Published on 23 de Setembro de 2008 .

FINDA-SE O ESTIO e as primeiras folhas vestem-se de tons pastel e vermelhos. As primeiras gotas anunciam como aves de trompete a chegada de uma nova estação. A música das folhas que caem marca o compasso da novidade, do sempre-eterno. As árvores preparam o vestido de gala e cobrem-se de novos perfumes, mais serenos que o florido cheiro primaveril. Por todo o lado a vida, em novas formas, acontece. Sentem-se os aromas da terra húmida. Saboreiam-se as primeiras maças de Outubro. É outonal a vida por estes dias.

Percorrem-se os caminhos ontem secos de um calor estival. Mudam-se as lentes de uma mesma realidade. Hoje chove. A paisagem dos dias quentes embriagou-se. A chuva em dias de Verão traz um aconchego sonolento ao compasso do tempo solitário. As lágrimas de umas nuvens perdidas enchem os campos de um aroma simultaneamente quente e húmido de uma natureza frágil e ulterior. A terra molhada torna-se num mapa de registos arbitrários. É Verão e chove. Há dias assim.
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