Archive for the 'Letras Impressas' Category

1014|Citando Livros

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TERRAS DO SEM FIM, de Jorge Amado, é uma obra polémica e que na época foi proibida nos Estados Unidos do Brasil (numenclatura de então). Num período marcado pela ausência de direitos humanos e onde imperava a ambição desmedida dos coronéis do cacau, em Ilhéus, sul da Bahia, Amado traz-nos um retrato fiel de uma sociedade que oficialmente não existia.

(…) Muito se comentava ali a fatal de religiosidade dos habitantes, as missas desertas de homens, a prostituição sendo enorme, a falta de sentimentos religiosos verdadeiramente assombrosa: uma terra de assassinos. Era pequeno, o número de padres da cidade e do município, em relação ao número de advogados e médicos. E vários desses padres se convertiam, com o correr do temppo, em fazendeiros de cacau, pouco se preocupando com a salvação das almas. Citava-se o caso do Padre Paiva, que levava sob a batina um revólver e não se perturbava se acontecia um barulho perto dele. O Padre Paiva era caudilho político dos Badarós em Mutuns, nas eleições trazia levas de eleitores, diziam que ele prometia verdadeiros pedaços de paraíso e muitos anos de vida celestial aos que quisessem votar com ele.

# Jorge Amado, Terras do Sem Fim, página 197, edição de 1942, Colecção Livros do Brasil

928|O Falecido Sr. Shakespeare

ROBERT NYE OFERECE-NOS, com este livro, uma estranha mas agradável viagem pela vida de William Shakespeare, contada em forma de biografia. O biógrafo, Robert Reynold (aliás, Pickleherring), um velho arrumado no sótão de um bordel em Londres, é na verdade um antigo actor da companhia de Shakespeare. Cinquenta anos após a morte do seu mestre, e com a peste a grassar a capital inglesa, Pickleherring, agora viúvo, dedica os seus últimos dias a escrever a Vida, com ele salienta, do Sr. W.S. Se o biografado é em si um complexo humano, o biógrafo não se deixa ultrapassar. A sua narrativa vai, alegremente, misturando a vida de Shakespeare com os delírios erótico-amorosos de um velho apaixonado por uma prostituta de adolescente idade, cujo quarto em que habita e atende os seus clientes fica por baixo do sótão de Pickleherring. O velho actor, que toda a vida representou papéis femininos, tanto se empolga com a lingerie da sua “puta-menina”, quanto viaja no prazer carnal através do buraco que tem no chão.

- A Carta Proibida -

LISA T. BERGREN oferece-nos o primeiro livro de uma trilogia - Os Dotados - cuja estória decorre numa Itália (dividida em reinos), da Idade Média (1339),  sob uma atmosfera de medo e paranóia da Igreja. Este romance, enquadra-se, perfeitamente na nova corrente literária cristã-romântica, em que se privilegia o cristianismo original, despido de todas as construções canónicas da igreja, e próximo do crente. Segue o texto da contra-capa:

Uma profecia ancestral ameaça as fundações da Igreja - e todos os que se atrevem a morrer pelo que acreditam…

O ano é 1339 e um segredo com meio milénio está prestes a ser exposto. Séculos antes, a Igreja compilou as cartas escritas por Paulo com outros textos para formar a fundação do cânone cristão, que acabou por se tornar a Bíblia que conhecemos hoje. Mas o que o mundo não sabe é que Paulo pode ter escrito outra carta - uma carta que fala de homens e mulheres que, embora filhos de homens, possuem dons espirituais misteriosos. Quando um monge, reivindicando inspiração divina, copiou esta missiva não canonizada - e a ilustrou com a visão magnificente de uma bela mulher, que a profecia dizia ser a primeira dos Dotados -, foi submetido a uma morte ardente.

Mas, de alguma forma, a carta sobreviveu…

Agora, gerações depois, chegou a altura de os Dotados se reunirem. A bela curandeira, o sábio sacerdote, o cavaleiro com fé suficiente para abandonar a Igreja - todos regressarão a Siena para enfrentar inimigos dentro e fora das suas próprias fileiras. Mas, à medida que os seus dons se tornam mais fortes, cresce também o poder daqueles que querem destruí-los. Têm de correr contra o tempo para encontrar os restantes Dotados e para decifrar a profecia que adivinhou a sua chegada. Pois apenas através da combinação dos seus poderes conseguirão escapar àqueles que estão decididos a destruí-los e revelar o segredo da carta que determinará o destino da Igreja… e do mundo.

«Situado na Itália, durante os dias paranóicos da Inquisição, A Carta Proibida é o resultado emocionante de uma profunda pesquisa, e deixará todos os amantes de aventura extasiados com a batalha entre o bem e o mal que se avizinha.»

Booklist

||| A Louca da Casa [3]

… a paixão é a maior invenção das nossas existências inventadas, a sombra de uma sombra, o adormecido que sonha que está a sonhar.

Rosa Montero, A Louca da Casa

||| A Louca da Casa [2]

… Sobretudo os russos, tão evocativos de uma infância luminosa que parece sempre a mesma (…) São tão iguais estas paradisíacas infâncias russas que uma pessoa não pode deixar de as julgar uma mera recriação, um mito, uma invenção. (…) De maneira que inventamos para nós as nossas lembranças, que é o mesmo que dizer que nos inventamos a nós mesmos, porque a nossa identidade reside na memória, no relato da nossa biografia.

Rosa Montero, A Louca da Casa

||| A Louca da Casa

Nos próximos tempos estarei — entre outras coisas — a publicar excertos da obra de Rosa Montero, A Louca da Casa. São 170 páginas — nem todas ainda lidas — de reflexão e auto-retracto onde a criação literária é o tema central. A paixão e a necessidade da escrita mesclam-se com a criatividade e imaginação. Brevemente.