A distinção entre esquerda e direita, ideologicamente, alicerça-se em interpretações sociais como o acesso à saúde, à escolaridade, a mobilidade social, o património cultural, a liberdade religiosa, a liberdade sexual, as migrações e as etnias. São imagens-centrais dos discursos possíveis. Todavia, a esquerda carrega um cliché que a condiciona e a torna, muitas vezes, irracional: o valor supremo da defesa das minorias étnicas. Ao invés de analisar o sujeito pelo sujeito, sem diferenças e sem etnicidade, a esquerda simplista cai no erro de ler o real a partir da ideia de racismo e xenofobia. Quem na esquerda condenar os acontecimentos da “quinta da fonte” sem usar a lente da desculpabilização racial é mal-entendido por essa esquerda. No entanto, é precisamente essa esquerda que mantém o status quo do discurso racial, ao fazer prevalecer o discurso da vitimização. Conhecem a expressão “vai trabalhar, malandro!”? É por aí.
# originalmente publicado [aqui]



Trabalham e muito. Vai até ao bairro Alto logo à noite e vê como…