Archive for the 'Campanhas de Kontrastes' Category

UM DOS VALORES que reservo à esquerda trata-se da liberdade individual assegurada por uma ética pessoal sobre todos os condicionalismos culturais. A esquerda entende a vida humana como um processo natural, biológico, que se expande para uma vivência social e individual, regulada pela norma social mas salvaguardada pela livre escolha do sujeito, sem imposições que não aquelas que promovem a estabilidade e a segurança colectivas, a lei, portanto. Nesse aspecto, a propriedade sobre o próprio corpo deve prevalecer como o mais básico sinónimo de liberdade, inquestionável e inalienável. Conquistámos o direito de manipulação do nosso corpo mas não de decisão sobre ele. A revolução da iluminação não atravessou o túnel do obscurantismo religioso cristão. A preservação ideológica da vida como instrumento sagrado condenada a decisão humana sobre o corpo. Há, portanto, uma instrumentalização da vida em prol de uma ideologia de fé, que mina fortemente a consagração do Estado de Direito.
O ABORTO E A EUTANÁSIA, constituem-se como direitos de propriedade sobre o corpo, parte integrante do existir individual e não tubo de ensaio de uma verdade incorpórea e religiosa. Nesse aspecto, o Estado continua por garantir a verdadeira liberdade, à medida que permanece o garante do monopólio da Igreja sobre o processo da vida e sobre a moral individual e social. Em termos de laicidade há uma mentira vigente e silenciada. A escolha sobre a própria existência deve constituir-se como um direito legal e não como uma matéria moral e de fé. A condenação do suicídio como acto imoral tendeu a desaparecer. Onde outrora constituia motivo para a não-realização de funeral, é agora matéria de laica análise psiquiátrica. O caminho é esse.
A MORAL RELIGIOSA, entenda-se, é também um direito individual (e não social-colectivo), mas não pode constituir-se como matéria de regulação legal. O direito à eutanásia representa a consagração dos direitos individuais e deve obrigatoriamente ser assegurado pelo Estado. Está em causa a verdadeira laicidade e o garante das liberdades humanas sobre qualquer condicionalismo ético, moral e religioso. Aliás, a ética profissional, neste aspecto, está também ela fecundada no embrião religioso, que coloca a vida como matéria do sagrado e não do terreno, como propriedade de uma fé e não do sujeito social. Há, portanto, que garantir o livre direito à decisão sobre a própria vida, relegando a Igreja para o seu devido lugar - campo espiritural e de fé. Chega de políticas do Vaticano.
→ texto em simultâneo no «A La Gauche» [link]
{photo by fredalbrighton}
|||SIDA, O RESTO DA TUA VIDA: Novos testes rápidos de detecção da infecção VIH/sida, em fase de divulgação em Portugal, irão permitir um diagnóstico da doença em minutos, num processo semelhante a um teste de gravidez, mas sem recolha de urina. Será isto uma boa notícia? Bem, pelo menos evita uma longa espera pelos resultados. Isso é importante mas não é fundamental. O que interessa continua a ser o combate ao flagelo e a luta pela prevenção.
Apesar das inúmeras iniciativas a SIDA não parece dar tréguas, mas nós humanos também não parecemos empenhados em tornar-lhe a vida difícil. O preservativo globalizou-se e desburocratizou-se, mas isso não faz com que o seu uso seja uma realidade total. «Desconfortável», «Corta o momento», «Tira a sensibilidade», «É anti-natural», são alguns dos apelidos atribuídos ao preservativo. Ele pode muito bem ser isto tudo, mas continua a ser uma arma na prevenção de DST’s. A imagem que ilustra o post é uma campanha francesa pelo uso do preservativo.
“Sem preservativos, é com a SIDA que você faz amor. Proteja-se.” Este é o lema da campanha.O sexo é um momento mas a SIDA é o resto da tua vida. Veste-te, para teu próprio bem.
[post também no «Registo Provisório»]





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