Archive for the 'Biographias' Category

|||BIOGRAPHIAS|SÓCRATES:

Símbolo da tradição filosófica ocidental, Sokrátes nasceu em Atenas por volta de 470 a.C., filho do escultor Sofrónico e de Fenáreta, parteira. Aprendeu Música e Literatura, dedicando-se, no entanto, à reflexão e ensino filosófico. Não se conhece os seus mestres, contudo, sabe-se que Sócrates conhecia as doutrinas de Parmênides, Heráclito, Anaxágoras e dos sofistas. Desde jovem Sócrates ficou conhecido pela sua coragem e pelo seu intelecto. Serviu ao Exército, desempenhou alguns cargos políticos e foi sempre modelo irrepreensível de bom cidadão. Apesar disto, o seu comportamento estava longe do sério e rígido, Sócrates apreciava bastante os simpósios e reuniões acompanhadas de bebida, sendo um bebedor de renome ficando conhecido por permanecer sóbrio mesmo quando todos na festa já estavam completamente embriagados.

Julgava que devia servir a pólis conforme suas atitudes, vivendo justamente e formando cidadãos sábios, honestos, temperados - diversamente dos sofistas, que agiam para o próprio proveito e formavam grandes egoístas, capazes unicamente de se acometerem uns contra os outros e escravizar o próximo.

O estado de ânimo hostil a Sócrates concretizou-se em forma jurídica, na acusação movida contra ele por Meleto, Anito e Licon, três figuras importantes da época: de corromper a mocidade, negar os deuses da pátria introduzindo outros e de “pesquisar debaixo do solo e pelos céus”, algo considerado na altura como um desafio aos deuses. A apologia que Sócrates faz de si próprio é um libelo contra os que o julgam. Digno, não pede para ser perdoado. Nesses termos, não resta saída para o tribunal que, na verdade, só pretendia refrear suas actividades. A sua morte é declarada. As autoridades faziam vistas grossas, mas Sócrates, cidadão ateniense, preferiu não fugir. Bebeu da cicuta em 399 a.C., com 71 anos de idade.

[links]: obra de Sócrates | maiêutica | Fédon | apologia de Sócrates |

||| Tutankhamon

Tutankhamon é um dos mais míticos, senão o mais, faraós do Antigo Egipto, tendo falecido pouco tempo depois da adolescência. O Rei Tut, como também é conhecido, foi casado com a sua meio-irmã Ankhsenpaaton que, mais tarde, trocaria o seu nome para Ankhsenamon. Tutankhamon subiu ao trono com nove anos e faleceu dez anos depois, sem deixar herdeiros. Durante o seu curto reinado restaurou os cultos aos deuses e os privilégios aos sacerdotes. Devido ao facto de Tutankhamon ter falecido tão novo, o seu túmulo não possuía o fausto de outros faraós. No entanto, graças à imortalidade de seu túmulo — foi encontrado quase intacto no ano de 1922 –, este foi o que maior fascínio criou nos egiptólogos. Nele foi possível encontrar peças de ouro, tecidos, mobília, armas e textos sagrados que revelam muito sobre o Egipto de 3400 anos atrás.
No que concerne à sua genealogia, não há consenso entre os estudiosos, pelo que não é possível aferir com certeza se Tutankhamon era filho de Amen-hotep III ou Amen-hotep IV (que mais tarde mudou o seu nome para Akhenaton). Tutankhamon sucedeu no trono a Semenkhkhare, sobre quem se sabe muito pouco, não sendo por isso de estranhar que o egiptólogo Nicholas Reeves indique que Semenkhkhare é na verdade a rainha Nefertiti. Devido à tenra idade de Tut, o governo do Egipto estava encarregue a Ai e Horemheb, altos funcionários do tempo de Akhenaton, e que mais tarde viriam a ser faraós.
Tutankhamon faleceu em 1323 a.C., tendo ocupado um túmulo de pequenas dimensões, uma vez que o seu túmulo maior não estava ainda pronto. As causas da morte de Tutankhamon não estão documentadas, pelo que em 1925, após uma autópsia à sua múmia, se tenha colocado a hipótese de morte natural, tuberculose mais concretamente. Mais tarde, em 1968, na Universidade de Liverpool realizam-se raios-x à múmia de Tutankhamon, e uma ferida perto da orelha esquerda do rei, que penetrou no crânio, produzindo uma hemorragia, foi apontada como causa da morte. Esta ferida poderia ter sido causada por um golpe ou um acidente. As radiografias mostraram como um osso tinha penetrado no crânio. Alguns investigadores avançaram com a hipótese de assassinato que teria tido como autores Ai e Horemheb. Em 2005 a múmia foi retirada do seu sarcófago no túmulo do Vale dos Reis, tendo sido alvo de um exame no qual se recorreu à tomografia computadorizada (TC). Este exame, que teve uma duração de quinze minutos, gerou 1700 imagens. Os novos exames descartaram a hipótese de morte por assassinato. O rei era um jovem saudável, tendo talvez falecido vítima de complicações associadas a uma fractura da perna direita provocada durante uma sessão de caça ou quando o rei conduzia o seu carro. Em Novembro de 2006 o médico Ashraf Selim, com base em novas e sofisticadas análises, apresentou novas evidências que sustentam esta teoria. Quanto ao osso encontrado no crânio julga-se que foi provocado por um erro durante o processo de embalsamento do corpo.

||| Biographias | Olga Benário

Olga Guttman Benário Prestes, nasceu em Munique a 12 de Fevereiro de 1908. Aos quinze anos ingressou no Movimento Comunista onde começou a namorar com Otto Braun, um experiente militante comunista. Depois da prisão destes e de Olga ter sido solta, conseguem fugir para a URSS, local onde Olga começa a ganhar algum destaque.

