OS ANOS 90 FORAM, na sua essência cultural e social, um prolongamento da década anterior. Musicalmente são fruto da qualidade incomparável da década de 1980, herdando bandas, géneros e compositores. Esteticamente a década da minha adolescência ficou agarrada ao enquadramento visual dos eighties. Continuámos a andar acompanhados do walkman (símbolo marcante de toda a minha entrada na fase adolescente) e só mais tarde introduzimos o discman. As calças rasgadas, os penteados, os chapéus à Doherty, os ténis All Star, a segurança criada pelos anos fulgorosos do neoliberalismo, seduzidos pela simbologia de uma América dominante expressada pelo poder da sua bandeira e das séries televisivas como Beverly Hills 90210. Herdamos da geração anterior a esperança, a motivação social e a crença num futuro melhor, ideais que a geração que atravessa a década de 2000 não foi capaz de absorver. Fomos nós, acredito, os últimos de uma geração verdadeiramente social e culturalmente inconformada. Manuela Ferreira Leite chamou-nos “rascas”. Tanto melhor.
p.s. nenhum outro tema honraria o post número 900 do Kontrastes.Org



Rascas ???
COM MUITO ORGULHO !!
E os de geração de 70 ?
Essa sim, foi uma grande geração. Para mim, anos 90 foram o surgimento do grunge pelas mãos dos Nirvana, da unificação das duas Alemanhas, do cavaquismo, da Europa, etc.