AS MANIFESTAÇÕES ESTUDANTIS sempre foram um magnífico caldeirão de cidadania. Ali se formam mais cidadãos do que politiqueiros, logo a rua é uma escola de política viva manifestamente superior que os partidos políticos e as juventudes partidárias. A política feita nas ruas têm muito mais de verdade, de insatisfação, de legitimidade, de vontade, em suma tem mais das pessoas. Já os partidos têm mais de interesses e jogos de sedução do que de política humana. Quando em Portugal, há dias, a política bateu à porta dos liceus, os jovens portugueses deram mostras de uma cidadania adolescente mas viva. O que desagrada, e muito, o poder. Os governos têm nas escolas um garante de formação de alinhados, de rebanhos. Não esperam que a escola produza outra coisa que não seja um bando de cidadãos amestrados. Que estes se revoltem é já uma fuga no sistema. Quando os jovens se desagradam, saem às ruas e se manifestam, a democracia enche os pulmões de novo ar. O poder, por seu lado, coça o queixo. O que fazer quando futuros eleitores pensam por si?
{photo by Isco72}



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