O conceito de Mudança na política benaventense.
COM AS ELEIÇÕES autárquicas à porta – e com a provável manutenção do status quo na maioria das autarquias portuguesas – vale a pena deixar uma ideia sobre o conceito de «mudança» aplicado à situação específica de Benavente. «Mudança» tem sido, ao longo dos anos, chavão da oposição quer no governo central quer nos governos locais. Acima de tudo porque vem acompanhada da percepção que se tem de alteração de padrões de governação e de interpretação dos problemas sociais, económicos e políticos. No entanto, a referência à «mudança», quando aplicada às gestões autárquicas, ganha notório relevo, sabendo que boa parte dos executivos municipais tende a perpetuar-se no poder.
BENAVENTE tem tido José Ganhão como presidente desde a revolução dos cravos. Inegavelmente a vila cresceu em torno da sua gestão. Apesar da incontornabilidade dessa afirmação, trinta e muitos anos é tempo demasiado para que qualquer forma de governo seja capaz de continuamente se renovar. A paixão pelo exercício do poder tende, naturalmente, a dar lugar à acomodação e ao governo passivo. As ideias que tinham um lugar de inovação transformam-se em cristalização de leituras. É precisamente porque as ideias se esgotam que o conceito de «mudança» tem tanto significado no âmbito local. À esquerda ou à direita, é preciso mudar. Mudar para novas ideias, mudar para novos rostos, mudar para novas sinergias. Mudar, porque é sempre preciso mudar. Por isso mesmo, todos os partidos que entram na corrida autárquica falam em «mudança», e outro lema não é preciso. Mudar já não é uma ideia, é um imperativo, em nome da renovação de ideias e em nome de um novo horizonte. As camisas que se dobram sempre da mesma maneira ganham vícios.
Afixado por: [JFD] at Outubro 10th, 2009 em Esplanada Benaventense


