
TOMEI A DECISÃO de recuperar alguns textos que escrevi na blogosfera ao longo do tempo e que não se encontram neste espaço. A cronologia é aleatória. O princípio é o da relevância e qualidade. Fica para o futuro. Facilitará quem um dia quiser conhecer as minhas ciberescritas. De resto será notória uma evolução na escrita. A maturidade vem da prática. Felizmente.
Classificar o século XX todo?
O último acto do presidente do IPPAR foi seleccionar 40 edifícios do século XX, e colocá-los em processo de “em vias de classificação”.O processo é no mínimo duvidoso. Classificar 40 edifícios como imóveis é colocar o século XX como um século acima dos outros, sobrevalorizar o período histórico passado, sobre todos os outros períodos da história.
Se se começar a classificar todo o património do século passado o mais provável é que as zonas de protecção automática (de 50 metros) se toquem, o que quer dizer que estar-se-ia nos casos da Inglaterra e Escócia, países interessados na preservação no património arquitectónico, a classificar todo um país. Além do mais todo este processo é uma banalização do acto de classificação.
Qual o futuro? Classificar todos os bairros típicos de Lisboa? Se sim, que noção sobra de património?
# Sexta-Feira, 21 de Outubro de 2005, blogue «Conotações Independentes»

ATRAVESSAMOS UM PERÍODO de crise económica e dos sistemas capitalista e neoliberal, themselfs. Os dilemas socias permanecem matéria de preocupação política e devem sempre fazer parte da agenda pública. Todavia, acredito que já se alongou demais o debate sobre o casamento homossexual, pelo menos por aqui. As lutas sociais e os códigos de leitura do real permanecem intactos. O Kontrastes.Org entrega-se a outras lutas. Pontualmente, se tal for pertinente, poderei voltar ao tema. Para já fica arrumado. Entrego a pasta a Eduardo Pitta. Fica mais bem entregue. Em todo o caso, embora seja um tema social, não é uma luta minha.
Published on 22 de Setembro de 2008 .
A IGUALDADE sempre estimulou a engrenagem da história, muito mais do que a Liberdade, diz Alexis de Tocqueville em «A Democracia na América». Se a Liberdade é apaixonante então tem maior valor para o espírito do que para a experiência social prática, muito mais feita de complexos jogos de poder, de decisões imediatas e de mecanismos inconscientes. A experiência social é uma vida feita dela mesma. Sabemos que desde os primórdios da humanidade, com as sociedades feitas de códigos simples, a luta por uma situação de dominação sempre esteve presente. É como se o poder e a liderança andassem atrelados ao próprio existir. Portanto, se o Homem sempre lutou por posições dominantes, criando assim a dicotomia dominador/dominado, então o conceito de Igualdade não lhe é natural.
»» “Da Igualdade e da Inveja”, in «A La Gauche» [leitura integral]
O início da participação de Isabel Salema Morgado no «A La Gauche», redespertou o interesse da escrita por aqueles lados. Escrevi ontem assim:
CURIOSAMENTE hoje pensava nisto das agregações simbólicas. Porque razão havemos de limitar a nossa existência a agrupamentos sociais tipificados? Porque motivo a experiência humana de interacção social requer que haja uma integração medida em termos de grupos de pertença e grupos de referência? Porque nos condicionamos, nos auto-aniquilamos, em função de certas estruturas pré-estabelecidas e às quais vamos cedendo a nossa identidade em bruto? [continuar a ler]
A aproveitar a silly season da melhor maneira possível - a meio gás com a crise financeira geral e climática - faço uma escapadinha ao ciberespaço para deixar esta notícia: “a pobreza no Brasil continua a diminuir“. Duas perguntas: o que têm a dizer os críticos do governo Lula? Afinal qual dos países é do terceiro mundo, Portugal ou Brasil? Think about it.
Vou até lá e já volto. Se der escrevo de lá.
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