Archive for the 'Caso Maddie' Category
A polícia portuguesa e o sistema judicial é, como se sabe, suspeito (…) os elementos da polícia são corruptos. A primeira investigação foi amadora e condenada ao falhanço. É importante perceber que Portugal não tem historial de direitos humanos, de liberdade e democracia. (…) Muitos polícias foram treinados sob o regime fascista e as instituições ainda reflectem os efeitos de um longo período ditatorial. (…) em qualquer circunstância os cidadãos britânicos devem ser protegidos contra sistemas estrangeiros duvidosos.
Pondo de lado o passado sexual de Piers Merchant — que em Inglaterra é o “pão nosso de cada dia” — as acusações são de facto bastante graves. Piers Merchant parece querer deliberadamente corromper as relações diplomáticas entre Portugal e Inglaterra. Merchant não só acusa o nosso sistema judicial de ser corrupto como ainda considera a nossa democracia uma coisa duvidosa.
Duvidoso parece mais o contexto das palavras de Merchant. É que isso de proteger os cidadãos de “sistemas estrangeiros duvidosos” tem o que se lhe diga. Certamente Merchant não ouviu estas declarações. Ou se as ouviu fez ouvidos moucos. Aliás, só mesmo para Merchant é que a ideia do envolvimento de Gordon Brown parece “absurda”. Há muito que vemos os McCann serem tratados de forma diferencial pela justiça inglesa.
PERDA DE TEMPO. O caso Madeleine McCann continua a sua viagem para a órbita do surrealismo. Desde a procura desenfreada por Maddie até ao aparato dos depoimentos e da constituição dos pais como arguidos, este processo já viu de tudo. É óbvio que este CSI de segunda tem de encontrar um rumo e chegar a alguma linha orientadora. Quer-me parecer que a PJ tem algum pudor diplomático em formular uma teoria e levá-la até ao fim. Sob esse pudor diplomático vai alimentando a imprensa ao mesmo tempo que nos faz perder tempo. Com base numa descrição feita por Jane Tanner, amiga do casal McCann, foi feito um esboço divulgado hoje pela imprensa britânica de um alegado raptor. O esboço — aqui ao lado — mostra um homem com idade entre 35 e 40 anos, medindo entre 1,70 e 1,75 metros, cabelo curto e vestindo um blusão ou casaco de cor escura, calças de tecido de cor clara e sapatos pretos. E (!) sem traços faciais que Jane Tanner não foi capaz de vislumbrar. Fantástico. Publica-se um esboço destes como se de um retrato pormenorizado se trata-se. Basta pensar um bocadinho para concluirmos que essa descrição corresponde a metada da população masculina portuguesa e espanhola. Mas estamos perto, muito perdo da verdade. Enfim, mais perda de tempo. Mais. Como em todos os reality shows, toda a gente tem uma palavra a dizer.
No meio disto tudo não ficou claro o apoio ao trabalho da PJ por parte do governo português. Ainda fazemos as coisas para inglês ver?






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