||| os caminhos de Mourinho

A revista Sábado — 27 Setembro a 3 de Outubro — tem como tema de capa “Mourinho em Privado”, acompanhando os últimos momentos do “special one” em Stamford Bridge. Seguem algumas passagens que considero relevantes:

«Gosto de um ambiente descontraído no balneário. Com música alta, podem dançar, podem rir. Mas só até 40 minutos antes do jogo. Depois é tempo de aquecimento e os meus adjuntos volta com o polegar erguido ou para baixo». (…) «Há o Mourinho que o mundo vê e o Mourinho que nós vemos todos os dias», compara Franck Lampard. (…) John Terry não gostou de saber que Mourinho tinha ido ao departamento médico perguntar se havia alguma razão clínica (eventualmente relacionada com a operação à coluna a que foi submetida em Dezembro) para o capitão estar tão em baixo de forma nesta época. (…) Mourinho esperou pelo intervalo [do jogo com o Rosenborg] para confrontar o defesa-central com as suas responsabilidades no golo consentido, mas Terry já nem lhe respondeu (o capitão negociou recentemente um contrato de cinco anos: 131 mil libras por semana, cerca de 185 mil euros, fazem dele o jogador mais bem pago da Premiership). (…)

Segundo o jornal inglês The Observer, enquanto o treinador dava a conferência de imprensa após o jogo, o milionário russo deslocou-se ao balneário e usou Shevchenko como tradutor para criticar Michael Essien: em vez de ter insistido nos passes pelo centro do terreno, disse-lhe, devia ter feito mais passes pelas alas, onde os adversários tinham menos jogadores. Foi o insulto final para o técnico português e tudo se precipitou nessa terça-feira à noite. (…) O treinador tinha-lhe enviado uma mensagem sarcástica a agradecer as queixas do capitão à hierarquia do clube. Ao longo dessa noite de quarta para quinta-feira, enviou também mensagens (estas sinceras) a Drogba, Lampard, Makelele e Ricardo Carvalho. (…)

Quinta-feira de manhã, dia 20, às 7h30, Mourinho entrou no centro de treinos do Chelsea. Recolheu os seus bens pessoais e despediu-se, emocionado, dos jogadores, um a um. Quase todos receberam um abraço. Drogba foi elogiado com um dos melhores avançados do mundo. Lampard refugiou-se na zona dos chuveiros para não mostrar as lágrimas aos colegas. Shevchenko e Terry, dois jogadores que acabaram por ser cúmplices no golpe conspirativo que o afastou do clube, receberam apenas apertos de mão. Mas a frieza não ultrapassou a emotividade. Mourinho confessou depois: “Eu também chorei, costumo dizer que tinha uma família em casa e outra no clube, que envolve o stafe, jogadores e adeptos. (…) Foram mais de sete horas de reunião, com jantar incluído. Pelo meio Mourinho mandou um SMS a (…) Bobby Robson (…) “Mister, I’m happy to leave. I have a rest, I wait for another life, no problems.” (…) Os ciúmes foram fatais para a relação entre Mourinho e Abramovich. “Porque é que eles nunca cantam o meu nome?”, ter-se-á queixado um dia o milionário russo Peter Kenyon. (…)

“Quero uma equipa com pressão, um desafio a roer, senão não dá gozo. E todos sabem que Espanha e Itália são destinos que quero”. (…) “Ainda pensa que é especial?”, perguntou-lhe um repórter da BBC no fim da semana passada. “Para os adeptos? Sempre”. (…) “Pergunte à minha mulher se sou especial”.

0 Responses to “||| os caminhos de Mourinho”


  1. No Comments

Leave a Reply