Estima-se que existam 300 mil crianças-soldado em todo o mundo repartidas entre tropas governamentais e grupos guerrilheiros. Na Serra Leoa, durante o período da Guerra Civil, em 1990, cerca de 15 mil crianças estiveram nos campos de batalha. Segundo dados do Alto Comissariado da ONU para Refugiados mais de 2 milhões de crianças terão morrido em confrontos militares na última década, aos quais se juntam 6 milhões de feridos e/ou mutilados e 1 milhão de órfãos. Em 87 países convivem crianças e 60 milhões de minas terrestres mutilam anualmente 10 mil crianças. São números perfeitamente assombrosos. Se lhes juntarmos os traumas psicológicos, desenraizamento e ainda total ausência de esperança de futuro, temos milhões de crianças vítimas de interesses económicos e de governos tiranos.
Ao mesmo tempo, é importante reflectirmos sobre esta dura realidade no contexto de paz universal. A ameaça internacional tem-se consubstanciado no terrorismo e no conceito de segurança interna. Só é ameaça aquilo que possa afectar a segurança dos Estados mais potentes em termos económicos e civilizacionais. A percentagem do valor de vida humana varia ao sabor da capacidade dessas vidas geraram lucros. Neste sentido a existência de crianças-soldado, embora reconhecido como flagelo não representa um problema de topo hierárquico. As prioridades medem-se em valor financeiros e vantagens que compensem os gastos. O infanticídio não é ainda uma prioridade porque afinal nesses países crianças há muitas.
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