NEGÓCIOS DA CHINA: A 10ª Cimeira entre a União Europeia e a China, embora qualificada pelo Primeiro-Ministro Português e Presidente do Conselho, José Sócrates e pelo Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, de “sucesso”, satisfez mais os interesses chineses do que os da União Europeia. Afinal, como vem sendo tradicional. Este “sucesso” de que falam Sócrates e Barroso, é na verdade um sucesso mascarado pelos cocktails e conversa fiada. É como se«de derrota em derrota se chegasse à vitória final», um pensamento que relembra os velhos tempos do MRPP.

A União Europeia fez a vontade à China e condenou explicitamente o referendo em Taiwan sobre a adesão às Nações Unidas, conseguindo em troca apenas um grupo de estudos de alto nível para estudar o problema do défice comercial. Isto faz-me lembrar o sketch do «Gato Fedorento» sobre a constituição de comités para “análise de situações”.

A bem dizer das coisas, o mais importante continua por ser explorado (sob proveito chinês): a impusição de soluções para a abertura do mercado chinês aos produtos europeus, bem como a criação de mecanismos de valorização mais ambiciosos do remimbi face ao euro. O mercado chinês continua florescente, ao mesmo tempo que a indústria europeia se vê forçada a fechar as suas portas. A balança comercial europeia está profundamente deficitária no que concerne à relação exportação/importação, tudo em nome de uma paz com a China.

Barroso, Sócratea e Wen Jiabao chegaram a acordo em relação a quatro pontos: “Continuar a colaborar em conjunto em todas as áreas do domínio da paz e da segurança no mundo; reconhecer o controlo das alterações climáticas como uma prioridade mundial; cooperar no continente africano e coordenar mecanismos de cooperação; olhar de frente para o défice comercial”, segundo palavras do próprio José Sócrates. “Reconhecer o controlo das alterações climáticas como uma prioridade mundial” é uma expressão interessante, como se fosse necessária toda uma análise histórica e filosófica para que se chegue a um reconhecimento da ameaça climatérica. Esta já cansa, já toda a gente reconheceu a ameça, é hora de passarem aos actos. Estratégias e não reconhecimento é o que se impõe. “Cooperar no continente africano e coordenar mecanismos de cooperação”. Outra. Cooperar em África tornou-se sinónimo, para a China, de exploração capitalista. Em África nunca foram as pessoas a prioridade, nem seriam agora.

Há qualquer coisa nestas Cimeiras que cheira sempre a déjà vu. Não vos parece?

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