
A CRIMINALIDADE em Portugal tem vindo a aumentar atingindo níveis históricos. A instabilidade social está generalizada, propagando-se um clima de medo perigosamente xenófobo e racista. Se a crise financeira é a primeira responsável pelo corromper do contrato social, em última análise o Estado tem grandes responsabilidades. Por um lado, há um combate desorganizado e insuficiente ao crime (cada vez mais organizado e de rápida acção), por outro vigoram leis de imigração condescendentes (atraímos cada vez mais classes sociais muito baixas e problemáticas, particularmente do Brasil), e por outro, há uma impunidade judicial gritante. À sombra do receio de discursos relativos, particularmente demarcados por uma extrema-esquerda utópica e teorético, vamos convivendo com uma sociedade não descaracterizada (como atira a direita conservadora) mas uma sociedade incapaz de assimilar os que chegam, às avessas com os que não se pretendem ajustar, extremamente influenciada pelas crises cíclicas (graças ao custo de vida exorbitante) e vítima de governos presos aos lóbis financeiros.
Os discursos da segregação, da getização e da exclusão primária vão perdendo aplicabilidade prática, à medida que vamos convivendo com uma realidade a la parisienne. Os que vão chegando são precisamente aqueles que os seus países de origem pretendem exportar com mais fluídez possível. Cada vez mais, viver na cidade de Lisboa ou Porto assemelha-se a viver em São Paulo ou Rio de Janeiro.


O que me parece não é que os criminosos acordaram agora mas sim que desde o assalto ao BES de Campolide os jornalistas acordaram para o potencial noticioso que o crime tem