TERRAS DO SEM FIM, de Jorge Amado, é uma obra polémica e que na época foi proibida nos Estados Unidos do Brasil (numenclatura de então). Num período marcado pela ausência de direitos humanos e onde imperava a ambição desmedida dos coronéis do cacau, em Ilhéus, sul da Bahia, Amado traz-nos um retrato fiel de uma sociedade que oficialmente não existia.
(…) Muito se comentava ali a fatal de religiosidade dos habitantes, as missas desertas de homens, a prostituição sendo enorme, a falta de sentimentos religiosos verdadeiramente assombrosa: uma terra de assassinos. Era pequeno, o número de padres da cidade e do município, em relação ao número de advogados e médicos. E vários desses padres se convertiam, com o correr do temppo, em fazendeiros de cacau, pouco se preocupando com a salvação das almas. Citava-se o caso do Padre Paiva, que levava sob a batina um revólver e não se perturbava se acontecia um barulho perto dele. O Padre Paiva era caudilho político dos Badarós em Mutuns, nas eleições trazia levas de eleitores, diziam que ele prometia verdadeiros pedaços de paraíso e muitos anos de vida celestial aos que quisessem votar com ele.
# Jorge Amado, Terras do Sem Fim, página 197, edição de 1942, Colecção Livros do Brasil



0 Responses to “1014|Citando Livros”