Depois de milhares de portugueses terem feito a festa nas ruas de Lisboa no seguimento da derrota com a Grécia na final do Euro’04 - quando deveriam ter ficado escondidos em casa com vergonha - eis que chega a vez dos alemães repetirem a incoerência. Parece-me sintomático, ainda não sei bem do quê: se da satisfação mediana, se da necessidade de exteriorização de turbilhões de emoções causadas pela crise global. Tinha a ideia que se festejavam as conquistas não as derrotas.
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Sentei-me, vinte minutos antes do apito inicial, no sofá. Camisola de Casillas vestida e a ansiedade natural de que acima de tudo deseja o pior à selecção alemã. A esse desejo junta-se a certeza de que a Espanha seria (e é) o mais justi vencedor. Pela proximidade de estilo de jogo, a selecção espanhola é, como já disse antes, aquilo que a selecção portuguesa quer ser quando for grande: pragmática, coesa, determinada, dinâmica, com um guarda-redes a sério e avançados que conhecem o significado de «finalização».
Num Europeu fraco, em que as mais talhadas equipas ficaram pelo caminho, a Espanha é uma justa vencedora, pela continuidade exibicional e pela humildade pragmática - soube não cair em euforias típicas lusitanas. A Espanha sucede à Grécia (vergonha nossa) como campeã europeia. Uma campeã mais justa, mais verdadeira, mais real. Hay que tenerlos!

Recordam-se de eu ter falado numa Rússia obra do acaso? Pois bem, aqui está a prova. A Rússia fica pelo caminho e a Espanha apresenta os argumentos para levar a taça para casa. Exibição personalisada, coerente, com boa dinâmica de jogo… em suma, a selecção espanhola é tudo aquilo que Portugal quer ser quando for grande.

Depois da derrota de Portugal diante da Alemanha e da também surpreendente eliminação da Croácia pela Turquia, hoje foram os holandeses a ficarem pelo caminho. Pessoal e globalmente, a Holanda era tida como favorita, até porque chegava aos quartos-de-final sem mácula, apresentando um futebol estupendo. No entanto, as surpresas acontecem, e a Rússia de Guus Hiddink, seleccionador nacionalidade holandesa, ofereceu o “milagre russo” aos adeptos. A pergunta que,obviamente, se impõe é: será esta vitória e exibição obras do acaso, isto é, um acontecimento isolado, ou teremos uma Rússia madura até ao fim?
Portugal perdeu ontem diante da Alemanha. A derrota não foi todavia uma novidade, nem tão-pouco acabou com uma esperança, com o sonho talvez. Porque a grande essência do sonho é a sua difícil realização. A derrota e a consequente eliminação expôs, a nu, a realidade da selecção nacional: fracas alternativas na baliza, defesa inconstante e cada vez mais dependente de Pepe, meio-campo centrado em Deco (correr por um contrato) e uma frente de ataque presa ao futebol de Cristiano Ronaldo, e acima de tudo espelha a fraca capacidade de gestão de Scolari. Tristes os que sempre se iludiram. Manteve-se também a tradição da época Scolari, sempre que Portugal se encontra a perder não é capaz de dar a volta ao resultado. Causas? Do banco não saem soluções. Scolari é um treinador que se esgotou no tempo, as suas substituições não têm nada de alterações tácticas ou de resposta a estímulos do jogo. Limita-se a retirar um avançado e colocar outro avançado, e por aí fora. Só essa incompetência justifica a substituição de Moutinho por Meireles num momento em que estava a perder por 2×0, para depois retirar o Petit e fazer entrar Postiga e Nuno Gomes dar lugar a Nani. Tardias e sem leitura de jogo. Quanto a Ricardo…para quando no banco?
Adeus Scolari, finalmente!
Portugal defronta amanhã, em Basileia, a Alemanha, num jogo a contar para os quartos-de-final do Euro 2008. Se Cristiano Ronaldo se afirma confiante já Nuno Gomes diz não gostar do novo relvado. Como ele não marca golos, de maneira nenhuma, pode ser que o desagrado funcione como psicologia invertida.

A Itália venceu a França, dando razão aos que afirmam que a história se repete. Se o futebol também é uma roleta cíclica então os franceses ganharam um ódio de estimação: a Itália. Desportivamente, claro. À excepção da brilhante Holanda, o “grupo da morte” foi na realidade o “grupo do aborrecimento”. Paupérrimas as selecções transalpina e gaulesa. Uma França à procura de si mesma, desestruturada e muito mal comandada por um arrogante sem nexo, Raymond Domenech, e uma Itália inconsistente, órfã de um organizador de jogo com a ausência de Totti. Vêm aí os quartos-de-final, sem grande promessa de brilhantismos.

Franck Ribéry, internacional francês, admitiu o mais óbvio: Zidane faz muito falta à selecção francesa. Dizer o contrário seria negar o óbvio. Durante uma década a selecção gaulesa viveu de um colectivo bem estruturado mas comandado por um cérebro raro de origem argelina. Zidane pensava e executava mais rápido que os outros. A herança do camisa 10 continua por encontrar legítimo herdeiro. Toulalan é um jogador de qualidade mas nem nos melhores dias se compara a Zidane. Zinédine Zidane era diferente.

Esqueçamos o golo mal anulado e o penalty por marcar, isso é relativo. O que fica da derrota com a Suíça são duas constatações fundamentais: por um lado que a UEFA não queria - por todos os meios - que a co-anfitriã saísse da prova sem uma vitória simbólica; por outro lado, a selecção nacional precisava desta derrota por forma a relembrar as fragilidades naturais que os resultados positivos têm diluído. Escasseiam alternativas credíveis ao núcleo duro (núcleo duro esse que muitas vez se resume ao empenhamento de 4/5 jogadores) e carecem de preparação as modificações apresentadas. Nunca como antes a selecção se apresentou como um conjunto de jogadores, ao “molho”, e não como uma equipa. E o burro sou eu?

A Itália, campeã do mundo em 2006, continua a comprovar que é desilusão. O empate com a Roménia espelha não só que a Roménia (1×1) é a segunda mais forte do grupo mas também que a Itália está muito longe dos seus níveis habituais, tornando-se banal. No outro jogo do grupo, o mais esperado do dia, a Holanda espremeu a França e acompanhou com croissant (4×1). Kuyt, Van Persie, Robben e Sneijder destruiram a estrutura francesa que quase assustou, com o golo de Thierry Henry. Fantástico!




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