Archive for the 'Leituras Transversais' Category

- Visão Enganosa -

A revista «Visão» faz capa com uma reportagem que promete varrer o país de comboio e mostrar o Portugal esquecido. O slogan cativante humedece também os ouvidos em spots radiofónicos. Ao engodo fiz-me às bancas e encontrei um exemplar no aeroporto de Lisboa. Os termos “publicidade enganosa” e “expectativas goradas” assentaram que nem uma luva na desfolhada da revista. São cinco páginas cheias de texto e uma mão cheia de fotografias. Esperava-se muito mais de uma reportagem de oito dias. A fotografia parece ter ficado em casa. Nota menos.

 

Opinião distribuída nas ruas (2)

Durante mais de 10 anos fui obrigado a passar a ponte 25 de Abril porque ir de transportes públicos para a zona onde trabalhava era uma tarefa altamente impossível. Esta ponte está paga à muito tempo…a portagem é um exagero e um insulto a quem lá passa para além de que é uma tortura e altamente desumano aturar as filas…eu é que devia ser pago para lá passar!! Se a classe política não nos roubasse o dinheiro que juntamos todos os meses com o que pagamos de impostos + descontos..tinhamos de certeza absoluta uma rede de transportes a sério. Tive em hong kong e fiquei parvo com a rede de transportes!! Em 2 minutos compramos um cartão “Octopus card” que custa 10€ e pode ser carregado. Dá para andar em qualquer transporte público (taxis incluídos) comer em restaurantes, compras em qualquer loja ou supermercado. Um cartão onde nem nome precisamos de dar..simplesmente incrível. Nem vou falar na qualidade das redes de transportes..ficava aqui o dia todo!! Agora o mais engraçado..o preço de cada viagem de metro..nem chega a 50 cêntimos (sendo que o metro vai literalmente…a TODO o lado). Srs políticos portugueses..aprendam com quem sabe!! Estão a brincar com o pão que metemos na mesa…

# Bruno, Lisboa in caixa de comentários do «Público online»

[image by mauro742]

Opinião distribuída nas ruas

A VII Cimeira da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), ontem realizada, em Lisboa significa antes de mais que a história avança. Objectivamente. O percurso histórico dos países irmãos de língua oficial portuguesa está-se a processar em vários teatros. Um deles desenrola-se naturalmente no âmbito da própria CPLP. A ideia da CPLP corresponde a um ideal superior. Muitos angolanos, brasileiros, cabo-verdianos, guineenses, moçambicanos, portugueses, são-tomenses e timorenses estão a trabalhar diariamente em prol deste grande ideal – um espaço de respeito solidário e de bem-estar cuja cidadania assenta na matriz linguística e numa maneira muito especial de viver a vida. A experiência histórica que todos vivemos e queremos continuar e desenvolver, entre muitos outros ensinamentos, mostra-nos que, no campo das realizações práticas, um timorense (ou qualquer outro cidadão da CPLP) e um português desencadeiam sinergias fantásticas. Susceptíveis de grandes realizações. Em todos os domínios da actividade humana. Cooperando no seio da CPLP, os oito países membros estão a construir no presente um destino colectivo: o futuro.

# Arlindo de Sousa, Viseu in caixa de comentários do «Público online»

[image by mauro742]

Coisas do Vasquinho

Vasco Graça Moura é daqueles colunistas para mim muito pouco colunáveis, particularmente em termos de política da língua portuguesa. Escreve ele assim, hoje no «Diário de Notícias»:

(…)Tem-se visto abundantemente no que respeita ao Acordo Ortográfico. Mas agora, segundo o Expresso, o Conselho de Ministros prepara-se para adoptar esta semana uma resolução lançando “as bases de uma política da língua”. (…) Mas limita-se a tomar como base um estudo coordenado pelo meu amigo Carlos Reis, cuja competência nesta matéria é, não duvido, muito superior àquela de que ele tem dado provas no tocante ao Acordo Ortográfico, mas cuja credulidade me suscita as mais sérias reservas, uma vez que, entre outras coisas, atribui a Luís Figo um papel canónico na promoção da língua portuguesa em Espanha… (…)

O certo é que ficaríamos todos bem mais sossegados se fosse conhecida a posição do Ministério da Educação, das universidades e de outras instituições e se tivesse havido uma discussão pública séria destas e de outras análises, bem como das linhas e dos critérios enunciados para as bases de uma política da língua.

