O BLOGUE KØNTRÅSTËS.ORG está a publicar um conjunto de conversas informais (iniciadas no Kontrastes 2.0) mantidas via e-mail com os mais diversos bloggers. O objectivo é conhecer um pouco mais do blogger que dá vida ao blogue e abrir uma cortina para o que move cada autor de blogue. O convidado de hoje é José António Gonçalves Carreira, 31 anos, Professor, autor do blogue «Cegueira Lusa».
1. Sabendo que a blogosfera é uma janela para a vida cibernética, como vê o fenómeno «blogue»?
O fenómeno blogue não é facilmente caracterizável. Contudo, devo dizer que os blogues são, em grande medida, agentes de divulgação da cibercultura. Há muitos cidadãos que abdicam, em grande medida, dos meios de comunicação mais tradicionais, transformando-se a rede na fonte de informação primordial. Os blogues podem servir de feed back das vicissitudes do mundo. Nestes espaços são vertidas muitas das questões que atormentam o quotidiano dos indivíduos. A inegável vantagem de podermos transmitir uma ideia ou um pensamento em tempo real e que se difunde vertiginosamente é fantástica. Todos podemos ter «VOZ», até o cidadão anónimo, independentemente de se encontrar numa grande cidade cosmopolita ou no local mais recôndito que se possa imaginar. Na era da globalização, a informação é fulcral. A blogosfera contribui energicamente para uma cidadania mais activa.
2. Quando acede à blogosfera que tipo de blogues procura?
Ao aceder à blogosfera procuro blogues que abordem diversas temáticas: política, literatura, fotografia, música… Estão na primeira linha de preferências, aqueles cujos autores veiculam regularmente a sua opinião. Gosto de conhecer as leituras que são feitas da realidade social. Os blogues não podem, na minha óptica, pretender apenas e só informar, ou seja, dar a notícia pela notícia. Essa função já é desempenhada, bem ou mal, pelos mass media.
3. O que o levou a criar um blogue?
O primeiro contacto com a blogosfera teve início em 2006. Um amigo convidou-me a participar, na medida do possível, num espaço que mantinha activo que versava sobre a temática do futebol nacional e internacional. Gostei da experiência, mas sentia-me limitado, dedicar-me apenas ao tema «futebol» deixou de me realizar. Queria algo mais, dar asas aos meus pensamentos. Senti necessidade de me expressar, de partilhar com os outros aquilo que penso, alertar e divulgar. Pensei, ponderei e iniciei o meu projecto em Abril de 2007 que pretende ser um espaço de discussão e análise do país e do mundo.
4. Que balanço faz da sua estadia na blogosfera e da blogosfera actual?
A minha estadia na blogosfera tem sido gratificante. O projecto tem dado pequenos passos mas, no meu entender, sólidos. As opiniões que vão sendo expressas pelos visitantes do blogue têm sido, regra geral, positivas e animadoras. Conquistar leitores não é tarefa fácil, começar do zero, ou quase do zero, levanta sempre alguns obstáculos. Todavia, a vontade de fazer e o acreditar que se está a trilhar o caminho certo são revigorantes e funcionam como um cocktail energético.
Quanto à blogosfera hodierna, devo dizer que está mais activa do que nunca. Surgem novos espaços a grande ritmo e começa a ser tida mais em linha de conta. Inclusivamente, alguns jornais de referência citam não raras vezes trechos publicados em blogues. O jornal Público, a título de exemplo, indica diariamente alguns blogues em que os seus autores se expressaram sobre um determinado assunto. Está em crescendo este fenómeno para o qual dou um modesto mas sério contributo.
5. Acha que os blogues podem substituir a imprensa online?
Já respondi em grande medida a esta questão anteriormente. Creio que os blogues e a imprensa online desempenham funções diferentes. Uns não substituirão os outros. Mais, parece-me que poderá haver, caso haja interesse e investimento, uma maior e proveitosa articulação entre uns e outros.
6. Em que medida os blogues influenciam ou influenciaram a sua vida e/ou actividade profissional?
Até à data a influencia não é notória, se existe é diminuta.
7. O que faz um bom blogue?
Um bom blogue tem necessariamente que reunir uma série de ingredientes indispensáveis para que o resultado final seja de facto de qualidade, pois só assim é possível fidelizar leitores e captar novos adeptos para o mundo da blogosfera.
O trabalho diário é fulcral e exige alguma disciplina. Esta, aliada à criatividade, a uma imagem apelativa e a textos cuidados serão elementos decisivos para alicerçar um projecto que agrade às pessoas e possa vir a ter alguma preponderância na rede.








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