Dress Code.

VIVEMOS num tempo em que a imagem conta sobremaneira. A aparência é o nosso cartão de visita e determina amplamente o sucesso de um contato formal ou informal. Na política, por exemplo, não chega ter ideias, é preciso ter a imagem certa que funciona tanto na televisão como em outdoors. Obviamente que na procura por uma imagem cuidada nasceram os social dress codes, particularmente visíveis na sociedade lisboeta, contrários aos códigos estéticos portuenses, por exemplo. Em Lisboa, a preocupação não é tanto estética ou com tendências mas com os valores por trás de um modo de trajar. As calças cremes ou cinzas com o casaco azul-escuro tornaram-se uma moda que reflete uma certa forma de estar ou pretender estar na vida. Trata-se de um dress code vazio de gostos ou de individualidade, porquanto se apresenta como uma uniformização que se prolonga nos comportamentos de consumo. Há contudo, um pormenor que falha e muito, diga-se, na marginalidade dos homens portugueses, que decalca claramente o sentido de estética da cópia pirata. Falo, claro, dos sapatos. É recorrente (no mínimo) vermos alguma preocupação com a camisa, com a gravata, com as calças e o casaco, mas um grande descuido com os sapatos, muitas vezes mais gastos, démodé e desadequados. Faz diferença, faz.
Afixado por: [JFD] at Novembro 5th, 2009 em Instantes

