O PERÍODO DE DEMOCRACIA MAQUIAVÉLICA da era George W. Bush chega ao fim e com ele vão caindo as últimas fronteiras da tirania e da opressão injustificadas. Guantánamo (durante muito tempo oficialmente inexistente) foi um duro golpe nas aspirações imperialistas camufladas da administração Bush jr. Barack Obama afiançou que o local é para fechar. Não se esperando outra coisa, fica a ideia de que seria importante branquear os acontecimentos ocorrida na baía cubana. Para memória futura.
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A CRISE COM TRAÇOS DE DEPRESSÃO abre as portas do poder central aos países emergentes. O Brasil, por exemplo, desde 1950 que procura pelos seus (crescentes) meios a reforma da ordem internacional. Acredita, pois, que a ordem estabelecida entre as duas guerras mundiais não espelha a configuração de poderes saída do pós-II Guerra. Se à época era já uma verdade emergindo, agora é uma realidade palissiana. Este reordenamento jamais poderá ser feito fugindo a eixos directores como a global aceitação e aplicação dos direitos humanos. Nesse aspecto, a China, que se quer poder, terá alterar drasticamente as suas normas sociais e códigos de trabalho. A new world is borning.
O PODER TEM MAIS ENCANTO, na hora da despedida. Esta poderia ser uma canção interpretada por George W. Bush num ritmo slow cowboy. O pior presidente da história dos Estados Unidos (parece consensual) afirma-se arrependido de algumas declarações proferidas. Apesar de algumas estarem bem enumeradas outras há que não foram citadas. Recordo-me sempre de Bush jr. dizer que o maior problema na sua deslocação à América Latina era o facto de não falar latim.
{photo by JillNic83}
A BANCARROTA ISLANDESA não é um problema ilhéu, isolado, é também um problema do bloco europeu. Os efeitos de arrastamento, na economia global, fazem-se sentir com abrupta velocidade. Sem perspectivas de melhorias próximas, adensadas pela retracção económica prevista para 2009, levam o governo islandês a ter problemas com a almofada. Geir Haarde, primeiro-ministro islandês, é o rosto da preocupação. O desespero levou-o a pedir ajuda ao governo chinês. Pequim esfrega as mãos. Depois de ter embriagado o Ocidente com uma abertura de mercado global, cuja receita não impôs para o seu mercado interno, a china vê mais uma excelente oportunidade de domínio no ex-próspero país do gelo. O estilo de vida ocidental tem os dias contados. A paisagem urbana islandesa, organizada e coerente, será invadida por milhares de lojas de produtos chineses. Devemos reflectir sobre as implicações de termos fechado os olhos aos avanços chineses. O crescimento económico vigente tem muito de exploração e castração dos direitos humanos. O governo americano e o parlamento europeu vão pagar a factura de acordos desvantajosos.

LUVAS E TRÁFICO DE INFLUÊNCIAS. São apenas algumas palavras que caracterizam os negócios alternativos que circulam por Angola. A promessa das riquezas africanas continuam a motivar o lado mais bárbaro e obscuro dos países de “primeiro mundo”. O tráfico de armas e o envolvimento dos bancos portugueses e altos representantes do estado francês (Público), é apenas a ponta de um véu que não convém levantar.
A BANCARROTA ISLANDESA provocou uma alteração acentuada na perspectiva interna sobre a União Europeia. Um país tradicionalmente isolacionista tende agora, por vontade nacional, para a unificação ao bloco europeu (Público). A crise profunda, ela mesma, acelerou esse sentimento. Sente-se que o isolamento só funciona em períodos de grande estabilidade financeira. O governo, por seu lado, tem as suas reticências. Da nossa experiência quotidiana, a adesão à moeda única foi uma má escolha. Conseguirá a Islândia superar a crise ou tornar-se-á numa esmoleira da UE?
A ULTRA-CONSERVADORA ÁUSTRIA, está em estado de choque. A extrema-direita, com enorme representação social, não só ficou órfã do seu líder (falecido num acidente de viação), Joerg Haider, como ainda o novo líder, Stefan Petzner, assumiu que mantinha uma relação homossexual com o seu mentor político. A sociedade ultra-conservadora austríaca precisa parar para reflectir sobre uma moralidade pregada sem aplicação na prática.
A ATRIBUIÇÃO do Prémio Sakharov 2008 para a liberdade de pensamento, ao dissidente do regime chinês Hu Jia, é afinal a prova que falta para termos noção da percentagem que estamos dependentes dos jogos de poder do governo chinês (Público). Provamos, com esta distinção, que na Europa a liberdade ainda é um valor soberano, ao mesmo tempo que afirmamos que não é o crescimento exponencial da economia chinesa (feito à base da violação de direitos humanos) que ditará o futuro da experiência política e social internacional. O Rui Bebiano ficará contente com a distinção.
O CHOQUE CIVILIZACIONAL entre o mundo islâmico e o mundo ocidental, acelerado após o 11 de Setembro, tem assumido o papel de moderador entre o diálogo intercultural e intercivilizacional, relegando outros discursos essenciais, particularmente em Portugal, como seja o necessário debate sobre a integração lusófona. Os complexos da integração islâmica merecem uma atenção nova, uma nova filosofia de diálogo, que contemple não só políticas de integração dos referidos povos mas também que os chame a integrarem-se, numa altura em que os mesmos optam por se auto-excluírem. Jorge Sampaio, Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, alerta para o problema, caindo no qualificável de «discurso emblemático» (Público).
Portugal gosta de olhar o mundo de uma perspectiva colectiva europeia e ocidental, negligenciando os necessários debates internos. A terminar o ano de 2008, Ano Europeu para o Diálogo Intercultural, compreende-se que a lusofonia teve um papel não só secundário como ainda de mero observador espectante. Jamais foram chamados à reflexão os temas da integração lusófona, das cooperações estratégicas culturais, de políticas conjugadas de promoção identitária, nem foram criados fóruns de discussão dos temas centrais da política conjunta da CPLP. 2008, como ano de diálogo, foi na verdade um punhado de meses em silêncio e pseudo-activo. Alguém sentiu a diferença no Diálogo Intercultural em relação, por exemplo, a 2007? Cremos que não.
→ post originalmente publicado em «Lusofonia Sem Fronteiras»
{photo by OutFocus}
A ESQUERDA COMUNISTA aprecia o discurso cubano e venezuelano anti-capitalista. Fala-se, nessa esquerda, à boca cheia de uma revolução cubana rumo à construção utópica da sociedade perfeita, sem classes, sem exclusão, sem pobreza, com escolaridade, com empregos seguros e de qualidade, etc. “Cuba é grande!” “Cuba é verdadeiro socialismo!” e outros chavões. O país perfeito só da boca para fora. O que se chama aos inúmeros dissidentes pátrios que escolhem o inimigo americano como destino de fuga ao regime castrista? E os basquetebolistas cubanos que aproveitaram a viagem aos EUA para desaparecerem misteriosamente, são eles o quê? Meros fãs dos L.A. Lakers?








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