A aproveitar a silly season da melhor maneira possível - a meio gás com a crise financeira geral e climática - faço uma escapadinha ao ciberespaço para deixar esta notícia: “a pobreza no Brasil continua a diminuir“. Duas perguntas: o que têm a dizer os críticos do governo Lula? Afinal qual dos países é do terceiro mundo, Portugal ou Brasil? Think about it.
Archive for the 'Política à portuguesa' Category

Fátima Campos, presidente da Junta de Freguesia do Monte Abraão, é uma política “popularuxa”. Gosta de aparecer e tem muito sentido de gestão pública muito prático: rouba-se a uns para dar a outros. São circunstâncias. Obviamente que o caso REN, que ainda está por comprovar a teoria de perigo público, serviu acima de tudo para promover a imagem de FC e alargar os seus horizontes: há quem diga que ela suspira pela Câmara de Sintra. A derrota pode quebrar o ímpeto.
[image by sound mind]
Existem certos atrasos que são compreensíveis e naturais, muitas vezes causados por problemas alheios à própria estrutura empresarial ou estatal. Outros, que afectam directamente a estabilidade social, já não merecem a dúvida razoável. Porque há atrasos e atrasos, e permitir a libertação de presos por incapacidade de realização dos exames psicológicos dentro do tempo legal, é extremamente grave. Mas pronto, segue o país porreiro.
Segundo leio no «Público online» a Ponte 25 de Abril não será paga durante o mês de Agosto. Isto é alguma espécie de preenchimento do vazio noticioso ou trata-se de uma viagem pelo túnel do tempo? É que apesar do governo “socialista” (?) de José Sócrates ter colocado em hipótese o pagamento de portagem durante este período, a realidade é que o tráfego durante o mês forte de férias é gratuito desde 1996.
A distinção entre esquerda e direita, ideologicamente, alicerça-se em interpretações sociais como o acesso à saúde, à escolaridade, a mobilidade social, o património cultural, a liberdade religiosa, a liberdade sexual, as migrações e as etnias. São imagens-centrais dos discursos possíveis. Todavia, a esquerda carrega um cliché que a condiciona e a torna, muitas vezes, irracional: o valor supremo da defesa das minorias étnicas. Ao invés de analisar o sujeito pelo sujeito, sem diferenças e sem etnicidade, a esquerda simplista cai no erro de ler o real a partir da ideia de racismo e xenofobia. Quem na esquerda condenar os acontecimentos da “quinta da fonte” sem usar a lente da desculpabilização racial é mal-entendido por essa esquerda. No entanto, é precisamente essa esquerda que mantém o status quo do discurso racial, ao fazer prevalecer o discurso da vitimização. Conhecem a expressão “vai trabalhar, malandro!”? É por aí.
# originalmente publicado [aqui]

Luís Filipe Menezes apela a uma coerência no seio do PSD - não estará a exigir demais? - ao afirmar a urgência de avançar com os grandes investimentos públicos que Manuela Ferreira Leite, agora líder dos «sociais-democratas» coloca em causa. O bailinho da madeira (expressão que vem mais a propósito se juntarmos Alberto João Jardim) tem pormenores curiosos e deixa o PSD a meio caminho entre a contradição e a manutenção da leitura irreal da realidade. Os investimentos públicos colocam o país na rota da modernidade tecnológica, é certo, mas ter um TGV para o qual não existe uma população capaz de o usufruir é uma má política. As deficiências sociais são cada vez maiores, o endividamento familiar é uma negra realidade, a incerteza mina as perspectivas de futuro. Progresso com rodas de bicicleta?
[imagem daqui]

O «Movimento Mérito e Sociedade», criado pelo dinâmico e motivado Professor Eduardo Correia, lançou uma petição online a favor de um IVA mais justo. Se concorda com a iniciativa assine aqui.
A medida é potencialmente polémica. A interdição dos diplomatas exercerem actividades políticas extra-muros do disposto na carreira é uma iniciativa necessária uma vez que prevê conflitos de interesses. Isto, tratando-se de diplomatas em exercício. Expandir a medida a ex-diplomatas ou a diplomatas sabáticos já é conflituante. Ao extingir o cargo, a emissão de comentários sobre a política externa poderá ser uma mais valia em termos de formação da opinião pública, capacitando-a para a formação geral da política externa portuguesa. Deixemos os office secrets.
Enquanto se multiplica a insatisfação generalizada face ao governo de José Sócrates, perante uma realidade mais escura que o blogue «A Razão tem sempre cliente», eles há que continuam o seu diálogo surdo-mudo empunhando uma bandeira rasgada.
O poder autárquico tem uma lógica que difere, temporalmente, da gestão pública estatal. O grande poder central, pela sua visibilidade, está sujeito à pressão do imediato. Ao contrário do poder autárquico, cuja aplicação de medidas públicas requer uma maior baliza temporal. Ao mesmo tempo, a concepção de participação cívica é amplamente mais limitada quanto mais para o interior do país avançamos. Regra geral. É precisamente por esses dois factores — aplicação temporal da gestão pública e falta de alternativa política — que é possível encontrarmos inúmeras autarquias cujos presidentes se mantém no poder por mais de uma década.
Se por um lado a manutenção no poder por um período alargado de tempo significa um maior conhecimento das limitações e potencialidades locais, por outro significa negativamente um esgotamento de ideias e projectos. E esta última constatação é mais importante quanto maior é a baliza temporal que abarca e quanto maior for o clima de aquiescência, de aceitação inconsciente dessa mesma realidade. Há um status quo autárquico que mais do que fazer prevaler lógicas tradicionais locais, limita a modernização.
O poder autárquico tem uma lógica que difere, temporalmente, da gestão pública estatal. O grande poder central, pela sua visibilidade, está sujeito à pressão do imediato. Ao contrário do poder autárquico, cuja aplicação de medidas públicas requer uma maior baliza temporal. Ao mesmo tempo, a concepção de participação cívica é amplamente mais limitada quanto mais para o interior do país avançamos. Regra geral. É precisamente por esses dois factores — aplicação temporal da gestão pública e falta de alternativa política — que é possível encontrarmos inúmeras autarquias cujos presidentes se mantém no poder por mais de uma década.
Comentários Recentes