Archive for the 'Edukação' Category

1008|A Vitória Das Ruas

LA POLITIQUE DANS LA RUE, levada a cabo pelos estudantes portugueses deu os seus frutos. O Ministério da Educação recuou no ítem mais complexo do aprovado «Estatuto do Aluno» e retirou a intensão de segregação por faltas justificadas. Sinal de bom-senso (forçado).  Aproveitando a embalagem a Universidade Católica poderia avançar para a mesma aceitação de faltas justificadas, é que por lá (se bem me lembro) só se tem justificação em casos de óbito, casamento ou gravidez.

1007|Correcção

EM SEGUIMENTO DO COMENTÁRIO deixado pelo Tiago Moreira Ramalho, fiz uma reflexão sobre o debate em torno do «Estatuto do Aluno». Ao que parece fui induzido em erro. A ideia que eu tinha à partida e que parece ser a correcta foi-me, por lapso, desconfigurada. Assim, se não há diferenciação entre faltas justificadas e faltas injustificadas, podemos dizer que para este ME tanto dá no tal levar como no tal dar.

1004|a escola é para nerds!

JÁ DEI AQUI o meu aval às manifestações de rua. Seja qual for o motivo de descontentamento, o facto de os portugueses saírem à rua sem ser porque a sua equipa ganhou o campeonato ou uma das taças, é extremamente importante. Todavia não deixei clara a minha opinião sobre as manifestações estudantis contra o regime de faltas. Num país onde os padrões de ensino não são pautados pela excelência, onde os pais se demitiram do processo educativo dos filhos, onde prevalece uma cultura da competitividade nivelada por baixo (i.e. o que conta é saber quem conseguiu ser mais vezes expulso das aulas ou ter mais negativas), é natural que os alunos se sintam ameaçados pela possibilidade de não se poderem “baldar” às aulas  com natural à vontade. Quando o ensino é gratuito cabe aos estudantes aproveitarem a democratização do acesso ao ensino. Mas isso não acontece. O que vemos é um conjunto de miúdos que saiu à rua para protestar (muitos não sabendo contra o quê) unicamente para faltarem às aulas. Por isso sim, é importante que os jovens saiam à rua e protestem, sim mas quando faça algum sentido.

→ aconselho a leitura ou releitura deste post

{photo by photomorti}

1001|Idade da Inocência?

AS MANIFESTAÇÕES ESTUDANTIS visando o Ministério de Educação são verdadeiros caldeirões de participação cívica. Esta cidadania vivida nas ruas relembra os tempos em que um ajuntamento de três pessoas era já um motim ou brainstorming de uma conspiração. A resposta dada pelos jovens ao governo português é um maravilhoso sinal de movimentação de massas e serve para desconstruir a imagem de uma juventude pacífica e acomodada em frente da playstation. Quando as massas não estão caladas são momentos quentes para os governos. O PS fala numa instrumentalização dos alunos por parte dos professores. A Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) sustenta as suspeitas. Não ponho de parte tal hipótese. É aceitável. Seja como for é já um sinal de uma nova consciência estudantil (mesmo que orientada) que poderá colocar em marcha uma nova sociedade (talvez optimismo exacerbado).

{Hughes Léglise-Bataille}

997|Educação Parada no Trânsito

AS MANIFESTAÇÕES ESTUDANTIS sempre foram um magnífico caldeirão de cidadania. Ali se formam mais cidadãos do que politiqueiros, logo a rua é uma escola de política viva manifestamente superior que os partidos políticos e as juventudes partidárias. A política feita nas ruas têm muito mais de verdade, de insatisfação, de legitimidade, de vontade, em suma tem mais das pessoas. Já os partidos têm mais de interesses e jogos de sedução do que de política humana. Quando em Portugal, há dias, a política bateu à porta dos liceus, os jovens portugueses deram mostras de uma cidadania adolescente mas viva. O que desagrada, e muito, o poder. Os governos têm nas escolas um garante de formação de alinhados, de rebanhos. Não esperam que a escola produza outra coisa que não seja um bando de cidadãos amestrados. Que estes se revoltem é já uma fuga no sistema. Quando os jovens se desagradam, saem às ruas e se manifestam, a democracia enche os pulmões de novo ar. O poder, por seu lado, coça o queixo. O que fazer quando futuros eleitores pensam por si?

