PERANTE O CRESCIMENTO das extremas-direitas no país, ameaçando as bases democráticas, a Áustria viu dado um passo em frente pela consolidação da democracia como caminho certo na construção social e económica do país. Os sociais-democratas (centro-esquerda) e os conservadores do Partido Popular austríaco chegaram a um acordo sobre o governo de coligação, depois meses depois das eleições legislativas. A ameaça não-democrática tendeu a diluir as fronteiras entre os dois pólos de poder.
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O HERÓI E A PERSONALIDADE DE ESTADO confundem-se através das ideologias sócio-políticas. Por isso, o Guilherme diz que a “prática conservadora necessita constantemente da utilização dos heróis“. Para este lado de cá do oceano, essa utilização de heróis chama-se messianismo. O povo tende a deixar a uma personalidade forte a responsabilidade de o guiar. Todavia, o culto da personalidade, amplamente abordado nos anais da história, é o fungo genético do marketing político. A experiência da venda de uma personalidade como condutor de rebanhos, como salvação e como messias político é uma prática recorrente do marketing político actual. Mas não só. Aliás, essa venda a-moral de uma personalidade não é mais do que o pó saído das estantes da propaganda da Alemanha nazi ou do culto a Stalin, na ex-URSS.
DIRECTORES NÃO! É este o nome da nova plataforma estudantil que visa demitir Maria de Lurdes Rodrigues (Público). A partir do Estatuto do Aluno que condensava o regime de faltas justificadas e injustificadas no mesmo pacote, a Plataforma procura conquistar uma verdadeira reformulação do sistema de educação português, obsoleto. É impossível deixar de sorrir perante o alargamento da cidadania aos pré-eleitores. A juventude portuguesa entrou numa nova dimensão social, acordou da playstation e voltou às ruas, imitando a hiperactiva juventude francesa. Aqueles que fizeram o Maio de 68 não podem deixar de se sentir orgulhosos. A herança da juventude activista, renasceu.
MARCELO REBELO DE SOUSA deixa em aberto a hipótese de um possível regresso à liderança do PSD. Perante uma nefasta Manuela Ferreira Leite, que mais não trouxe que o agudizar da crise interna do maior partido da oposição, Rebelo de Sousa poderá ponderar um revivalismo da liderança partidária (Público). Não sabemos se cansado do «show-business» ou não, mas para já não é de descartar.
A DOENÇA DO SÉCULO XXI não é a obesidade mas tem estranhas familiaridades com esta, e embora aparente não se trata de introspecção nem de contemplação. É pura e simples apatia. Esta doença, filha de sociedades modernas e completas, revela-se na grande maioria dos cidadãos e particularmente nos políticos e chefes de gabinete. É parente, sim, com a improdutividade e com a tachocracia. Os marginais, todos aqueles (uma mão cheia) que pretendem fazer algo, produzir e colocar os outros a trabalharem num projecto têm tarefa complicada. Contra eles estão tubarões da carreira política e coçadores de profissão. O simples acto de ter uma ideia e pretender levá-la em diante origina muitas caretas. Implica que aqueles que se dedicam a coçar até fazer ferida tenham de deixar de o fazer, colocando de lado uma arte tão nobre como a de não fazer nenhum. Por isso, aquele que tem uma meta, que é dinâmico e não se assimila, tem uma carreira aparentada com a do herói: de pouca duração e extremamente solitária. E para aqueles que se mirando ao espelho vêm alguém dinâmico: não, o chico-espertismo não é dinamismo, é o outro cancro social português. É o parente bailarino da apatia.
{photo by u.linder}
TODOS NÓS GOSTAMOS de mandar umas boas bordoadas no governo e este, vai nos dando motivos para tal. Recorremos às acusações contra os gastos astronómicos em obras públicas mediatizadas e queixamo-nos da falta de investimento na Protecção Civil. Quando as catástrofes acontecem, temos sempre um dedo acusador apontado à testa do Primeiro-Ministro. Todavia, sabemos também criticar quando há simulacros. Olhemos Daniel Oliveira. A resposta chega prontamente por Maria João Pires. MJP chama “insensato”, eu diria que é do contra.
