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COMO DISSE? Ainda a propósito da discussão anterior, não queria deixar de perguntar ao Sr. Piers Merchant se a polícia inglesa, com treino de décadas de magnífica democracia, é a mesma que matou o imigrante brasileiro no metro, sob suspeita de ser terrorista? Já agora, ¿Por qué no te callas?

FALA A MORALIDADE! Piers Merchant, um antigo eurodeputado britânico, forçado a abdicar após o jornal «The Sun» ter revelado o seu envolvimento com uma jovem de 17 anos, e que actualmente trabalha como assessor do eurodeputado Knapman, diz da polícia e do sistema judicial portugueses o seguinte:

A polícia portuguesa e o sistema judicial é, como se sabe, suspeito (…) os elementos da polícia são corruptos. A primeira investigação foi amadora e condenada ao falhanço. É importante perceber que Portugal não tem historial de direitos humanos, de liberdade e democracia. (…) Muitos polícias foram treinados sob o regime fascista e as instituições ainda reflectem os efeitos de um longo período ditatorial. (…) em qualquer circunstância os cidadãos britânicos devem ser protegidos contra sistemas estrangeiros duvidosos.

Pondo de lado o passado sexual de Piers Merchant — que em Inglaterra é o “pão nosso de cada dia” — as acusações são de facto bastante graves. Piers Merchant parece querer deliberadamente corromper as relações diplomáticas entre Portugal e Inglaterra. Merchant não só acusa o nosso sistema judicial de ser corrupto como ainda considera a nossa democracia uma coisa duvidosa.

Duvidoso parece mais o contexto das palavras de Merchant. É que isso de proteger os cidadãos de “sistemas estrangeiros duvidosos” tem o que se lhe diga. Certamente Merchant não ouviu estas declarações. Ou se as ouviu fez ouvidos moucos. Aliás, só mesmo para Merchant é que a ideia do envolvimento de Gordon Brown parece “absurda”. Há muito que vemos os McCann serem tratados de forma diferencial pela justiça inglesa.

THE TRUE?TELL ME ABOUT IT! Novas do reino encantado dos McCann. Segundo o Diário de Notícias, um dos amigos do casal McCann fala num poderoso lóbi criado em torno do casal inglês. Segundo o novo advogado do amigo do casal, este “vê-se obrigado a guardar silêncio, é o que pode fazer para ajudar a investigação. E não estou a falar do sigilo a que obriga a lei portuguesa, mas das estranhas circunstâncias que rodeiam o caso”. São sem dúvidas palavras que denunciam mais do que aquilo que traduzem directamente. O próprio governo britânico não ficou isento das palavras do advogado: “Entendo que o nosso governo tenha a obrigação legal de ajudar os McCann. O que não posso compreender é que eles receberam apoios que vão muito mais além do que seria normal. Essas intervenções foram prejudiciais ao meu cliente e à averiguação da verdade”. A verdade, já dizia o ‘Shark’ da série americana «A Lei dos Mais Forte», “é relativa, arranjem uma que sirva”. Isto, aplica-se bem a este caso.

PERDA DE TEMPO. O caso Madeleine McCann continua a sua viagem para a órbita do surrealismo. Desde a procura desenfreada por Maddie até ao aparato dos depoimentos e da constituição dos pais como arguidos, este processo já viu de tudo. É óbvio que este CSI de segunda tem de encontrar um rumo e chegar a alguma linha orientadora. Quer-me parecer que a PJ tem algum pudor diplomático em formular uma teoria e levá-la até ao fim. Sob esse pudor diplomático vai alimentando a imprensa ao mesmo tempo que nos faz perder tempo. Com base numa descrição feita por Jane Tanner, amiga do casal McCann, foi feito um esboço divulgado hoje pela imprensa britânica de um alegado raptor. O esboço — aqui ao lado — mostra um homem com idade entre 35 e 40 anos, medindo entre 1,70 e 1,75 metros, cabelo curto e vestindo um blusão ou casaco de cor escura, calças de tecido de cor clara e sapatos pretos. E (!) sem traços faciais que Jane Tanner não foi capaz de vislumbrar. Fantástico. Publica-se um esboço destes como se de um retrato pormenorizado se trata-se. Basta pensar um bocadinho para concluirmos que essa descrição corresponde a metada da população masculina portuguesa e espanhola. Mas estamos perto, muito perdo da verdade. Enfim, mais perda de tempo.

|||Big Brother Maddie

::Big Brother Maddie, vote no seu culpado preferido::
Ocorreu-me que o Caso Maddie tornou-se num substituto à altura do Big Brother. À medida em que se vão desenrolando os acontecimentos e novas pistas vão surgindo as preferências por este ou aquele crime ou pela culpabilidade dos pais vai se alterando. O desenrolar é o mesmo de um reality show, ao longo do tempo a popularidade dos concorrentes, neste caso os pais, vai subindo e descendo. E tal como aconteceu e acontece em todos os programas deste género, os programas televisivos matinais reunem uma assembleia de “entendidos” na matéria — e nas demais — que vão debitando bitaites.

Mais. Como em todos os reality shows, toda a gente tem uma palavra a dizer.

||| Depois do Sururu

Depois da imprensa inglesa ter criado um clima completamente hostil em relação ao trabalho da Polícia Judiciária e ter levado Portugal a abanar o rabo à acutilância britânica, o serenar das águas — tardio — chega com a confirmação de que os vestígios encontrados no carro pertencem à criança desaparecida e não foram transferidos por contacto de roupas ou brinquedos, como alegam Kate e Gerry McCann.

No meio disto tudo não ficou claro o apoio ao trabalho da PJ por parte do governo português. Ainda fazemos as coisas para inglês ver?

||| A Defesa Incontestável

Rogério Alves, bastonário da Ordem dos Advogados, junta-se a Michael Caplan e reforça a equipa do Casal McCann. Segundo ele, aceitou o caso depois de uma conversa pessoal com o casal. Para além do mediatismo do caso, os honorários devem ter sido decisivos. Neste momento ser advogado no Caso Maddie é o mesmo que treinar o Chelsea.

||| Lendo Blogues #1

# Francisco Reis, in Há Normal?!

||| Maddiatismo

Segundo o Diário Digital, o casal McCann prepara nova campanha para encontrar Maddie. Resta saber se estamos perante uma campanha inocente ou se por outro lado os McCann pretendem desviar as atenções e dirigir a Opinião Pública para longe da hipótese “homicídio”.

||| Justiça Popular [2]

O JN, através da sua edição online, coloca um inquérito aos seus leitores, procurando averiguar o sentimento popular relativamente à inocência do casal McCann. Os resultados, que podem ser vistos aqui, apontam para uma maioria descrente na inocência dos pais de Maddie. Isto é sinal de que a presunção da inocência e a objectividade se vão esbatendo ao sabor do desenrolar da cobertura mediática.