{photo by Isco72}

972|O Português Correcto

OUVIR OS POLÍTICOS na Assembleia da República ou alguns dos jornalistas portugueses tende a ferir o ouvido. Ainda estou para descobrir o que é um “menistro” ou o que é “defícil”.

927|Sex Education

A EDUCAÇÃO SOCIAL é uma matéria de imensa importância na formação cívica dos indivíduos. A escola, fonte de conhecimento formal, tem reservado um lugar de papel activo na formação de «cidadãos», particularmente atendendo que os agregados familiares deixaram de disponibilizar o seu tempo para a coerente formação e socialização dos seus membros mais novos. Os pais, em suma, deixaram de agir como educadores caseiros, como elementos de socialização continuada, passando comodamente esse papel para os professores.

 A educação sexual nas escolas tem atravessado um longo e penoso caminho, derrubando barreiras feitas de tabus e de moralidades conversadoras-religiosas. A sexualidade continua a constituir-se como um imenso complexo psicosocial, regado por uma imensa noção de pecado. É fundamental promover uma formação coerente, despreconceituosa e natural da sexualidade, de maneira a que se formem cidadãos sexualmente esclarecidos, capazes de reduzir a propagação de Doenças Sexualmente Transmissíveis, reduzir o número de gravidez indesejada e pueril. O ensino sexual nas escolas é e será uma marca de uma clara laicidade estatal. Aqui está a resposta dada por Portugal: não há educação sexual nas escolas, a Igreja mantém o seu peso. Inglaterra dá-nos uma bofetada de luva branca.

→ post originalmente publicado no «A La Gauche»

897|Os Filhos das Fileiras

A SEGUNDA FASE DE ACESSO ao ensino superior deixou 2500 vagas por preencher, abrindo deste modo a porta a uma terceira fase (Público). Sabendo que a maioria dos cursos que registam uma superlotação são aqueles ligados ao espectáculo do mediático, capaz de seduzir os amantes da boa-vida e os indecisos sobre o futuro, resta-nos vê-los daqui a três ou cinco anos, de canudo na mão, a engrossar as fileiras do desemprego. Ao Estado e aos privados importa apontar o dedo, motivando-os a esclarecerem os futuros candidatos sobre o estado do mercado de trabalho e fomentando o alargar do leque de opções.

885|Praxe Positiva

PORQUE PORTUGAL NÃO É um país de gente cívica, cabe àqueles que conseguem sobreviver à sedução de uma tourada, duas minis e uma burra de saias, a construção de um país melhor. Nas universidades constroem-se as massas críticas, mas é fundamental que se construam as massas cívicas. A Universidade de Beja dá o exemplo, instaurando um novo sistema de praxes: plantação de árvores e limpeza da mata municipal (Público). Espera-se que a medida inaugurada pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Beja (ESTIG) se alastre aos restantes politécnicos do município, catapultando a iniciativa para as restantes universidades do país.

- Pacote de Conhecimento -

O FINANCIAMENTO DAS UNIVERSIDADES, ou por outras palavras, as receitas, advêm da capacidade de assimilar um elevado número de novos estudantes. Sabemo-lo, com clareza, que o acesso ao ensino superior fomenta a construção de novas intelectualidades e encaminha o país para a modernidade, tirando a sociedade dos fossos de classes. Por outro lado, à medida que as universidades vão fabricando licenciados, numa taylorização do processo de transmissão de conhecimentos, vão aumentando as fileiras do desemprego de luxo. O mercado está saturado. A normalização social do Direito como sinónimo de prestígio, somente equipado à Medicina, engrossa o número de potenciais advogados. A Ordem dos Advogados e os estudantes reclamam do facilitismo na admissão à licenciatura, agora, com o Acordo de Bologna, em formato drive-thru (Público). O país do senhor doutor atravessa um período de massificação académica, em que as licenciaturas deixam de constar como mais-valia e se transformam em requisito mínimo. A velha metáfora de “um cafézinho, senhor doutor” permanece válida e vê-se reforçada. Fomentar o acesso democrático ao ensino superior como potenciador de mobilidade social, sim. Transformar o ensino num mercantilismo criando facilitismos que conduzem a uma fabricação incontrolada de licenciados assim-assim, não.