COM 2008 A CHEGAR AO FIM torna-se imperativo passar o ano em revista:
De um maneira geral, 2008 vai ficar marcado como o ano negro do Novo Milénio. A crise voltou a pintar de áreas negras e cinzentas o globo terrestre anunciando o fim do liberalismo de mercado de modelo norte-americano conservador. As políticas económicas baseadas numa lógica de mercado auto-reciclável morderam no próprio veneno, desta feita atingindo os países desenvolvidos. O drama estava instalado.
2008 marca ainda o fim de um ciclo de política externa de modelo unilateral e unipolar. As duas administrações Bush empurram os EUA para uma montra de descrédito internacional ao mesmo tempo que o diálogo intercultural passou a vigorar, fruto de novos pólos de poder, novas economias emergentes.
Ainda numa lógica internacional, as eleições americanas deste ano marcaram a agenda política e mediática, agudizadas pela ameaça crescente da crise (aterrorizada pela falência da Islândia) e centraram as atenções mundiais na esperança de um novo amanhecer. O povo americano deu provas de estar em ebulição uma nova sociedade, mais aberta e dialogante, e elege o primeiro presidente negro, Barack Hussein Obama, o candidato mais eloquente das últimas décadas. O mundo estava a seus pés, a América confirmou positivamente essa confiança e sedução.
Os Jogos Olímpicos de Pequim trouxeram todas as atenções para os atentados aos direitos humanos perpretados por uma economia em crescimento à base de uma violência física e psicológica. A questão tibetana voltou à agenda internacional e a imagem pública da China não ficou em piores lençóis porque os interesses comerciais e estratégicos do países fizeram o Ocidente engoliar a coragem e passar um pano dos Direitos Humanos.
No quadro nacional, 2008 foi o ano de todas as contestações. O governo de José Sócrates caiu em descrença e foi o alvo de todas as críticas. Maria de Lurdes Rodrigues arrecadou para si o título de personalidade nacional do ano, numa escolha pessoal, depois de fincar pé num braço-de-ferro com os professores e alunos, superando Mário Lino e a confusão do aeroporto internacional de Lisboa e Manuela Ferreira Leite, que fica também para história política recente como a líder da oposição que promove um governo melhor que ele próprio. Num período de crise ideológica e institucional, o PSD é incapaz de se afirmar como oposição com MFL a ter de assumir a maior responsabilidade.
No plano desportivo 2008 foi o ano de afirmação de Cristiano Ronaldo enquanto Nélson Évora arrecadou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim. Scolari abandonou a Selecção Nacional depois de uma campanha muito negativa do Europeu co-organizado pela Suíça e Áustria.








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