O texto abaixo constitui um e-mail enviado por mim à redacção do canal Sporttv, em nota de insatisfação:
Exmos. Srs.Desde já os meus cumprimentos. Sendo cliente Sporttv sinto-me no direito de expressar o meu desagrado pelos comentários emitidos pelos v/analistas de serviço nos jogos da Liga dos Campeões envolvendo o FC Barcelona. Entendo que, uma cuidada análise de um jogo de futebol, deve ser feita tendo em conta os critérios de isenção e objectividade. Um profissional não deve ser tendencioso nem transparecer as suas preferências. Todavia, não é isto que se verifica. Nos jogos do Barcelona há, sempre, uma notória tendência dos comentadores da estação de V.Exas. para exacerbar as qualidades dos jogadores «blaugrana» e analisar os lances em favor do clube da catalunha. Permitam-me a expressão: nota-se nos v/comentadores uma “doença” pelo Barcelona.Ainda ontem, no jogo que opunha o Manchester United ao Barcelona, em Old Trafford, segunda mão das meias-finais da Champions League, vi-me forçado a mudar de canal, e acompanhar o jogo na RTP1, tal era o entusiasmo pró-barcelona que se fazia notar. Não se tratava de um jogo da Selecção Nacional, onde todos estamos a puxar para o mesmo lado, tratava-se, sim, de um jogo da Liga dos Campeões opondo ingleses a espanhóis. Pesem as nossas preferências o comentário deveria primar pelo rigor. O que se passou foi um retrato do jornalismo português e dos meandros do futebol.Atentamente,João Ferreira Dias



Nota-se cada vez mais nos comentadores uma pouco profissional inclinação para torcer por uma das equipas. Meus senhores: o trabalho jornalistico é feito de isenção.
A esquerda é apenas aparentemente mais simpática para com os que não são heteronormativos. Qualquer queer que leia as notícias - as linhas e as entrelinhas - sabe que os queers são desprezados e acarinhados de acordo com o dinheiro e poder de voto que têm. O próprio PP já promoveu a ideia de formação anti-homofóbica para funcionários da CML. E o Francisco Louçã já demonstrou as suas verdadeiras cores no debate sobre a interrupção voluntária da gravidez com Paulo Portas.
A verdade é que ser queer é estar à mercê das contingências. De qualquer forma, ser contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é necessariamente homofóbico. Eu sou queer, tou aqui e sou contra (habituem-se a isso!) o casamento como instituição reconhecida pelo Estado - e também sou contra a adopção por casais do mesmo sexo dentro desta grelha conceptual em que se discute a adopção.
A vida de qualquer pessoa não deve ser moldada com a ideia de que casar e ter 1.7 filhos (ou 1.3, qualquer que seja a média em Portugal), comprar casa, carro e fazer feriazinhas no Algarve todos os anos para voltar ao escritório e trabalhar até qualquer centelha de vida desaparecer do nosso espírito é a melhor e mais perfeita realização pessoal que qualquer humano pode alcançar. Se a emancipação se reduz a transformar os queers em paródias de heterossexualidade de classe média - paródia de uma tragédia? -, então non merci.