A Nova CPLP

Realiza-se entre hoje e amanhã a VII Cimeira da CPLP.  Para além da questão do acordo ortográfico, que já abordei aqui, é importante salientar a presença dos países observadores da CPLP, isto é, em língua corrente, os países que pretendem aderir à comunidade dos países de língua portuguesa: Guiné Equatorial, Senegal, Venezuela, Ucrânia e Croácia. Ou muito me engano ou estes países falam tanto português quanto o Bangladesh. Portanto, a questão central da CPLP - reunião de países unidos por uma mesma língua e assim traços culturais comuns - parece tender a dissolver-se, à medida que os interesses meramente económicos e migratórios, estratégicos portanto, assumem papel cimeiro no processo político da CPLP. Se por um lado, estes novos caminhos conferem maior dinamismo e amplitude ao centro de poder da CPLP, por outro lado, a política lusófona de José Aparecido de Oliveira, pai do projecto da CPLP, perde-se no complexo de negociações e interesses.

Há portanto, uma nova CPLP em marcha. Este pressuposto é inegável, e confere a Portugal (e claro ao Brasil, propulsor da CPLP e grande potência emergente) uma nova lógica de inserção internacional, pragmática e operante em várias frentes com claros interesses de alargamento económico. Todavia, é importante que não se perca o aspecto cultural da CPLP, ideia que nunca foi verdadeiramente implementada. Vamos acompanhando.

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