O poder autárquico tem uma lógica que difere, temporalmente, da gestão pública estatal. O grande poder central, pela sua visibilidade, está sujeito à pressão do imediato. Ao contrário do poder autárquico, cuja aplicação de medidas públicas requer uma maior baliza temporal. Ao mesmo tempo, a concepção de participação cívica é amplamente mais limitada quanto mais para o interior do país avançamos. Regra geral. É precisamente por esses dois factores — aplicação temporal da gestão pública e falta de alternativa política — que é possível encontrarmos inúmeras autarquias cujos presidentes se mantém no poder por mais de uma década.
Se por um lado a manutenção no poder por um período alargado de tempo significa um maior conhecimento das limitações e potencialidades locais, por outro significa negativamente um esgotamento de ideias e projectos. E esta última constatação é mais importante quanto maior é a baliza temporal que abarca e quanto maior for o clima de aquiescência, de aceitação inconsciente dessa mesma realidade. Há um status quo autárquico que mais do que fazer prevaler lógicas tradicionais locais, limita a modernização.
# O meu texto de hoje, no «Alternativa B»
O poder autárquico tem uma lógica que difere, temporalmente, da gestão pública estatal. O grande poder central, pela sua visibilidade, está sujeito à pressão do imediato. Ao contrário do poder autárquico, cuja aplicação de medidas públicas requer uma maior baliza temporal. Ao mesmo tempo, a concepção de participação cívica é amplamente mais limitada quanto mais para o interior do país avançamos. Regra geral. É precisamente por esses dois factores — aplicação temporal da gestão pública e falta de alternativa política — que é possível encontrarmos inúmeras autarquias cujos presidentes se mantém no poder por mais de uma década.


Como já escrevi em tempos, o político de autarqia está para o político parlamentar como as fisgas estão para as catapultas: ambas arremessam projectéis, mas uns fazem mais merda que outros.
Parece-me que o poder central está demasiado exposto e mediatizado para que os políticos possam mijar demasiado fora do penico.O poder local só é avaliado no fim do mandanto pela riqueza extraordinária dos ex-presidentes ou quando há a pouca sorte de haver um delantante que não se deixa subornar.
No poder há sempre tentação de corromper. É a essência do Homem. Ou há vigilância ou há corrupção.