Coisas do Vasquinho

Vasco Graça Moura é daqueles colunistas para mim muito pouco colunáveis, particularmente em termos de política da língua portuguesa. Escreve ele assim, hoje no «Diário de Notícias»:

(…)Tem-se visto abundantemente no que respeita ao Acordo Ortográfico. Mas agora, segundo o Expresso, o Conselho de Ministros prepara-se para adoptar esta semana uma resolução lançando “as bases de uma política da língua”. (…) Mas limita-se a tomar como base um estudo coordenado pelo meu amigo Carlos Reis, cuja competência nesta matéria é, não duvido, muito superior àquela de que ele tem dado provas no tocante ao Acordo Ortográfico, mas cuja credulidade me suscita as mais sérias reservas, uma vez que, entre outras coisas, atribui a Luís Figo um papel canónico na promoção da língua portuguesa em Espanha… (…)

O certo é que ficaríamos todos bem mais sossegados se fosse conhecida a posição do Ministério da Educação, das universidades e de outras instituições e se tivesse havido uma discussão pública séria destas e de outras análises, bem como das linhas e dos critérios enunciados para as bases de uma política da língua.

Mas o Governo tem pressa. Vem aí a CPLP e ele quer ter alguma coisa para mostrar, com o picante de pretender agora lançar as bases de uma política da língua sem auscultação dos restantes países interessados… Não tem emenda, repito. (…)

(…) O Governo português, tão encrençado em TGVs, afinal estará disposto a deixar agachadamente que o Brasil seja “a locomotiva fundamental do processo” e “o grande interlocutor no universo da língua portuguesa para África”? Para África?

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Há duas ideias essenciais sobre as quais Vasco Graça Moura não faz a menor ideia do que fala: a premência do acordo ortográfico e a visibilidade e abertura do governo brasileiro face aos países africanos. É natural, contudo, que assim seja, afinal VGM permanece agarrado ao paradigma de uma lusofonia quinhentista.

[image by Nathan Moody]

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