||| Conversas de Café | cappuccino d’improviso [conversa 133]

O blogue KØNTRÅSTËS 3.0 está a publicar um conjunto de conversas informais mantidas via e-mail com os mais diversos bloggers ©. O objectivo é conhecer um pouco mais do blogger que dá vida ao blogue e abrir uma cortina para o que move cada autor de blogue. O convidado de hoje é Miguel Pires Ramos, 27 anos, Gestor de Conteúdos, autor do blogue «Sopros».

1. Sabendo que a blogosfera é uma janela para a vida cibernética, como vê o fenómeno «blogue»?
- Não creio que se possa referir um fenómeno blogue, da mesma forma que não se pode referir um fenómeno livro ou jornal, visto ser difícil traçar uma linha comum entre o imenso universo da
blogosfera. Creio que o único ponto em comum é a vontade de ser ouvido, seja como facto político, para manter uma presença na vida nacional do qual o incontornável Abrupto se tornou paradigma, ou seja apenas como um desabafo público de vivências privadas. Existe ainda muito pela parte dos leitores dos blogues uma procura voyeurista da vida de outras pessoas, o que explica o sucesso de muitos blogues quando expõem as dores da vida privada do blogger, e que desaparece quando a temática muda ligeiramente, ou quando a depressão passa.

2. Quando acede à blogosfera que tipo de blogues procura?

- Acabo por ter uma relação muito pessoal com os blogues que leio, acompanhando-os com uma regularidade e fidelidade extremas. Raramente saio do grupo das minhas leituras diárias que estão nos links do blogue. Para colocar um blogue novo nessa lista preciso de ser levado por um post que me chame a atenção nas incursões que faço pelo espaço desconhecido, mas depois leio mais alguns posts ao calhas para perceber se aquele blogger tem ou não potencial para me cativar durante algum tempo. Mas é tudo uma questão impulsiva, intuitiva.

3. O que o levou a criar um blogue?
- O meu blogue foi criado numa altura de ruptura pessoal e após ler o Dizconversando/Conversadizendo, que está agora meio parado e tem sido substituido pelo Miss Xangai. Achei interessante a experiência de comunicação com o vazio. Era algo de novo que queria experimentar e ver, sem nenhum tipo de plano pré-definido, onde me levaria.

4. Que balanço faz da sua estadia na blogosfera e da blogosfera actual?
- A minha estadia na blogosfera tem sido muito positiva, só assim se justifica o tempo que lhe dedico. Escrevo todos os dias de semana, excepto férias. O blogue tem evoluído, quando inicialmente era muito pessoal, falava de amigos que via, conversas que tinha (sem no entanto ser demasiado específico) agora é mais um espaço de opinião e divulgação cultural com um toque extemporâneo de comentário político ou social. Pessoalmente dá-me um espaço de comunicação e conhecimento, tendo já criado algumas amizades e ligações mesmo que virtuais. Quando ao longo do tempo sentes que há pessoas que te acompanham na tua escrita de uma forma regular, isso dá-te alguma responsabilidade perante eles na criação de conteúdos, eles são no fundo o teu público, e isso obriga-me a estar atento, a ter alguma disciplina a escrever, ao mesmo tempo que me encoraja e me motiva.

5. Acha que os blogues podem substituir a imprensa online?
- Não creio. A imprensa (e a online só difere da outra no seu suporte físico e capacidade de resposta mais imediata) é um meio profissional de divulgação de notícias e de opinião. A blogosfera, com todas as suas vantagens de liberdade é uma amalgama sem rumo nem norte, onde seja quem for diz seja o que for. A imprensa não só tem uma credibilidade que a maioria dos blogues não possui como tem meios, conhecimentos e fontes a que os bloggers não têm acesso. São um meio alternativo, não um substituto.

6. Em que medida os blogues influenciam ou influenciaram a sua vida e/ou actividade profissional?
-Em termos de actividade profissional os blogues não tiveram qualquer influência. Em termos pessoais foram uma forma de me expressar pessoal, crítica e criativamente, bem como uma forma de criar relações e amizades com leitores e com outros bloggers. É algo que um blogue transmite, uma relação muito pessoal entre quem lê e quem escreve que por vezes estravaza o plano cibernético.

7. O que faz um bom blogue?
- Um bom blogue é aquele que cumpre aquilo a que se propõe. Não se pode comparar um blogue de opinião politica, com um de divulgação cultural, ou um de desabafo emocional do blogger. Tem que cumprir a sua função de uma forma cativante, envolvente para quem lê, utilizando os meios que dispõem, seja apenas a escrita, música, fotos ou videos. É no entanto sempre uma escolha subjectiva, muito ligada a quem escreve e quem visita, é quase como perguntar o que faz uma boa pessoa ou um bom jornal, depende. O Expresso e o Record não podem ser comparados pelos mesmos padrões porque têm objectivos diversos.

1 Response to “||| Conversas de Café | cappuccino d’improviso [conversa 133]”


  1. 1 Afronauta

    O “kontador” de visitas por si só pouco representa. A “demora” de cada uma delas, essa sim, é a verdadeira bitola do interesse, ainda que em alguns casos, masoquista, por parte de quem entra.é que há quem se demopre alguns segundos e jamais regresse para explorar melhor. Também nos blogs a imagem conta, aqui sim, pode-se dizer sem combra de dúvida, queos olhos também comem e h+a blos que nos despertam o apetite ao primeiro olhar!
    Quem pode negar que se sente envaidecido quando percebe que o seu blog é procurado com frequência por reincidentes e caloiros em número crescente? Afinal se um blog apenas existir como repositório de pensamentos não partilhados, para que serve?
    Um blog é como uma garrafa virtual que se atira para o mar da internet, cujo conteúdo pode ser encontrado por qualquer um, ainda que não tanto por acaso e não apenas por uma pessoa de cada vez!..

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