Por essa altura, também na URSS, viva Luís Carlos Prestes, que em 1934 aceita o desafio de integrar o Partido Comunista Brasileiro. Sendo eleito membro da comissão executiva da Internacional Comunista (IC), volta como clandestino ao Brasil em dezembro do mesmo ano, acompanhado de Olga Benário, também membro da IC, passando-se por marido e mulher. O objectivo destes era liderar uma revolução armada no Brasil, decidida em Moscovo.

No Brasil, Luís Carlos Prestes alia-se à recém constituída frente de descontentes com Getúlio Vargas, denominada Aliança Nacional Libertadora (ANL) e procura antigos contactos nos meios militares. Em julho de 1935 divulga um manifesto incendiário e propõe a derrubada do governo, desencadeando a inssurreição que ficou conhecida por Intentona Comunista. Derrubada facilmente pelo governo, inicia-se um processo de violenta repressão. Muitos líderes comunistas são presos, muitos deles amigos de Olga e Prestes, como o casal de alemães Artur e Elise Ewert - Sabo para os íntimos. Artur seria torturado até à loucura pela polícia brasileira, sob o comando de Filinto Müller. Olga e Prestes também são presos.

Olga é levada para a Casa de Detenção, posta numa cela junto com outras tantas mulheres, muitas suas conhecidas. Lá descobre estar grávida de uma filha de Luís Carlos Prestes. E vem a ameaça de deportação para a Alemanha, agora sob o governo de Hitler. Seria a morte para ela: além de judia, comunista. Começa na Europa um grande movimento pela libertação de Olga e Prestes, encabeçado por D. Leocádia e Lígia Prestes, respectivamente a mãe e a irmã de Luís Carlos Prestes.

Ainda assim, Olga é deportada para a Alemanha - deportação esta autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, não obstante significar a deportação não apenas de Olga mas da criança que ela esperava de Prestes, que seria uma cidadã brasileira - junto com a amiga Sabo. Foi de navio, contrariando as normas de navegação - afinal, Olga já estava grávida de sete meses. Quando o navio aportou, oficiais da Gestapo já esperavam por ela, que foi levada presa. Não havia nenhuma acusação contra ela, pois o caso do assalto à prisão de Moabit já prescrevera. No entanto, a legislação nazista autorizava a detenção extrajudicial por tempo indefinido (”custódia protetora”) e Olga foi levada para Barnimstrasse, a temida prisão de mulheres da Gestapo. Lá teve a filha, que denominou de Anita Leocádia, futura historiadora. Anita ficou em poder da mãe até o fim do período de amamentação e, depois, foi entregue à avó, D. Leocádia.

Olga foi transferida para o campo de concentração de Lichtenburg, de onde logo depois seria transferida para o campo de concentração de Ravensbruck. Lá, as prisioneiras viviam sob semi-escravidão e eram realizadas experiências monstruosas conduzidas pelo médico Karl Gebhardt.

Em fevereiro de 1942, um pouco antes de completar 34 anos, Olga é enviada ao campo de extermínio de Bernburg, onde seria morta numa câmara de gás.

 

||| Biographias | Jesus de Nazaré

Depois de reflectir tomei por decisão começar esta nova rúbrica com Jesus Cristo. Esta escolha não se trata de uma valorização religiosa — porque não sou cristão — mas sim da consciência da sua importância para a formação da História Universal e do pensamento ocidental.

Mosaico representando Jesus Cristo, patente na antiga Basílica Ortodoxa

de Hagia Sophia, Istambul, datado de cerca de 1280.

Nascido em Belém sob o nome de Yeshua Benbar- Yosef, isto é, Jesus filho de José, tornou-se para a História Universal o homem mais estudado de sempre. Desde o teor das suas mensagens, à veracidade dos seus milagres, passando pela importância político-social no seu contexto de vida, até à sua imortalidade e ressurreição. Em seu nome foram cometidas atrocidades inúmeras e não menos actos de bondade. Um homem só foi capaz de influenciar o rumo da História, isso é notável.

A escritora K. Amostrong escreve assim: “Sabemos muito pouco sobre Jesus. O primeiro relato mais abrangente sobre a sua vida aparece no evangelho segundo Marcos, que só foi escrito por volta do ano 70, cerca de 40 anos depois da sua morte. Naquela altura, os factos históricos achavam-se misturados a elementos míticos… É esse significado, basicamente, que o evangelista nos apresenta, e não uma descrição directa e confiável” . Isto significa que existirá, quem sabe, um outro homem por trás do mito, humano, com dor e sentimentos carnais, banal e comum e não menos importante e crucial.

Sobre a sua existência parece não haver dúvidas, fontes não biblícas atestam a vivência deste personagem histórico. O que não se pode garantir, até porque ao poder religioso tal não interessará, é a veracidade da realização de milagres. A metáfora pode ter sido uma constante na descrição da vivência de Yeshua. Afinal, a Biblía não veio do céu por fax, nem tão pouco se pode atestar ter sido ditada pelo próprio divino.

Portanto, quando se fala no milagre de que Jesus colocou um cego a ver, nada como entender tal facto à luz de um ditado bem português: “não há pior cego que aquele que não quer ver”. Ao demonstrar factualmente uma realidade ou fazendo entender um novo conceito de vida, Yeshua curou - quem sabe - a cegueira não-racional de certos indivíduos. Por isso, o mais correcto dizer-se, ao falarmos da vida de Jesus de Nazaré, é entendermo-lo como um homem que trouxe novas formas de ver a vida, novos conceitos de relacionamento e interacção humanas, com motivações claras e expressas e intransigente no seu papel que tomou para si. Tudo o mais é mito.