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887| Casamento Gay

SOU PUBLICAMENTE FAVORÁVEL ao casamento homossexual. Trata-se, para mim, de uma questão de liberdade e pleno gozo dos direitos humanos de construção de laços de familiaridade e matrimoniais. É, portanto, uma questão tanto laica quanto religiosa. É laica porque remete para a separação dos poderes político e religioso, deixando ao Estado a regulação e satisfação dos direitos e vontades individuais e colectivas. Mas é sobretudo religiosa, porque é na religião que reside o busílis da questão. Grosso modo a religião tem sido a maior responsável no atraso do garante da igualdade de género e da igualdade de tendência sexual. Séculos de moral cristã serviram basicamente para reforçar as assimetrias de género e promover um clima de medo e de falsa moralidade. O pecado é o sabor da vida. Nesta questão (tanto quanto na liberdade e igualdade religiosa, aborto e eutanásia) a providente acção do Estado português permanece ancorada à vontade política da Igreja. A moral religiosa e os direitos civis não podem permanecer fruto da mesma colheita. É por isso que Eduardo Pitta [link] considera, e bem, uma aberração de leitura jurídica. O enquadramento legal tem passado sempre por uma censura moral prévia. Um passo seria a rejeição por parte da comunidade gay da vivência religiosa cristã. Amor com amor se paga.

Afixado por: [JFD] at Outubro 9th, 2008 em Krónica

Também serei a favor.

Mas agora levanto outra questão ao João, e a favor da adopção de crianças por casais homo?

Aí serei claramente contra.

Comentário por João Silas — 9 de Outubro de 2008 @ 17:56

a favor João. Devidamente regulada, como para os casais hetero. Há um mito de que os casais homo educam filhos homo.

p.s. em jeito de piada: quanto mais homossexuais houverem mais mulheres sobram não é? lol

Comentário por João Ferreira Dias — 9 de Outubro de 2008 @ 20:10

Acho que quando diz que é a favor não está a pensar no lado da criança.

Olha o Zezinho tem dois pais. E não tem mãe. Acho completamente prejudicial mas isso é outra discussão.
:lol: Pensando por esse lado até é bom eheheheh

Comentário por João Silas — 9 de Outubro de 2008 @ 21:04

“… mais mulheres sobram…”
Para se tornarem lésbicas? Ou para incentivar a criação de haréns?
Saudações revolucionárias.
(“Esta é a minha regra. Se não gostam dela… bem, tenho outras!” Marx, Groucho)

Comentário por ana arequista — 9 de Outubro de 2008 @ 21:50

Cara ana arequista,

a piada que aproveitou trata-se de uma private joke entre mim e o João Silas. Ressalvei a integridade da mesma anunciando que seria uma piada.

Queria aceitar como tal.

Comentário por João Ferreira Dias — 9 de Outubro de 2008 @ 23:14

Também sou favorável ao casamento entre homossexuais. Quanto à adopção de crianças por casais do mesmo género não tenho a certeza.

Comentário por Jorge — 11 de Outubro de 2008 @ 15:43

O medo da adopção por casais do mesmo sexo é um tabu que se baseia num raciocínio simplista e até um pouco provinciano. Aceito com mais facilidade quem é contra porque é contra a homosexualidade e pronto (coerência absoluta) do que quem pretende ser aberto e humanista, mas resvala no preconceito ignorante. Os homosexuais vêm, como todos, do fruto de um casamento hetro. Um menino criado pela mãe e pela tia não tem que dar em panilas (ui, disse “panilias” que é depreciativo, posso-lhes cortar os direitos, mas não os posso ofender), um menino criado por dois amantes do mesmo sexo também não dá em panilas. Quanto ao estigma social de ser gozado na escola, isso é um problema de quem goza mais do que quem é gozado. Quem acha que é preferível uma criança ficar a morar no asilo/orfanato em vez de ser adoptada por um casal Gay… é porque anda a comer gelados com a testa e nunca visitou estas instituições. Não estando já no panorama “oliver twist” está longe de ser um lar pleno. E é isto que penso.

Comentário por JAP — 14 de Outubro de 2008 @ 13:22

E pensa muito bem, caro JP.

Comentário por João Ferreira Dias — 14 de Outubro de 2008 @ 15:11

Caro João, quando disse que não tinha a certeza se apoiava a adopção de crianças por casais do mesmo género não pretendia dar a ideia de ser contra. A verdade é que não disponho de informação suficiente para formar uma opinião. Assim, não sou uma daquelas pessoas que acha que uma criança educada por homossexuais seguirá o mesmo caminho, moldando a sua orientação sexual a partir do exemplo destes. Basta ver que vários indivíduos nascidos no seio de uma família hetero convencional vêm a descobrir a sua homossexualidade. Desta forma,aquilo que me preocupa é a ausência de uma figura paterna ou materna (conforme os casos) na vida de uma criança. Embora não me tenha inteirado do assunto, como já disse,sou levado a crer que talvez haja desvantagens neste tipo de educação, por mais pequenas que sejam. De qualquer maneira, já seria uma grande vitória se o casamento entre homossexuais fosse aprovado na AR, porque estamos em Portugal. O tal preconceito ignorante atinge-nos a todos e muito antes de falarmos na questão da adopção. O escárnio de que os homossexuais são objecto e do qual falas no teu post indica precisamente isso. Um dos piores insultos que podemos dirigir a alguém é chamá-lo de paneleiro ou larilas. Por isso, acho que temos de ser pacientes e dar um passo de cada vez. Como dizia Einstein, é mais difícil desintegrar um átomo que mudar mentalidades.

Comentário por Jorge — 14 de Outubro de 2008 @ 18:14

Perdão, é mais fácil desintegrar um átomo que mudar mentalidades, assim é que está bem :)

Comentário por Jorge — 14 de Outubro de 2008 @ 18:17

CARO JOAO,

A ISTO SE CHAMA IGUALDADE !

GRANDE POST

Comentário por sepac — 23 de Outubro de 2008 @ 10:46

[...] o problema que se coloca não é o do laicismo contra a religião (ou vice-versa): é simplesmente o de encontrar uma lógica para o argumento do “direito” do [...]

Pingback por Façamos de conta que o rei não vai nu « perspectivas — 2 de Julho de 2009 @ 21:19

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