NÃO HÁ CANUDO QUE NOS VALHA: Começa a ser uma pergunta de auto-reflexão. Apesar da afirmação generalizada de que estudar compensa, isto é, que a formação superior continua a ser uma mais-valia no acesso ao mercado de trabalho, a verdade é que depende da área de formação. Para que queremos em Portugal mais advogados? Para servirem em cafés e restaurantes?
Obviamente que a taxa de desemprego varia consoante o estabelecimento de ensino frequentado, no entanto, há saídas profissionais que não auguram bons presságios e que começam a assumir-se como escolhas de risco. São os casos da Comunicação Social e Jornalismo, Psicologia, Serviço Social, Direito, Educação e até mesmo a enfermagem e áreas ligadas às economias.

O governo de José Sócrates orgulha-se de afirmar que em 2007 acederam ao ensino superior mais 67 mil estudantes (mais coisa menos coisa), números que na verdade não serão traduzidos em oportunidades de emprego. A oferta de estágios profissionais continua a não dar vazão ao crescente número da procura. Ao mesmo tempo, e como consequência, cada vez mais jovens licenciados procuram emprego no estrangeiro.

O curioso é vermos enfermagem na lista das licenciaturas que contribuem para engrossar as fileiras do desemprego. A pergunta tem de persistir: se temos tantos enfermeiros e enfermeiras estrangeiros em Portugal e se temos enfermeiros portugueses no desemprego, onde está presa a lógica? Calcula-se que nos valores salariais. Assim não há canudo que nos valha.

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