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1125|2008 Revisitado

COM 2008 A CHEGAR AO FIM torna-se imperativo passar o ano em revista:

De um maneira geral, 2008 vai ficar marcado como o ano negro do Novo Milénio. A crise voltou a pintar de áreas negras e cinzentas o globo terrestre anunciando o fim do liberalismo de mercado de modelo norte-americano conservador. As políticas económicas baseadas numa lógica de mercado auto-reciclável morderam no próprio veneno, desta feita atingindo os países desenvolvidos. O drama estava instalado.

2008 marca ainda o fim de um ciclo de política externa de modelo unilateral e unipolar. As duas administrações Bush empurram os EUA para uma montra de descrédito internacional ao mesmo tempo que o diálogo intercultural passou a vigorar, fruto de novos pólos de poder, novas economias emergentes.

Ainda numa lógica internacional, as eleições americanas deste ano marcaram a agenda política e mediática, agudizadas pela ameaça crescente da crise (aterrorizada pela falência da Islândia) e centraram as atenções mundiais na esperança de um novo amanhecer. O povo americano deu provas de estar em ebulição uma nova sociedade, mais aberta e dialogante, e elege o primeiro presidente negro, Barack Hussein Obama, o candidato mais eloquente das últimas décadas. O mundo estava a seus pés, a América confirmou positivamente essa confiança e sedução.

Os Jogos Olímpicos de Pequim trouxeram todas as atenções para os atentados aos direitos humanos perpretados por uma economia em crescimento à base de uma violência física e psicológica. A questão tibetana voltou à agenda internacional e a imagem pública da China não ficou em piores lençóis porque os interesses comerciais e estratégicos do países fizeram o Ocidente engoliar a coragem e passar um pano dos Direitos Humanos.

No quadro nacional, 2008 foi o ano de todas as contestações. O governo de José Sócrates caiu em descrença e foi o alvo de todas as críticas. Maria de Lurdes Rodrigues arrecadou para si o título de personalidade nacional do ano, numa escolha pessoal, depois de fincar pé num braço-de-ferro com os professores e alunos, superando Mário Lino e a confusão do aeroporto internacional de Lisboa e Manuela Ferreira Leite, que fica também para história política recente como a líder da oposição que promove um governo melhor que ele próprio. Num período de crise ideológica e institucional, o PSD é incapaz de se afirmar como oposição com MFL a ter de assumir a maior responsabilidade.

No plano desportivo 2008 foi o ano de afirmação de Cristiano Ronaldo enquanto Nélson Évora arrecadou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim. Scolari abandonou a Selecção Nacional depois de uma campanha muito negativa do Europeu co-organizado pela Suíça e Áustria.

1124|Os Livros pagam-se bem

QUANDO O MINISTÉRIO DA CULTURA balbucia palavras como “política do livro e da leitura” convém que se atirem soluções económicas para os entraves financeiros colocados ao mercado livreiro. O preço dos livros é elevado ou nas palavras de António Lobo Antunesos livros em Portugal são indecentemente caros . É um facto. E embora tal não seja justificação única para a baixa aquisição de livros a verdade é que as obras literárias pagam-se ao peso da capa. Obviamente que as editoras estão dependentes dos lucros e quando a situação é de crise as apostas literárias tornam-se contidas. Os best-sellers são o pão na mesa das editoras nacionais. O que fazer? Encarar o livro como um produto não só culturar mas também económico, como um produto de mercado e apostar nele como se aposta em micro-ondas. A lógica não necessita de ser diferente, o livro não tem pudor em ser vendido dessa maneira.

1123|Clubismo Ideológico

O ADÁGIO POPULAR DIZ que “religião, futebol e política não se discutem”. Se não se discutem tais assuntos encaminhamos a sociedade rumo à estagnação intelectual e a um modelo de construção social baseado no «rebanhismo». Os comentários ao post anterior (por pudor) não publicados mostraram-me que os portugueses são ingratos para com a democracia. O pluralismo de opinião nunca será respeitado, a menos que o pluralismo signifique uma diversificação de canais para uma mensagem comum. A fé, a qualidade de um clube e o estado de um partido são, para mim, matérias que devem ser alvo de reflexão, SEMPRE norteada pela serenidade. A auto-crítica e a aceitação da crítica alheia deve fazer parte de um espírito democrático. A sociedade tem-na? Não creio. E se a sociedade não é verdadeiramente democrática também a blogosfera não o é. Se não me é lícita a incursão nestes temas, a que temas remeto o Kontrastes?

1122|O Obama do PCP

AQUANDO DA VITÓRIA de Barack Obama, os comunistas portugueses foram dos poucos movimentos e partidos políticos que não saudaram a eleição do candidato «democrata» à Casa Branca. Mostraram-se, aliás, renitentes quanto ao sucesso da sua governação, provando que seja o que for que venha da América ali é matéria no grata. No entanto, imitar o estilo do novo presidente norte-americano parece menos condenável. O “Yes, we can” de Obama  foi substituído pelosim, é possível uma vida melhor de Jerónimo. Afinal, qual vai ser a bandeira do PCP para o século XXI? Não pode o PCP esquecer que o seu papel é cada vez mais importante, necessitando de agir no vazio criado por um PS muito pouco socialista. Atente-se ao figurino do comunismo português.  

