FIEL À RAZÃO: João Pereira Coutinho escreveu aqui há uns tempos na Atlântico edição impressa, que por muito que tentasse ser de esquerda não conseguia; a propósito do assalto que foi vítima em São Paulo, Brasil. Embora não partilhe dos valores ideológicos perfilhados por João Pereira Coutinho (JPC), não tenho por hábito trocar a razão pela ideologia. Não entendo que com tal afirmação JPC esteja a assumir-se como racista, longe de entender as suas palavras como tal; creio, isso sim, que JPC nos tenta dizer que a criminalidade resulta muitas vezes de níveis de desresponsabilização étnica e de uma política de imigração descontrolada, reforço descontrolada porque não sou contra a imigração per si, afinal, a emigração faz parte da história do nosso país. Agora, há que não confundir imigração como possibilidade de delinquência fácil. E isto é o rescaldo da nossa incoerente política de fronteiras.
Há ainda que dar razão a quem critica — e neste ponto o Bloco de Esquerda tem particular responsabilidade — a política social levada a cabo junto dos bairros clandestinos, vulgarmente definidas por “barracas”. Estas políticas são, contrariamente ao que se pensa, descriminatórias. Elas não descriminam os imigrantes de antigas colónicas, ciganos ou imigrantes novos, elas descriminam sim os portugueses. Porque motivo são os demais alvo de tantas facilidades e os cidadãos que pagam impostos não? Porque o abono de família é maior para indivíduos de etnia cigana? Porque há tratamento diferencial hospitalar para imigrantes de leste?

Estas e outras perguntas ficam sem resposta. E é por essas e por outras que a direita têm legitimidade política. Ora bolas.

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