VÍCIO DOS OUTROS: Rui Bebiano, a propósito da nova lei do tabaco, diz o seguinte: Mas não me espantarei quando estes vierem dizer-nos que provoca a cegueira, causa a impotência e conduz ao inferno. Ao que parece Rui Bebiano faz parte dos dois milhões de fumados portugueses — nos quais se inclui Miguel Sousa Tavares — que acham que os não-fumadores devem levar com o fumo deles. A mim não me interessa grande coisa os malefícios do tabaco (exceptuando àqueles que me são mais próximos), os fumadores estão mais do que informados, e se mantêm o vício é porque em boa medida este é uma prática de sociabilidade. Agora, não estou para ser incomodado pelo fumo dos outros. É, de facto, uma questão de liberdade: a de não ser prejudicado pelo vício dos outros.

2 Responses to “”


  1. 1 susana

    Desejos de um 2008 em grande!

  2. 2 José Luiz Sarmento

    Há uma diferença entre ser incomodado e ser prejudicado por uma acção alheia. Por exemplo, uma pessoa a falar alto com outra na carruagem do metro incomoda-me, mas não me prejudica.

    O fumo dos outros prejudica-me, ou apenas me incomoda? Tudo depende, presumo eu, da concentração: acima de x milímetros cúbicos de fumo de cigarro por metro cúbico de ar, e o risco para a saúde dos circunstantes é mensurável; logo, pode-se falar de um prejuízo. Abaixo de x o risco deixa de ser mensurável e só se pode falar de um incómodo.

    O que eu observo nos histéricos anti-tabagistas é que se recusam por sistema a definir o valor de x. O que até nem é ilegítimo, porque as pessoas têm o direito de não ser incomodadas. Mas então definam-se zonas nos transportes públicos onde seja proibido conversar e atender o telemóvel.

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