ANOMALIAS AUTÁRQUICAS: O coeficiente de práticas democráticas de um país mede-se, também, pela organização e dinâmica governativa local. Essa quantificação tem de, obrigatoriamente, ter presente o balanço de toda a histórica política, económica e social de um país. O resultado desta análise traduz-se num saldo de preparação para a cidadania exemplar. Como alerta hoje o «Público» as autarquias portuguesas vivem a braços com problemas estruturais profundos. Às dificuldades de recursos financeiros juntam-se-lhes os problemas de recursos humanos que sejam capazes de colmatar a total ausência de projectos empreendedores e que requalifiquem o traçado urbano da sua responsabilidade. Este vazio de modernidade expressa-se pela fraca presença feminina nos cargos públicos e, mais grave ainda, pela prática de gestão autárquica temporária: só seis por cento das freguesias têm presidentes a tempo inteiro. Esta inércia autárquica é ainda justificada pela baixíssima escolaridade dos seus representantes, situação que condiciona sobremaneira a capacidade de empreender projectos revitalizadores, deixando a grande maioria das autarquias portuguesas na completa penumbra de actualização. É sintomático do estado do país.

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