrada]
DIAS DE SAUDADE: Navego lamuriantemente pelas névoas da memória saudosista. Percorro caminhos e ruelas densas de gente, vazio de ti. A lentidão poética do sentir deixa embriagada a racionalidade terrena. O cheiro a terra virgem e à intemporalidade da natureza embriaga a lucidez. Lá fora a vida é outra coisa qualquer e a saudade bate à porta em dias assim.
Enquanto a casa se enche de Outono e as folhas cobrem o chão de tonalidades pastéis e vermelhas aguardando pelas primeiras chuvas que aromatizam a calmia do lugar, o termómetro sobe até a uns veraneios 42 graus de lembranças de praia.É a vida que se agita na lezíria ribatejana.


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