… criticaram duramente o papel da mulher no cristianismo e no judaísmo (no islamismo, pelo menos directamente, ninguém tocou). (…) É sem dúvida lamentável que a gente que escreveu o Antigo Testamento entre o século X e o II a.C. não conhecesse e privasse com a dr.ª Augusta e o dr.º Mário Soares, para vantagem da humanidade e da correcção política. Sobretudo, como hoje se constata, a ausência da dr.ª Augusta (e do PS) foi trágica. (…) A dr.ª Augusta “não fica descansada” lá porque a mulher é “enaltecida” em “textos religiosos”. De maneira nenhuma. Como presidente do Departamento das Mulheres Socialistas, uma seita temível, não descansa enquanto não corrigir em pessoa, e em assembleia geral, os “textos religiosos” que por aí andam a pregar, com insídia, a supremacia do homem”.
Vasco Pulido Valente, tem aqui um artigo no mínimo faccioso. Primeiro, porque opta pelo Antigo Testamento em detrimento do Novo Testamento (aquele que é mais essencial a vivência cristã). Segundo, porque aproveita um tema religioso que tem implicações históricas e sociais no papel da mulher para atacar Mário Soares e Manuela Augusta e mais concretamente o Departamento das Mulheres Socialistas. Não que o PS mereça qualquer consideração para além do mínimo exígivel do respeito humano.
VPV esquece — ou prefere esquecer em nome de uma qualquer vivência de fé pessoal — que foi essa Igreja dos Homens que contribuiu definitivamente para a exclusão social da mulher nos últimos séculos. O papel secundário, a ausência de direitos iguais, o controlo parental, uma sociedade maioritariamente patriarca, tudo é uma construção de uma Igreja feita pelo sexo masculino. Não venha VPV com argumentações baratas em nome de uma história da humanidade feita de contextos próprios. Fique-se lá com a amizade com Frei Bento Domingues.



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