O POVO DEBATE-SE, hoje, entre a modernidade e o classicismo social. Vai vivendo, aos solavancos, a ideia de multiculturalismo, ao mesmo tempo que as tradições e a memória colectiva se enraíza no ruralismo identitário. O povo, feito de lembranças e saudosismos poéticos, pincelados pela clausura do Estado Novo, lida mal com a diferença, sendo por isso um povo extremamente desconfiado do próximo (embora seja também um excelente anfitrião). O Inquérito Social Europeu indica que estamos entre os povos europeus mais desconfiados do próximo, ao mesmo tempo que temos uma atitude de descrença face ao poder político. Isto significa que o jogo entre o conservadorismo social e o multiculturalismo se vai fazendo, a ritmos disformes, e que essa troca de identidades vai resolvendo racismos e criando mais estereotipias, simultaneamente. O desinteresse e a descrença face à política herdámo-la do tempo de Salazar e do Cardeal Serejeira, em que a governação era matéria de Estado e a oposição sobrevivia na clandestinidade. O nosso descontentamento traduz-se em desinteresse. Vamos cedendo aos partidos políticos a defesa dos nossos direitos, o garante da pluralidade e do Direito. O nosso activismo, fica-se pelo sofá.
{photo de Bruno Silva}



gosto muito daqui, e gostei em especial deste post.
devo ir a portugal em julho.
seria um prazer conhecê-lo.