|||O BRASIL EM CONTRA-MÃO: Que
João Pereira Coutinho (JPC) é um conservador assumido já não é novidade nenhuma, da mesma forma que não deixa de ser factual que tem uma capacidade prosaica de se exprimir, isso até
Joana Amaral Dias assume. Agora o que a mim não me convence é que João Pereira Coutinho seja pessoa indicada para falar do Brasil. Acima de tudo porque ele ainda não entendeu que o Brasil não é país, é uma multiplicidade de factores, de realidades, e mais do que tudo isso, o Brasil são modos de estar.
JPC assume-se
um fã de Diogo Mainardi, alguém que se tem dedicado a promover o descrédito do Presidente Lula. Para JPC e Diogo Mainardi o país estaria melhor sem Lula, fosse quem fosse o presidente. Antes de mais parece que o principal é derrubar Lula não encontrar substituto à altura. Da entrevista publicada na sua rúbrica na «Folha de São Paulo», vale a pena realçar uma passagem que resume todo o pensamento Mainardi - Coutinho:
(JPC) E o Brasil? Seria capaz de eleger um negro?
(DM) O Brasil seria capaz de eleger uma anta.
O que para estes conservadores, com projecto de um Brasil very british, seria preferível. Um país onde a identidade africana é elemento marcante da cultura do país, é para estes conservadores um país indesejável. O fundamental é manter a boa e velha segregação, os negros lá longe — são bandidos, que se matem. Quem quer um presidente que promove a redescoberta da memória africana, que procura promover políticas de integração social e redução das assimetriais de cor?
João Pereira Coutinho e Diogo Mainardi acabam por ser, eles mesmo, parte do grande entrave à democracia racial brasileira. Isso não lhes podemos perdoar. Aposto que a cara Selenia concorda comigo.
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(foto de Tatiana Cardeal)
Que raios, um postal sobre o Brasil sem mulatinhas peladas… tá mal, tá mal.