Mas o Governo tem pressa. Vem aí a CPLP e ele quer ter alguma coisa para mostrar, com o picante de pretender agora lançar as bases de uma política da língua sem auscultação dos restantes países interessados… Não tem emenda, repito. (…)

(…) O Governo português, tão encrençado em TGVs, afinal estará disposto a deixar agachadamente que o Brasil seja “a locomotiva fundamental do processo” e “o grande interlocutor no universo da língua portuguesa para África”? Para África?

[link]

Há duas ideias essenciais sobre as quais Vasco Graça Moura não faz a menor ideia do que fala: a premência do acordo ortográfico e a visibilidade e abertura do governo brasileiro face aos países africanos. É natural, contudo, que assim seja, afinal VGM permanece agarrado ao paradigma de uma lusofonia quinhentista.

[image by Nathan Moody]

Dizem dos blogues

No lugar do pequeno cadeado, uma senha. Ao invés de clipes segurando penduricalhos de valor afetivo, links para as memórias preferidas: páginas de amigos, álbum de fotos, sites interessantes. O diário dos anos 80 e as agendas estufadas da década de 90 são parte de um passado sem internet. Hoje, o desabafo é virtual, via blog, mas sua finalidade é a mesma de antigamente: oferecer espaço para angústias pessoais que só abandonam uma mente inquieta quando se transformam em letras. [continuar a ler artigo de Giuliana Reginatto]

Falou e Disse

Mário Soares assina uma interessante crónica no «Diário de Notícias». A meio caminho afirma o seguinte:

Claro que a crise global não é só energética e alimentar - as duas que mais afectam os cidadãos comuns. É também política, financeira, económica, social e ambiental. Uma crise de civilização, estrutural, que teve o seu epicentro na América de Bush - que está a chegar ao fim do seu mandato - e que começa a repercutir-se na Europa e nomeadamente na nossa vizinha Espanha.

Vai chegar cá. Ninguém tenha ilusões. As pessoas conscientes estão a perceber que é inevitável que assim aconteça. Mas é preciso fazer-lhes frente, com coragem, inteligência e bom senso. É, por isso, que todos começaram a manifestar preocupações sociais (que muitos antes não tinham) e ninguém já se atreve a reclamar - como no passado recente - “menos Estado”, “mais privatizações de sectores públicos” e a apostar na globalização neoliberal, cujos desastrosos resultados estão à vista. [link]

Maio de 68: a Revolução que não volta!?

Transcrevo um excelente artigo do «Público», assinado por Miguel Gaspar:

A Paris de 1968 viveu a valsa dos mil tempos possíveis, como a canção de Brel. Se fosse possível acontecer outro, seria, como há 40 anos, uma reinvenção de todas as palavras possíveis.

Continue reading ‘Maio de 68: a Revolução que não volta!?

O Gato que Lia e Falava

(…) Na verdade, porém, o 25 de Abril parece agradar a cada vez menos gente. Há autores para quem o Salazarismo não foi um fascismo, e outros para quem o 25 de Abril não foi exactamente uma revolução. O que faz com que, aparentemente, na frase «25 de Abril sempre, fascismo nunca mais», não haja nada que se aproveite. Nem o 25 de Abril foi 25 de Abril, nem o fascismo foi fascismo.

E por isso, amanhã, numa data que, pelos vistos, não chegou a ocorrer, comemora-se a nossa libertação de um opressor que, ao que me dizem agora, nunca existiu. Até parece mais bonito assim, não parece? Parece.

#Ricardo Araújo Pereira in «Visão» [+].

O Outro País de José Sócrates

Portugal vai ser ultrapassado pela Estónia e pela Eslovénia já este ano em riqueza produzida por habitante. É uma história triste que, desde 2005 – quando fomos ultrapassados pela Grécia – se tornou demasiado repetitiva para surpreender.

Pedro Marques Pereira, editorial do “Diário Económico”, 29 de Abril de 2008

A Dama de Lata

A candidatura de Manuela Ferreira Leite começa a aparecer, graças ao espaço que tem ocupado nos media portugueses, como uma espécie de «salvação partidária», quando na verdade o sucesso de Ferreira Leite não deverá ir muito além do que a mera consolidação de facções internas. Vale a pena ler o que Joana Amaral Dias escreveu na última «Sexta ».