A PAZ É UMA CRIANÇA. Segundo o JN o governo de Myanmar (ex-Birmânia) está a recrutar crianças para servirem nas fileiras do exército. As idades rondam os dez anos e compreendem ambos os sexos, avança a Human Rights Watch num relatório intitulado «Vendidos para serem soldados». No mesmo relatório “Os generais do governo toleram o recrutamento de crianças e não punem aqueles que o executam” adiantando que “Algumas crianças são agredidas até que aceitem”. Apesar de um relatório da ONU, apresentado no passado dia 17 de Outubro, considerar que a existência de crianças-soldado é uma dura realidade no mundo actual, a situação política de Myanmar continua a não representar uma ameaça real internacional. Ban Ki-moon, Secretário-Geral da ONU, afirmou no discurso inaugural de Assembleia do Conselho das Nações Unidos, no passado dia 26 de Setembro, que “o tempo de impunidade acabou”. Apesar de censurada, a repressão continua a fazer parte do regime militar que se instaurou em Myanmar.

::as crianças-soldado são arrancadas da sua infância::


Estima-se que existam 300 mil crianças-soldado em todo o mundo repartidas entre tropas governamentais e grupos guerrilheiros. Na Serra Leoa, durante o período da Guerra Civil, em 1990, cerca de 15 mil crianças estiveram nos campos de batalha. Segundo
dados do Alto Comissariado da ONU para Refugiados mais de 2 milhões de crianças terão morrido em confrontos militares na última década, aos quais se juntam 6 milhões de feridos e/ou mutilados e 1 milhão de órfãos. Em 87 países convivem crianças e 60 milhões de minas terrestres mutilam anualmente 10 mil crianças. São números perfeitamente assombrosos. Se lhes juntarmos os traumas psicológicos, desenraizamento e ainda total ausência de esperança de futuro, temos milhões de crianças vítimas de interesses económicos e de governos tiranos.

Ao mesmo tempo, é importante reflectirmos sobre esta dura realidade no contexto de paz universal. A ameaça internacional tem-se consubstanciado no terrorismo e no conceito de segurança interna. Só é ameaça aquilo que possa afectar a segurança dos Estados mais potentes em termos económicos e civilizacionais. A percentagem do valor de vida humana varia ao sabor da capacidade dessas vidas geraram lucros. Neste sentido a existência de crianças-soldado, embora reconhecido como flagelo não representa um problema de topo hierárquico. As prioridades medem-se em valor financeiros e vantagens que compensem os gastos. O infanticídio não é ainda uma prioridade porque afinal nesses países crianças há muitas.


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