O ROMANCE, ACREDITO tratar-se de um sentimento/estado-de-espírito de esquerda. Ok, eu explico. A direita, ao configurar a realidade e a conduta social em tipificações comportamentais, assume que os sentimentos devem ser reprimidos e mantidos no segredo da alcova iluminada pela média-luz de uma vela. Os sentimentos amorosos - e as consequentes demonstrações públicas de afecto - são contas de rosários particulares, e as boas maneiras obrigam a serem controlados. A esquerda, fruto de um fulgor romântico-liberal, consanguiniza-se com o desejo incontrolável e com as manifestações públicas de afecto, ao mesmo tempo que se compadria com o amor não correspondido, bucólico e poético.
Isto tudo para dizer que é natural, à esquerda, a vivência livre e espontânea do amor. Porque apreende os afectos como algo natural, profundamente humano, não lhes atribuí qualquer conotação pecaminosa-religiosa. Por entender a união entre seres humanos como parte da vivência social, cognitiva, espiritual e física dos indivíduos, a esquerda jamais deverá (e felizmente não o faz) condenar as uniões homossexuais, poligâmicas, ou o tão simples e natural sexo pré-matrimonial. À esquerda cabe o papel de defender e garantir a experiência individual e livre da sexualidade. E sexualidade é apenas um exemplo da importância da defesa das liberdades.
→ Em Linha: post também ali.
{photo by El Rio}



Adoro a imagem! E a frase também é gira