A PRECARIEDADE ESTÁ na ordem do dia, impulsionada para a agenda pública e mediática pela crise financeira cujas repercussões começam a fazer-se sentir, particularmente nas famílias presas a empréstimos bancários e às tradicionalmente mais afectadas pela crise: classes baixas ligadas a situações de emprego instável. Se Portugal tem conseguido reduzir o índice de pobreza (que é previsível que volte a sofrer abalos com a actual situação de crise) também é verdade que as desigualdades sociais são grosseiras. O desnível na distribuição de rendimentos pelos cidadãos, coloca o país no terceiro lugar (atrás da Turquia e do México) da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), segundo avança o Público. As duas últimas décadas têm feito aumentar as desigualdades de rendimento e o número de pobres e a precariedade tem-se deslocado para as crianças e jovens, para quem o futuro é cada vez menos risonho. O cada vez mais eminente malogro da democracia de mercado, neoliberal portanto, abre espaço a discursos nacionalistas-extremistas. As vagas e as contra-vagas democráticas andam associadas à estabilidade social, que nos países ocidentais está dependente da estabilidade do sistema financeiro. Brevemente vão retomar o discurso de apelo ao «Estado Providência».
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A CRISE, quando é real, nunca vem só. O desemprego acentuado tem sido um calcanhar de Aquiles para os governos europeus nos últimos anos, Portugal, sem ser excepção tem um quadro ainda mais negro. A crise que se atravessa e promete engrossar parece talhada a atirar de pantanas a estabilidade da sociedade gerada após a II Guerra Mundial. Os resíduos de 1929 batem à porta. Serão 20 milhões de novos desempregados a contabilizar um total de 210 milhões (Público). São números assustadores. A realidade, vivida, é bem pior.
MARSEILLE FOI O PALCO escolhido para debater a pobreza e a exclusão social na União Europeia. Apesar da significativa evolução das últimas décadas, a verdade é que ainda existem 78 milhões de pessoas a viver sobreviver com as possibilidades mínimas (Público). Os números são gritantes e indicam que há ainda muito por fazer na zona do globo onde os padrões de qualidade de vida são elevados e se referem não só ao consumismo capitalista americano, mas também a uma tradição cultural e artística intensa. Os resultados alcançados são relativos. Portugal - a par da Holanda, Malta e Irlanda - apresenta resultados positivos, reduzindo o índice de pobreza de vinte e um (21) para dezoito (18) por cento. Apesar das melhorias nestes quarto países a verdade é que muitos mais têm sofrido recuos significativos, entre eles países vitais no aprovisionamento da qualidade de vida e na estabilidade financeira europeias, como sejam a Alemanha, a Dinamarca, a Finlândia, a Itália ou a Suécia. Esta situação indica o lento e quase transparente processo de recuos na igualização das condições de vida e de acesso europeias. Se um punhado de países consegue reunir a quantia de 1700 mil milhões de euros para salvar o sector bancário, então é possível fazer muito mais pela pobreza e exclusão social. A Europa, velha guarda do pensamento, precisa repensar a sua autonomia decisória e auto-suficiência. Urgently.
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MARÇO DE 2009. Só nesta altura estará concluída a investigação a uma concertação de preços dos combustíveis pela Autoridade da Concorrência, segundo Manuel Sebastião, Presidente da referida entidade em declarações ao Parlamento (Público). Até lá entrega-se ao mercado a lógica oligárquica. E como vem aí o Inverno, umas luvas calham sempre bem.
A CRISE QUE SE APODERA da parte ocidental do globo, hemisfério norte, poderá regular, nos próximos tempos, o mercado de consumo festivo e a própria instituição «férias», à medida que as empresas vão perdendo a capacidade de cumprir com a norma contratual de pagamento dos subsídios (Público). O natal deste ano, creio, será menos marcado pelo afã das compras correntes. É o regresso ao aconchego do lar e à seia remediada?
A CONCORRÊNCIA sempre representou uma espécie de garante (excluindo a concertação de preços) de democratização dos preços e dos bens de consumo, servindo de motor à dinâmica comercial de um mercado. As comunicações móveis, em especial o telemóvel, constitui-se como um mecanismo fundamental da vivência social e da própria gestão da vida empresarial, tornando-se num prolongamento dos órgãos sensoriais. Por essa razão, é fundamental promover uma livre concorrência de serviços móveis. Nesse sentido a Autoridade Nacional das Comunicações aceitou, esta segunda-feira a proposta da RNT, uma empresa detida pela britânica Telephony Holdings e pela Radiomóvel, ao concurso do quarto operador móvel (JN). Tal facto vem reforçar a ideia de que Portugal é um país de serviços, ao mesmo tempo que promove a massificação das comunicações móveis.
CAVACO SILVA diz que Portugal atravessa um período difícil que não é possível disfarçar (Público). Ao mesmo tempo que passava um atestado de dúvida ao governo de José Sócrates, que afinal não governa um país porreiro, Cavaco deu um tiro no próprio pé, ao falar do endividamento externo, facto que começou a ser contraído com a sua governação, num período marcado por um pensamento neo-liberal fresco e utópico, em que os dinheiros provenientes da adesão à então CEE pareciam não ter fim. Cavaco entregou o dinheiro aos comparças das indústrias nortenhas que aproveitaram os milhares em caixa e investiram no bem-estar e conforto. A saloiada portuguesa esqueceu o desenvolvimento. Ser primeiro-ministro com o dinheiro dos outros foi fácil. Recordar a adesão à comunidade europeia e apontar antecedentes da crise, vale o que vale. No fundo, mudam-se os governos e a infrutividade é a mesma.
AS PETROLÍFERAS nacionais ajustaram os valores dos combustíveis. Para cima. Os ajustamentos de preço tendem sempre a acontecer mais depressa para cima do que para baixo (Público). É a lógica das fortunas que se fazem nas variações de valores. O «mercado», sempre ele, serve de pano de fundo às políticas monetárias da Galp. Fazer descer o preço em Portugal, em consonância com os restantes mercados europeus, só será possível com recurso ao saca-rolhas.
A CRISE DO SISTEMA CAPITALISTA afecta as principais instituições políticas, económicas e sociais europeias. O novo mundo construído após a II Guerra Mundial, cujos alicerces de liberdade e democracia sustentam uma filosofia de vida simultaneamente consumista, moderna e culturalmente rica, parece enfraquecido. A crise é um problema conjugado da União Europeia, e só conjugado parece possível de ultrapassar. Obviamente estamos dependentes dos choques financeiros dos Estados Unidos, todavia a Europa precisa de encontrar mecanismos de resposta à crise, salvaguardando a sua própria soberania. Jean-Claude Trichet, presidente do BCE, prefere alarmar do que deixar fluir as últimas consequências (Público).
FAZ POUCOS DIAS A ASAE garantiu que não existiam produtos lácteos de ascendências chinesa em Portugal. A afirmação, precipitada, chocou com a investigação do «Público» que por mera sorte, diriam eles, encontrou leite chinês à venda na cidade do Porto. Depois do erro vem o acerto. A correcção transformou o nada em quatrocentos (400) quilos de produtos contendo leite chinês e sete mil e quinhentos (7500) quilos de produtos alimentares mal rotulados e fora do prazo de validade (Público). Parece que a verdadeira justiça tarda mas chega. Resta agora controlar as importações em superexcedente.





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