- Ponto de Situação –

O JOÃO SILAS [link] entende que eu não sei e não compreendo as dificuldades que atravessam aqueles que nascem e crescem nas favelas, nomeadamente os afro-descendentes que trazem atrelado a si uma série de preconceitos e estereótipos que vão desde o sambista-malandro à própria intolerância religiosa (dificilmente um membro de uma religião afro-brasileira consegue emprego estável). Tanto sei (e arrisco sem medos dizer que até bem melhor do que o João Silas) que o tema dá-me para inúmeras reflexões entre as quais se inclui um livro. Conheço a realidade com toda a clareza. É óbvio que há todo um complexo social latente cujas origens remontam ao período colonial e se reforçam com a independência do Brasil. São factos. No entanto, os factos e as leituras sociológicas não anulam o problema real: o crime organizado e o papel da massa brasileira nesse aspecto. Admitem, os próprios brasileiros, que os mais recentes imigrantes do seu país a chegar a Portugal, não constituem uma contribuição benéfica para a sociedade. Muitos sabem ao que vêem e trazem na bagagem um bom currículo no mundo do crime. Há alternativas ao ciclo vicioso do crime, nas favelas? Há, dá é muito mais trabalho e requer coragem para enfrentar os preconceitos sociais, uma coragem mais complexa do que aquele que é necessária para enfrentar as balas. Portanto João, não ache que eu não sei do que falo.
Afixado por: [JFD] at Setembro 20th, 2008 em Instantes, Krónica


Parece que temos o mesmo nome.
Olá João.
Talvez este texto me faça reflectir um pouco sobre o que escreveu no outro, mas na minha primeira impressão fiquei a achar aquele texto um pouco não diria discriminatório mas algo desse género, se é que me está a entender.
Há alternativas ao ciclo vicioso do crime, nas favelas? Há, dá é muito mais trabalho e requer coragem para enfrentar os preconceitos sociais, uma coragem mais complexa do que aquele que é necessária para enfrentar as balas
Acho que esta frase diz muito e resume quase tudo o que andamos para aqui a debater, no entanto apenas 0.5% sem estudo, apenas uma estimativa se deve safar, não? Eu próprio arriscaria a dizer que vencer o preconceito e conseguir uma vida quando se vem de onde estes jovens vêm é quase impossível. Não?
Obrigado pela referência, João.
Comentário por João Silas — 20 de Setembro de 2008 @ 14:11