Archive for the 'Media + Blógica' Category

876| Jornal de Angola

O JORNAL DE ANGOLA parece não entender o conceito de «direitos de autor» ou de «propriedade intelectual» sobre a produção literária. Depois de Rui Bebiano ter sido vítima do livre mercado das letras no ciberespaço, seguiu-se João Pereira Coutinho. Rodízio de postagens?

870| O Regresso Relativo

O PAÍS RELATIVO foi, durante tempos (e acredito que continue a ser) uma grande referência na blogosfera esquerdista portuguesa [link]. Quem assistiu ao seu fim jamais previu um tal regresso. Junta-se agora a nós, numa rede próxima, e recupera o velho fulgor. Fica também esclarecido o mistério, relativo, do Tiago Barbosa Ribeiro. Muda-se do Kontratempos para O País Relativo, o que calha bem, perante a inóspita vontade de defender o governo de um país relativo com manias de país eloquente. Da minha parte, aprecio o regresso de tão excelso blogue [link]. Prefiro o template original, mas isso sou eu, um saudosista. Ora bem-vindos.

865| o fim de outros (kontra)tempos

O TIAGO BARBOSA RIBEIRO fechou a loja. Empacotou as suas tralhas, olhou para trás uma última vez, suspirou, apagou a luz e fechou a porta. Com o fim do «Kontratempos» finda-se também uma forma de estar na blogosfera. Entre atritos e novas ideias, debates e esforços inglórios, o Tiago primou por manter o blogue actualizado. Durante dois anos brindou-nos com a considerável e qualitativa sucessão de posts. A lentidão dos últimos dias não agoirava nada de bom. Foi-se o blogue, fica o seu autor. Menos mal. Depois das experiências no «Blogue de Esquerda», «Estudos sobre a Guerra Civil Espanhola», «Passado/Presente» e o velhinho «Murmúrios do Silêncio». A saída da rede não é definitiva. O TBR, creio, é um viciado nestas coisas da blogo. Todavia, a eleição para o Secretariado Nacional da Juventude Socialista, poderá ter a ver com tudo isto. Aguardemos por domingo, quando nos dará novidades.

- A Tal Moral -

DIZ MCA, no seu blogue «A Biblioteca de Jacinto», que a tradição e a moral ocidental ditam que o casamento deve ser entre heterossexuais e em formato monogâmico [link]. Sim é verdade que a tradição ocidental, assente numa moral judaico-cristã, define que o casamento entre indivíduos do mesmo sexo constitui uma situação não-natural. No entanto, as regras morais, como todas as outras regras, são fruto de um processo histórico e assim sendo, disponíveis a permanente revisão. Definir contornos de um contrato humano sob uma perspectiva de moralidade religiosa constitui um atentado à verdadeira democracia moderna, que se quer laica. Continuar a misturar religião e lei constitui um embaraço político. Parece, contudo, que há quem conviva bem com isso. Será deus um líder totalitário ou um democrata conservador?

- Carácter, qual carácter? -

TENHO O MAIOR respeito pelo projecto «Tubarão Esquilo» e tem sido um prazer imenso fazer parte desta casa. Talvez por isso e também por isso, considere lamentável a forma encontrada por Pedro Mexia e Pedro Lomba para retribuir a confiança de Paulo Querido - nada de posts. Na blogosfera, como na vida, o carácter (ou a falta dele) mina as instituições sociais. Na blogosfera está apenas camuflado pela distância do clique.

- Exigências do Marketing Político -

A CORRIDA ELEITORAL está cada vez mais exigente e os partidos vêem-se obrigados a recorrer a novas, melhoradas e mais assertivas máquinas de campanha eleitoral. O marketing político é um negócio em franca expansão em Portugal. Importado dos Estados-Unidos, é hoje sinónimo de actualização e consciência mediática por parte da classe política, cada vez mais ciente de que não interessa tanto o que se diz mas a forma como se expressa essa ideia. Uma campanha agressiva e consistente poderá ser a chave do poder. Por isso, as próximas quatro eleições vão custar ao Estado cem milhões de euros, mais do que as últimas dezassete realizadas desde 1993 (JN).

- Complexidade e Contradição -

COM POMPA E CIRCUNSTÂNCIA, José Sócrates e o seu executivo, entregam hoje os primeiros três mil computadores portáteis “Magalhães” a crianças do primeiro ciclo, no âmbito de um programa que será totalmente financiado por privados, segundo a ministra da Educação (Público). A iniciativa - que promove o uso das tecnologias de informação e pretende democratizar o uso do computador nas famílias portuguesas - vem tingida de uma série de pequenos detalhes por explicar: primeiro, se a iniciativa é suportada por privados porque razão o governo se apropriou dela como bandeira para o ‘choque tecnológico’? E já agora, se o computador é pensado para países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, não estamos a assumir claramente Portugal como um deles? Apesar dos vários itens, a verdade é que o “Magalhães” é um passo na cobertura do país com as NTICs, e sabemos, que o acesso á internet é tido como um indicador mundial do progresso económico de um país. A presença do governo é, no entanto, para eleitorado ver.

- Votar de Longe -

O JOÃO SILAS coloca bem a questão do voto para o emigrante, embora eu tenha uma leitura diferente da que ele expressa na sua casa cibernética [link]. Primeiro porque o direito de voto é uma conquista social que resultou de um enorme esforço humano e tal facto não deve ser negligenciado. Segundo, a expressão do direito de voto representa um exercício de cidadania onde quer que nós - cidadãos - estejamos. Terceiro, o emigrante português já não é (ou não só é) aquele que sai das aldeias, pouco literado, preso às tradições populares e que parte em busca de um pé de meia para voltar à terra e casar. Os tempos são outros, os lugares-comuns devem ser alterados, a bem da leitura real do fenómeno da emigração. E assim, temos uma população emigrante cada vez mais representada por licenciados e recém-licenciados que partem à procura de condições de vida que Portugal não lhes oferece, entre elas a própria possibilidade de emprego na sua área. Essa massa emigrante tem plena consciência política e vota ciente do valor do seu acto. Aliás, tem plena consciência do governo que está por trás da sua abrupta emigração. Por isso, João, acho que sim, o emigrante deve ter direito ao voto. Até porque está menos sujeito ao marketing político que condiciona o voto livre.

- A Invenção do Proletariado -

O texto é de Isabel Salema Morgado no nosso cantinho «A La Gauche». A cadência das palavras e das ideias é perfeita:

Na verdade, quem já estava no poder (alguns aristocratas) e quem já estava na bordas do poder (muitos pequeno-burgueses) é que alimentou a consciência de uma classe que ainda não a tinha sequer inventado para si, por motivos diversos e nem sempre por medo. A literatura socialista não foi escrita por um explorado proletário nas suas poucas horas de descanso, veio dos seus observadores, de teorizadores sociais, de pessoas que sentiram compaixão por uma massa de gente, ou tão só paixão por uma ideia social nova que viram desenrolar à sua frente com um novo actor a desempenhar o papel principal. E porquê? Porque se procurou, mais uma vez na história das ideias, um motor que põe a história em marcha, e se não Deus, ou o espírito da história, então quem? Ora deixa cá ver: quem sustenta as relações económicas? Voilá! ()

- Equimose -

BARACK OBAMA agrada a tantos quantos aos que desagrada. E à direita parece que a postura e a mensagem do homem provocam equimoses. O status quo da política internacional é sagrado.