A DOENÇA DO SÉCULO XXI não é a obesidade mas tem estranhas familiaridades com esta, e embora aparente não se trata de introspecção nem de contemplação. É pura e simples apatia. Esta doença, filha de sociedades modernas e completas, revela-se na grande maioria dos cidadãos e particularmente nos políticos e chefes de gabinete. É parente, sim, com a improdutividade e com a tachocracia. Os marginais, todos aqueles (uma mão cheia) que pretendem fazer algo, produzir e colocar os outros a trabalharem num projecto têm tarefa complicada. Contra eles estão tubarões da carreira política e coçadores de profissão. O simples acto de ter uma ideia e pretender levá-la em diante origina muitas caretas. Implica que aqueles que se dedicam a coçar até fazer ferida tenham de deixar de o fazer, colocando de lado uma arte tão nobre como a de não fazer nenhum. Por isso, aquele que tem uma meta, que é dinâmico e não se assimila, tem uma carreira aparentada com a do herói: de pouca duração e extremamente solitária. E para aqueles que se mirando ao espelho vêm alguém dinâmico: não, o chico-espertismo não é dinamismo, é o outro cancro social português. É o parente bailarino da apatia.
{photo by u.linder}



Acho que a doença que mais vtimas faz é a depressão