Archive for the 'Intranet' Category

956|Escavações Arqueológicas

TOMEI A DECISÃO de recuperar alguns textos que escrevi na blogosfera ao longo do tempo e que não se encontram neste espaço. A cronologia é aleatória. O princípio é o da relevância e qualidade. Fica para o futuro. Facilitará quem um dia quiser conhecer as minhas ciberescritas. De resto será notória uma evolução na escrita. A maturidade vem da prática. Felizmente.

Classificar o século XX todo?

O último acto do presidente do IPPAR foi seleccionar 40 edifícios do século XX, e colocá-los em processo de “em vias de classificação”.O processo é no mínimo duvidoso. Classificar 40 edifícios como imóveis é colocar o século XX como um século acima dos outros, sobrevalorizar o período histórico passado, sobre todos os outros períodos da história.

Se se começar a classificar todo o património do século passado o mais provável é que as zonas de protecção automática (de 50 metros) se toquem, o que quer dizer que estar-se-ia nos casos da Inglaterra e Escócia, países interessados na preservação no património arquitectónico, a classificar todo um país. Além do mais todo este processo é uma banalização do acto de classificação.

Qual o futuro? Classificar todos os bairros típicos de Lisboa? Se sim, que noção sobra de património?

# Sexta-Feira, 21 de Outubro de 2005, blogue «Conotações Independentes»

895| Encerrar de Assunto

ATRAVESSAMOS UM PERÍODO  de crise económica e dos sistemas capitalista e neoliberal, themselfs. Os dilemas socias permanecem matéria de preocupação política e devem sempre fazer parte da agenda pública. Todavia, acredito que já se alongou demais o debate sobre o casamento homossexual, pelo menos por aqui. As lutas sociais e os códigos de leitura do real permanecem intactos. O Kontrastes.Org entrega-se a outras lutas. Pontualmente, se tal for pertinente, poderei voltar ao tema. Para já fica arrumado. Entrego a pasta a Eduardo Pitta. Fica mais bem entregue. Em todo o caso, embora seja um tema social, não é uma luta minha.

- Textos A La Gauche [4] -

A IGUALDADE sempre estimulou a engrenagem da história, muito mais do que a Liberdade, diz Alexis de Tocqueville em «A Democracia na América». Se a Liberdade é apaixonante então tem maior valor para o espírito do que para a experiência social prática, muito mais feita de complexos jogos de poder, de decisões imediatas e de mecanismos inconscientes. A experiência social é uma vida feita dela mesma. Sabemos que desde os primórdios da humanidade, com as sociedades feitas de códigos simples, a luta por uma situação de dominação sempre esteve presente. É como se o poder e a liderança andassem atrelados ao próprio existir. Portanto, se o Homem sempre lutou por posições dominantes, criando assim a dicotomia dominador/dominado, então o conceito de Igualdade não lhe é natural.

»» “Da Igualdade e da Inveja”, in «A La Gauche» [leitura integral]

- Textos A La Gauche [3] -

OBVIAMENTE QUE O TECIDO SOCIAL se apresenta regulamentado pelos chamados «universais culturais», que mais não são que estruturas simples ou de base que - encontráveis em todas as sociedades humanas - tendem a fazer funcionar o mecanismo do todo social, dando-lhe coerência. No fundo, são normativas. Esses universais culturais (como a hierarquização social, os ritos iniciáticos ou os papéis sociais) são forças inconscientes que modelam as experiências humanas, desde as mais elementares às mais complexas. Estes universais - porque são isso mesmo - não pressupõe teses contrárias. Eles são anteriores às próprias teses, porque são a base onde as teses se vão desenvolver, como uma folha onde vão estar escritas palavras. As palavras variam mas as folhas brancas são universais. ()

- Textos A La Gauche [2] -

PESEM OS GRANDES AVANÇOS do último século, as assimetrias sociais permanecem como características das nossas sociedades - marca que as sociedades ocidentais ainda não foram capazes de suprimir -; essas assimetrias, embora relativizadas pelo capitalismo em certos casos, foram também tornadas produto de uma manifestação anti-capitalista, que esqueceu ou optou por esquecer que a hierarquização social sempre foi modelada pela distribuição e acesso à riqueza, e que tão-pouco é um fenómeno moderno. Aliás, a estratificação social começa agora a ser desconstruída, rasgada, pelas possibilidades de ascensão e mobilidade sociais. [continuar a ler]

- Textos A La Gauche -

O início da participação de Isabel Salema Morgado no «A La Gauche», redespertou o interesse da escrita por aqueles lados. Escrevi ontem assim:

CURIOSAMENTE hoje pensava nisto das agregações simbólicas. Porque razão havemos de limitar a nossa existência a agrupamentos sociais tipificados? Porque motivo a experiência humana de interacção social requer que haja uma integração medida em termos de grupos de pertença e grupos de referência? Porque nos condicionamos, nos auto-aniquilamos, em função de certas estruturas pré-estabelecidas e às quais vamos cedendo a nossa identidade em bruto? [continuar a ler]

Just to say…

A aproveitar a silly season da melhor maneira possível - a meio gás com a crise financeira geral e climática - faço uma escapadinha ao ciberespaço para deixar esta notícia: “a pobreza no Brasil continua a diminuir“. Duas perguntas: o que têm a dizer os críticos do governo Lula? Afinal qual dos países é do terceiro mundo, Portugal ou Brasil? Think about it.

Segue dentro de momentos…

 

[image by SheilaTostes]

Arouca

Vou até lá e já volto. Se der escrevo de lá.

Cadência do Tempo, os limites do poder autárquico

O poder autárquico tem uma lógica que difere, temporalmente, da gestão pública estatal. O grande poder central, pela sua visibilidade, está sujeito à pressão do imediato. Ao contrário do poder autárquico, cuja aplicação de medidas públicas requer uma maior baliza temporal. Ao mesmo tempo, a concepção de participação cívica é amplamente mais limitada quanto mais para o interior do país avançamos. Regra geral. É precisamente por esses dois factores — aplicação temporal da gestão pública e falta de alternativa política — que é possível encontrarmos inúmeras autarquias cujos presidentes se mantém no poder por mais de uma década.

Se por um lado a manutenção no poder por um período alargado de tempo significa um maior conhecimento das limitações e potencialidades locais, por outro significa negativamente um esgotamento de ideias e projectos. E esta última constatação é mais importante quanto maior é a baliza temporal que abarca e quanto maior for o clima de aquiescência, de aceitação inconsciente dessa mesma realidade. Há um status quo autárquico que mais do que fazer prevaler lógicas tradicionais locais, limita a modernização.
# O meu texto de hoje, no «Alternativa B»