A União Europeia fez a vontade à China e condenou explicitamente o referendo em Taiwan sobre a adesão às Nações Unidas, conseguindo em troca apenas um grupo de estudos de alto nível para estudar o problema do défice comercial. Isto faz-me lembrar o sketch do «Gato Fedorento» sobre a constituição de comités para “análise de situações”.
A bem dizer das coisas, o mais importante continua por ser explorado (sob proveito chinês): a impusição de soluções para a abertura do mercado chinês aos produtos europeus, bem como a criação de mecanismos de valorização mais ambiciosos do remimbi face ao euro. O mercado chinês continua florescente, ao mesmo tempo que a indústria europeia se vê forçada a fechar as suas portas. A balança comercial europeia está profundamente deficitária no que concerne à relação exportação/importação, tudo em nome de uma paz com a China.
Barroso, Sócratea e Wen Jiabao chegaram a acordo em relação a quatro pontos: “Continuar a colaborar em conjunto em todas as áreas do domínio da paz e da segurança no mundo; reconhecer o controlo das alterações climáticas como uma prioridade mundial; cooperar no continente africano e coordenar mecanismos de cooperação; olhar de frente para o défice comercial”, segundo palavras do próprio José Sócrates. “Reconhecer o controlo das alterações climáticas como uma prioridade mundial” é uma expressão interessante, como se fosse necessária toda uma análise histórica e filosófica para que se chegue a um reconhecimento da ameaça climatérica. Esta já cansa, já toda a gente reconheceu a ameça, é hora de passarem aos actos. Estratégias e não reconhecimento é o que se impõe. “Cooperar no continente africano e coordenar mecanismos de cooperação”. Outra. Cooperar em África tornou-se sinónimo, para a China, de exploração capitalista. Em África nunca foram as pessoas a prioridade, nem seriam agora.
Há qualquer coisa nestas Cimeiras que cheira sempre a déjà vu. Não vos parece?



0 Responses to “”