A CONFUSÃO NO Parlamento Regional da Madeira gerou alarido na Assembleia da República. Compreende-se. Agora não se compreende como se continua a assistir de poltrona ao reinado de Alberto João Jardim com natural estado de espírito. Que affair existe entre a ilha o continente?
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A EUROSONDAGEM indica que o PS mantém-se à frente nas intenções de voto, tendo inclusive registado um aumento. Vitória dupla para o governo socrático, que vê também cair a confiança no PSD. Portanto, isto não só é sinal de que Manuela Ferreira Leite é o buraco do casco do maior partido da oposição como significa ainda que a crise não faz alterar a leitura dos portugueses face ao governo. Será isto sinal de aprovação generalizado ou a oposição está mesmo órfã de alternativas? Pendo mais para a segunda opção.
::rodapé:: entretanto nada como dizer que se isto está a acontecer é precisamente por falta de um organismo de defesa da indústria portuguesa, como defendi aqui.
LUVAS E TRÁFICO DE INFLUÊNCIAS. São apenas algumas palavras que caracterizam os negócios alternativos que circulam por Angola. A promessa das riquezas africanas continuam a motivar o lado mais bárbaro e obscuro dos países de “primeiro mundo”. O tráfico de armas e o envolvimento dos bancos portugueses e altos representantes do estado francês (Público), é apenas a ponta de um véu que não convém levantar.
JOSÉ SÓCRATES TEM APROVEITADO a Cimeira Ibero-Americana para promover - exaustivamente - o «Magalhães». O sucesso do mini-portátil é inegável. Todavia, é um tanto ou quanto proviciano promover a “engenhoca” desta forma. De resto, em termos gerais, Sócrates dava um bom vendedor porta à porta. É fácil imaginá-lo a dizer “Boa tarde. Não quer experimentar o «Magalhães», o computador mais porreiro, pá?”.
MANUELA FERREIRA LEITE admitou o mais básico e sensato princípio da sua candidatura: a possibilidade de governar com maioria relativa (Público). A novidade não é nenhuma. A sua candidatura não agrega entusiasmos nas massas, nem mesmo agrega as vontades internas do partido. Conquistar a minoria seria algo positivo. Sócrates é mau, Leite é pior. No fundo teremos um duelo de menores. Os gigantes, esses, debatem-se noutras arenas.
A CRISE TEM ANDADO nas bocas do mundo. As consequências imediatas tendem a fazer esquecer as ameaças próximas. Preocupados que estamos com o nosso estilo de vida, com o desenvolvimento sustentável e com a industrialização, esquecemos as fragilidades do ecossistema que ameaça a continuação da existência humana. Desde os anos de 1980 que vivemos acima das possibilidades ambientais. Onde outrora se previa que esgotaríamos o planeta em 2050, passou a prever -se o ano de 2030 (Público). A crise pode alterar os rumos sociais nos próximos tempos, mas a violação do meio ambiente e dos recursos naturais esgotarão a vida que conhecemos. Pesem-se na balança.
OS DEFEITOS E AS VIRTUDES devem caber por igual tratamento no mesmo saco. Pesem os inúmeros atentados do governo Sócrates ao «socialismo», a verdade é que o projecto «Magalhães» é um caso muito bem sucedido. O mesmo se poderá dizer da nova política externa portuguesa para os blocos emergentes da América Latina. Introduzir o tecido empresarial português e os serviços tecnológicos nesses mercados em crescimento (no caso do Brasil surge uma classe média com poder de compra crescente, movimento contrário ao português) é uma aposta necessária. Todavia, tornar o «Magalhães» bandeira e souvenir diplomático roça já o show off, para além de tirar dignidade ao computador.
TEM SIDO TAREFA INGLÓRIA convencer a sociedade civil da mais-valia estratégica da coaligação luso-brasileira. A nova formulação da política externa brasileira, solidificada em torno da afirmação da sua autonomia decisória, tem permitido ao Brasil (precisamente porque a sua economia apresenta um crescimento sustentado) afirmar-se globalmente como um actor importante no seio do sistema multipolar das relações internacionais. Portugal, tardiamente, começa a ter consciência do papel que o Brasil representará no ordenamento internacional e na afirmação da língua portuguesa no mundo. Quinhentos anos depois estamos de volta à Bahia.
{photo by Gonzalo P. P .}
O CRESCIMENTO ECONÓMICO brasileiro, aliado aos seus factores de poder, têm tornado o Brasil numa central potência no hemisfério sul e com grande crescimento de influência no eixo norte. Os centros de poder hegemónico não estão indiferentes aos resultados crescentes da economia brasileira. As tentativas de controlo do desenvolvimento do país - nomeadamente nos anos 90 com liberalismo americano - saíram goradas. O Brasil está aí, forte e cada vez mais seguro do seu papel como negociador entre as potências centrais e os países em crescimento. Portugal, todavia, por complexo histórico-social tem andado alheado dessa realidade. Foi necessária esta crise para despertar a inteligentia portuguesa (DN). Foi preciso, contudo, outros países lá estarem. Lá vamos a reboque.
→ para saber mais sobre a política externa brasileira contactar a Prof.ª Raquel Patrício






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