Published on 18 de Novembro de 2008 .

TERRAS DO SEM FIM, de Jorge Amado, é uma obra polémica e que na época foi proibida nos Estados Unidos do Brasil (numenclatura de então). Num período marcado pela ausência de direitos humanos e onde imperava a ambição desmedida dos coronéis do cacau, em Ilhéus, sul da Bahia, Amado traz-nos um retrato fiel de uma sociedade que oficialmente não existia.
(…) Muito se comentava ali a fatal de religiosidade dos habitantes, as missas desertas de homens, a prostituição sendo enorme, a falta de sentimentos religiosos verdadeiramente assombrosa: uma terra de assassinos. Era pequeno, o número de padres da cidade e do município, em relação ao número de advogados e médicos. E vários desses padres se convertiam, com o correr do temppo, em fazendeiros de cacau, pouco se preocupando com a salvação das almas. Citava-se o caso do Padre Paiva, que levava sob a batina um revólver e não se perturbava se acontecia um barulho perto dele. O Padre Paiva era caudilho político dos Badarós em Mutuns, nas eleições trazia levas de eleitores, diziam que ele prometia verdadeiros pedaços de paraíso e muitos anos de vida celestial aos que quisessem votar com ele.
# Jorge Amado, Terras do Sem Fim, página 197, edição de 1942, Colecção Livros do Brasil

ROBERT NYE OFERECE-NOS, com este livro, uma estranha mas agradável viagem pela vida de William Shakespeare, contada em forma de biografia. O biógrafo, Robert Reynold (aliás, Pickleherring), um velho arrumado no sótão de um bordel em Londres, é na verdade um antigo actor da companhia de Shakespeare. Cinquenta anos após a morte do seu mestre, e com a peste a grassar a capital inglesa, Pickleherring, agora viúvo, dedica os seus últimos dias a escrever a Vida, com ele salienta, do Sr. W.S. Se o biografado é em si um complexo humano, o biógrafo não se deixa ultrapassar. A sua narrativa vai, alegremente, misturando a vida de Shakespeare com os delírios erótico-amorosos de um velho apaixonado por uma prostituta de adolescente idade, cujo quarto em que habita e atende os seus clientes fica por baixo do sótão de Pickleherring. O velho actor, que toda a vida representou papéis femininos, tanto se empolga com a lingerie da sua “puta-menina”, quanto viaja no prazer carnal através do buraco que tem no chão.
LISA T. BERGREN oferece-nos o primeiro livro de uma trilogia - Os Dotados - cuja estória decorre numa Itália (dividida em reinos), da Idade Média (1339), sob uma atmosfera de medo e paranóia da Igreja. Este romance, enquadra-se, perfeitamente na nova corrente literária cristã-romântica, em que se privilegia o cristianismo original, despido de todas as construções canónicas da igreja, e próximo do crente. Segue o texto da contra-capa:
Uma profecia ancestral ameaça as fundações da Igreja - e todos os que se atrevem a morrer pelo que acreditam…
O ano é 1339 e um segredo com meio milénio está prestes a ser exposto. Séculos antes, a Igreja compilou as cartas escritas por Paulo com outros textos para formar a fundação do cânone cristão, que acabou por se tornar a Bíblia que conhecemos hoje. Mas o que o mundo não sabe é que Paulo pode ter escrito outra carta - uma carta que fala de homens e mulheres que, embora filhos de homens, possuem dons espirituais misteriosos. Quando um monge, reivindicando inspiração divina, copiou esta missiva não canonizada - e a ilustrou com a visão magnificente de uma bela mulher, que a profecia dizia ser a primeira dos Dotados -, foi submetido a uma morte ardente.
Mas, de alguma forma, a carta sobreviveu…
Agora, gerações depois, chegou a altura de os Dotados se reunirem. A bela curandeira, o sábio sacerdote, o cavaleiro com fé suficiente para abandonar a Igreja - todos regressarão a Siena para enfrentar inimigos dentro e fora das suas próprias fileiras. Mas, à medida que os seus dons se tornam mais fortes, cresce também o poder daqueles que querem destruí-los. Têm de correr contra o tempo para encontrar os restantes Dotados e para decifrar a profecia que adivinhou a sua chegada. Pois apenas através da combinação dos seus poderes conseguirão escapar àqueles que estão decididos a destruí-los e revelar o segredo da carta que determinará o destino da Igreja… e do mundo.
«Situado na Itália, durante os dias paranóicos da Inquisição, A Carta Proibida é o resultado emocionante de uma profunda pesquisa, e deixará todos os amantes de aventura extasiados com a batalha entre o bem e o mal que se avizinha.»
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