Published on 22 de Setembro de 2008 .

::Quim naquilo que é bom: ir ao fundo das redes:
SE ESTE É o melhor guarda-redes português prefiro não saber quem é o pior. É que marcar quatro e sofrer três não augura nada de bom. Digo isto já a pensar na selecção. Saiu Ricardo e ficou Quim. Ela por ela, a história mantém-se.
Published on 11 de Setembro de 2008 .

VITÓRIAS MORAIS é talvez o segundo nome da selecção nacional. Não afirmo que tenhamos, com a derrota de ontem, regressado a esse estado desportivo, afinal durante o período Scolari essas vitórias mantiveram-se (derrota em casa na final do Euro’04, derrota nas meias-finais do Mundial ‘06), camufladas por um jogo mediático em torno de um seleccionador arrogante e sensacionalista. Ficarmos às portas do céu sempre foi um comportamento natural da selecção nacional. Não creio haver dúvidas. Certo é que mais vale perder nesta fase do que no final e esperar pela derrota de x e do empate de y, as nossas tradicionais contas, que derivam muito mais de culpa própria - falta de empenho - nos jogos tidos “a feijões”.
OUTRO DEFEITO congénito português é a lógica prevalescente dos «lugares cativos», que não só diminuem mentalmente a selecção como em termos práticos fomenta as exibições medíocres. As exibições de Simão, Raúl Meireles, Quim e Nuno Gomes são sinal disso mesmo. Carlos Queirós afiançou que com ele não haveriam lugares cativos, parece que prometeu o que não pretende cumprir.
A FINALIZAÇÃO, por seu turno, permanece outro dos grandes males portugueses. Não há na selecção um avançado de referência. Aliás, Pauleta não foi o último grande avançado mas antes o primeiro dos assim-assim. A escola de pontas-de-lança não funciona. Nuno Gomes, Hugo Almeida, Hélder Postiga, Makukula ou João Tomás, não têm lugar nesta selecção, ou melhor, têm porque os restantes são ainda piores. Basta olharmos os atacantes dos três grandes portugueses e verificamos que nenhum é português (Nuno Gomes não conta porque não faz golos). Quando não há Cristiano Ronaldo, não há golos. Se olharmos o jogo de ontem concluímos com naturalidade que uma selecção que se quer campeã não se pode dar ao luxo de atacar vinte vezes e fazer um golo. Não há campeões assim, ou talvez haja, são os campeões morais. Desses não reza a história.
Published on 11 de Setembro de 2008 .

SE O PÚBLICO já se apresentava como um jornal deficitário em termos desportivos (lentidão na informação e precaridade da mesma), agora junta também a leitura pouco razoável dos jogos de futebol. Afirmar que a derrota puniu uma boa exibição é, no mínimo, desajustado. Se aquilo foi uma boa exibição prefiro não estar lá para ver uma má. Quero o dinheiro do bilhete de volta.

A RAÇA DOS QUE CONQUISTARAM feitos maiores do que permitia a força humana, terá se extingido no tempo. Ficou lá para trás, arrumada na estante da história. Hoje somos o país medíocre, que faz tudo assim-assim, sem espírito empreendedor, sem quadro mental. Isso nota-se particularmente no futebol. Scolari não acabou com esse estado de promessas adiadas, continuou a deixar-nos às portas do céu, fê-lo foi com um discurso que embriagou a população: perdemos uma final de um campeonato europeu em casa e perdemos nas meias-finais do campeonato do mundo. Se isto não é ficar às portas do céu, pelo menos glória não é certamente! A derrota dos sub-21, ontem, diante da Inglaterra é prova da falta de atitude mental dos jogadores nacionais, a entrega a um sentimento de fatalidade. A mentalità continua o nosso calcanhar de Aquiles.
Seja ela qual for, a Selecção nacional com Queirós será outra coisa, pelo menos promete ser assim. Para já Ricardo fica fora dos convocados. Já não era sem tempo.

Luis Filipe Scolari diz adeus à selecção nacional pondo fim a uma experiência com altos e baixos e bastantes traumas. Em jeito de conclusão Scolari uniu os portugueses em torno do futebol e deixou-nos sempre às portas do céu. Jamais serei capaz de engolir a derrota com a Grécia na final do Euro 2004. Acima de tudo Scolari gozou de uma aceitação generalizada, nunca antes atribuída a um seleccionador português. Quando ele diz que não se justifica toda a gente aceita, quando ele perde é sempre um vencedor, quando ele erra é natural, quando ele fala é lei. A imprensa, provinciana, sempre foi conivente com os seus métodos e escolhas. A forma como sai da selecção - com uma eliminação que marca um sem fim de erros repetidos (já deveríamos conhecer a Alemanha de “gingeira” - repõe a veracidade do seu trabalho.
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Scolari mantém firme a sua teimosia de não apresentar justificações relativamente às convocatórias. Minutos atrás reforçou a ideia, ao não explicar a ausência de Maniche da lista de convocados para o Euro’08. Fica ainda por saber porque Nuno Gomes, por exemplo, integra o lote de eleitos, depois de uma época pelo menos muito pouco produtiva. A resposta está subjacente: a escolha é pessoal não desportiva.
Seria aquela que Scolari deveria ter, pelo menos no que se refere à sua “existência” enquanto treinador. Sempre fui claro e inequívoco em relação ao seleccionador nacional: desde o primeiro dia que não aprovo a sua contratação. Aliás, desde a selecção brasileira que não o tenho em grande consideração enquanto profissional. No que concerne à convocatória para o Euro’08 as contas são feitas não em função do desempenho dos jogadores mas em função da qualidade da sua relação com o seleccionador. Aquela selecção será sempre a selecção dos amigos de Scolari e não a selecção nacional. Até quando?
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