(…) Na cidade todos se misturavam, o pobre de hoje podia ser o rico de amanhã, o tropeiro de agora poderia ter amanhã uma grande fazenda de cacau, o trabalhador que não sabia ler poderia ser um dia chefe político respeitado. (…) E o rico de hoje poderia ser o pobre de amanhã se um mais rico, junto com um advogado, fizesse um «caxixe» bem feito e tomasse sua terra. E todos os vivos de hoje poderiam amanhã estar mortos na rua, com uma bala no peito. Por cima da justiça, do juiz e do promotor, do júri de cidadãos, estava a lei do gatilho, última instância da justiça de Ilhéus. (bold meu)
# Jorge Amado, Terras do Sem Fim, página 199, edição de 1942, Colecção Livros do Brasil
SE PODEMOS APONTAR O DEDO ao mundo acadêmico português em algum aspecto, a sua clausura face ao exterior é uma delas. Raras vezes se entrelaçam o universo académico, sociedade civil e instituições público ou privadas. Os académicos, na busca de assegurar um papel de legimitidade e autoridade, não contemplam o diálogo com os outros peritos, os que façam do seu saber um aspecto do quotidiano vivido. E quando o fazem escolhem os moldes sempre errados - informação não referenciada ou aproveitamento temporário do estudado.
A PROPÓSITO do trabalho desenvolvido na APCAB, recebi o convite de participar no «X Congresso Luso-Brasileiro de Ciências Socias», a ter lugar na Universidade do Minho, em Braga. No mesmo âmbito, recebo hoje o convite para o «IV Encontro Açoriano da Lusofonia». O resultado desta abertura exterior poderia ser positivo. Agora, ter de pagar para contribuir não me parece uma política aceitável. Para além das deslocações por nossa conta, consta ainda o pagamento de inscrição para o orador. Deixem ver se compreendi: pretendem incluir contributos fora do universo académico mas que se assumem como focos de conhecimento em muitos aspectos superior, mas esses contributos não valem por si, são também fonte de receitas. Em suma, desloco-me a Braga e Açores, pago deslocações e estadia do meu bolso e ainda pago para me ouvirem falar dos assuntos. Eles tiram notas e que ganho eu com isso? Só para ter ouvintes fico-me por aqui mesmo, na blogosfera. No fundo sou um convidado que paga o bolo, o presente e o jantar do aniversariante.
{photo by shinemy}
1. DISPUTA-SE HOJE, a segunda volta das eleições que definiram quem liderará o Partido Socialista Francês. No tête-à-tête estão Ségolène Royal, ex-candidata presidencial, e a presidente da Câmara de Lille, Martine Aubry.
2. A violência e os crimes passionais continuam a dar cartas em Portugal. Para reforçar aquilo que foi escrito aqui, nada como referir que ontem uma mulher de vinte e dois anos morreu atropelada, em São João da Talha (Loures). A jovem terá, alegadamente, sido empurrada para a estrada pelo namorado, após uma acalorada discussão.
3. A propósito da notícia anterior, importa realçar a resolução tomada ontem em Conselho de Ministros: Os agressores no âmbito da violência doméstica vão poder ser detidos mesmo que não sejam apanhados em flagrante delito.
O ESCRITOR BRASILEIRO, Paulo Coelho, tomou para si a missão de pregar uma filosofia de vida aos seus leitores. Veste-se de um traje espiritual e entra em cena como guru da vida moderna. Os seus escritos têm sempre um quê de moralismo, do qual ele é o bastião maior, o grão-mestre. Os milagres, a experiência religiosa interna, a espiritualidade do guerreiro da luz, etc., etc., são bastonadas filosóficas-espirituais que Paulo Coelho pretende dar à sociedade, à medida que vai doutrinando os leitores na arte de bem-viver. Não sei porquê, mas desconfio que PC leu Osho a mais.
ATRAVÉS DO JOÃO SILAS, cheguei a uma curiosa notícia no «Sol», mas que espelha bem o mediatismo e os sucessivos malabarismos políticos por trás do governo de José Sócrates. Segundo consta “José Sócrates esteve na Escola do Freixo, em Ponte de Lima, a entregar computadores aos alunos do 1.º ciclo. Mas, depois de o primeiro-ministro ir embora, as crianças tiveram de devolver os Magalhães”.










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