1121|A ‘esquerda’ do PS

MAIS DO QUE AS EXIGÊNCIAS de benefícios fiscais para os mais desfavorecidos, o que chama a atenção na notícia vinculada hoje no «Público» é o nascimento declarado de uma ala ‘esquerda’ dentro do PS. Sabendo que falamos do partido que personificou nas últimas décadas a «esquerda democrática», a emancipação de uma ala liberal no seio do partido é a constatação final do encaminhamento do partido em direcção à ‘direita’ tradicionalmente vinculada ao PSD. Começa a fazer sentido o desafio de Marcelo Rebelo de Sousa de dirigir as políticas sociais dos «sociais-democratas» na direcção da esquerda democrática. Afinal, o PS deixou esse sector do espectro político órfão. E de que maneira.

1120|Texto em Ninho de Águia (1)

Tradicionalmente reflectimos sobre a lusofonia sob um velho paradigma: exportação cultural portuguesa. A epopeia da Diáspora Lusitana, não quisemos encerrar esse período na história nacional e trouxemos-lo, através do ensino (primeiro durante o Estado Novo e agora na não revisão da temática) até à ilusão dos dias de hoje. Continuamos presos à ideia de uma lusofonia feita de Portugal para o mundo. Para quando uma lusofonia feita de uma identidade multicultural? Estaremos dispostos a abrir mão da Lusofonia, um termo que não pode, nem de facto é, propriedade nacional. A verdadeira lusofonia é aquela que é feita de equidade e democrático diálogo cultural conjugado.
# in «Nova Águia» [link]

1119|Realismo à portuguesa (2)

JOSÉ SÓCRATES MORDEU A CAUDA. O Primeiro-Ministro caiu no erro de chamar a si os louros da redução das taxas de juro. Sabendo que tal baixa resulta das políticas do Banco Central Europeu (BCE), José Sócrates pensou que faria dos portugueses parvos. Isso diz muito da sua forma de fazer política.

1118|Citando Livros (4)

Kibera é o maior dos bairros degradados de Nairobi, talvez o maior em toda a África. Ninguém sabe quantas pessoas ali vivem. São pelo menos umas 700 mil, mas poderão ser um milhão, ou mesmo mais. Pelo menos 50 mil crianças de Kibera são órfãs da SIDA. No que respeita a Kibera, nada é certo, nada é oficial, nem mesmo a sua existência. Não aparece em nenhum mapa. Existe, nada mais.

# Bill Bryson, Diário Africano, página 21, Quetzal Editores

1117|Realismo à portuguesa

O PSD ACUSA JOSÉ SÓCRATES de usar o tempo de antena destinado à mensagem de natal aos portugueses como espaço de propaganda do governo. Sem deixar de ter razão, impõe-se a pergunta: não faria o PSD o mesmo (e digo PSD como poderia dizer qualquer outro partido político)?

1116|Xmas Time!!!

É MEIA NOITE, PODEM ABRIR OS PRESENTES!! BOM NATAL PARA TODOS!!

1115|Diário Africano

O PEQUENO LIVRO DE BILL BRYSON, “Diário Africano”, serve para duas coisas: por um lado é um pequeno donativo à ONG «CARE», por outro serve de constatação de que os americanos conhecem pouco mais do mundo do que o próprio umbigo. Isso é dizer muito mais do que parece. Um país que é a balança das relações internacionais não pode ter uma população (e por arrastamento um corpo diplomático) que interpreta o mundo a partir da sua cosmovisão e que conhece a diversidade cultural a partir dos filmes caseiros. Quando o suposto autor mais conhecido de viagens cai no erro de não saber nada sobre África temos um problema sério. O facto de ter nascido no Iowa não serve de desculpa.

(…) Como trabalho de casa, tinha mesmo revisto cuidadosamente o filme Out of Africa, de onde retirei a impressão de que passaria a maior parte do tempo numa varanda, com criados de turbante a trazerem-me café. Já calculava que uma vez por outra visitássemos um posto sanitário, ou que alguém do grupo pudesse ocasionalmente ter de disparar sobre um animal em carga furiosa, mas nunca imaginava qualquer coisa que disparasse contra mim em resposta.

1114|As Exigências da Política Moderna

ESQUEÇAMOS OS TABUS e somos obrigados a concordar que a política moderna tem muito mais de marketing visual do que programas políticos. Só isso justifica que, a pensar em 2010, Dilma Roussef tenha feito uma plástica de rejuvenescimento facial.

1113|Chapa-Gasta

JESUALDO FERREIRA É PRECONCEITUOSO, quem o diz é Leandro, lateral-esquerdo emprestado ao Palmeiras. Afinal a falta de oportunidades não se deve à competitividade, à entrega ou ao talento, tudo se resumo ao facto de Jesualdo Ferreira não gostar de brasileiros. Numa casa de tradição sul-americana, os jogadores brasileiros têm andado ela por ela com jogadores portugueses, quando não foram em número superior. Agora, é certo, a predominância é de atletas argentinos. Todavia, há ainda Hélton, Hulk e Fernando, habituais titulares no esquema do FC do Porto, vá-se lá saber porquê.