
Ricardo Quaresma passou de bestial a besta no Futebol Clube do Porto. Não é o primeiro. Não será o último. O reconhecimento e as circunstâncias andam de braço-dado no clube do dragão. O «ciganito» tem sido uma pérola da coroa do FCP, crucial em mais do que um momento, abrindo brechas onde outros não conseguiam penetrar, criando
inúmeras jogadas de golo através de fintas e das suas consagradas trivelas. O clube respondeu à dedicação com uma redoma de vidro em torno do jogador e alguns aumentos salariais. Quaresma tinha o estatuto de estrela. O facto de ter de dividir esse estatuto com Lucho poderá ter criado alguns atritos internos mas nada que motiva-se desagregação no balneário. Às exibições de grande qualidade sucediam-se os interesses dos colossos europeus. Quaresma começava a figurar entre os mais apetecíveis da Europa. O Porto ergeu uma barreira de 40 milhões de euros. O Chelsea, à epoca de Mourinho, não viu nesses valores um obstáculo e acertou a transferência do jogador para os «blues», a acontecer nesta época. José Mourinho saiu e o negócio foi vetado por Scolari. José Mourinho foi para o Inter e com ele levou o nome de Ricardo Quaresma na bagagem, ao lado de Franck Lampard como as duas aquisições fundamentais para os «nerazzuri». No entanto, ao contrário do Chelsea, o Inter não está disponível para as transferências astronómicas de outrora (também no futebol se sente a crise) e 40 milhões figuram-se valores impraticáveis para Massimo Moratti. A solução parece passar pela cedência de um jogador mais um montante em dinheiro. Suazo - agora apontado ao Benfica - foi rejeitado pelo FCP (um erro de gestão, uma vez que foi forçoso contratar Hulk, com menos provas dadas). A direcção portista só aceita receber o português Pelé, um jogador que Mourinho não pretende deixar sair. A direcção italiana já encostou o «special one» às cordas: para contratar Quaresma é preciso vender jogadores. Ao sabor deste negócio que avança e recua (e vai recebendo expeculadores novos - Real Madrid e Liverpool), o jogador vai treinando com as reservas, mantendo a forma mas não jogando, impedido de contrair uma lesão que inviabilize o negócio. De um momento para o outro Quaresma tornou-se uma venda urgente, uma pedra no sapato do orçamento portista. Vender o jogador passou a ser um imperativo. O Inter sabe-o e joga com isso. Quaresma e o FC Porto têm a perder com isso. Por um lado há uma desvalorização do valor do atleta, por outro a equipa recente-se da falta do seu artista que não sai nem contribui para o colectivo. Desta feita a SAD portista está a gerir muita mal a situação. Nota menos para uma direcção tradicionalmente de nota mais.
[foto de Quaresma via «Blog Portista»]



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