Aos Solavancos (ou a CPLP por vagas)

A terminar a VII Cimeira da CPLP fica a ideia de que o organismo de aproximação político-cultural dos países da Lusofonia vive de empurrões circunstanciais, de vagas e contra-vagas, um pouco ao jeito das vagas democráticas que Samuel Huntington explanou. Longos períodos de ausência de actividades, de silêncios laboriosos, são interrompidos por epifenómenos de grandes ideias e projectos, normalmente correspondendo às datas das Cimeiras. A CPLP vive, por isso, de uma agenda flutuante e mediática, cujos contornos não se traduzem em verdadeiros programas práticos. José Sócrates avançou um conjunto de projectos-pilotos como a criação de uma rede de escolas dos países da CPLP, uma biblioteca comum online, um projecto de televisão na Internet gerida conjuntamente por todos os países da CPLP e uma acção coordenada entre os centros culturais. O primeiro-ministro português afirmou ainda que o organismo atravessa uma fase de maturação e que requer uma maior projecção internacional, cujos contornos passam pela promoção da língua portuguesa no mundo, tal como Cavaco Silva já havia pronunciado. Resta saber se as ideias permanecerão na gaveta ou se é desta vez que a CPLP deixa de ser um gentlemen’s club.
# simultaneamente publicado também [aqui]

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