- Votar de Longe –
O JOÃO SILAS coloca bem a questão do voto para o emigrante, embora eu tenha uma leitura diferente da que ele expressa na sua casa cibernética [link]. Primeiro porque o direito de voto é uma conquista social que resultou de um enorme esforço humano e tal facto não deve ser negligenciado. Segundo, a expressão do direito de voto representa um exercício de cidadania onde quer que nós – cidadãos – estejamos. Terceiro, o emigrante português já não é (ou não só é) aquele que sai das aldeias, pouco literado, preso às tradições populares e que parte em busca de um pé de meia para voltar à terra e casar. Os tempos são outros, os lugares-comuns devem ser alterados, a bem da leitura real do fenómeno da emigração. E assim, temos uma população emigrante cada vez mais representada por licenciados e recém-licenciados que partem à procura de condições de vida que Portugal não lhes oferece, entre elas a própria possibilidade de emprego na sua área. Essa massa emigrante tem plena consciência política e vota ciente do valor do seu acto. Aliás, tem plena consciência do governo que está por trás da sua abrupta emigração. Por isso, João, acho que sim, o emigrante deve ter direito ao voto. Até porque está menos sujeito ao marketing político que condiciona o voto livre.
Afixado por: [JFD] at Setembro 22nd, 2008 em Instantes, Krónica


“Outro argumento foi quando o meu Pai perguntou a um familiar meu que está há cerca de 30 anos em Angola se tinha direito a votar lá. A resposta desse meu familiar foi: não. Ora se ele não pode votar em Angola estando lá há tanto tempo então se o governo lhe tirasse o direito de votar no seu país o meu familiar ficaria sem identidade?! Sem pátria? Era estúpido uma coisa destas acontecer.”
Fomos bater na mesma tecla cheguei a essa conclusão no fim do meu artigo, daí o comentário do jpt:
“Ler este seu post salvaguarda-se uma dimensão óptima do bloguismo, que é esse de trocarmos opiniões e podermos reflectir os argumentos dos outros, por vezes mudando os nossos, outras não mas burilando-os. E isso vale a pena
cumprimentos”
Obrigado mais uma vez pela referência.
Comentário por João Silas — 22 de Setembro de 2008 @ 21:09